
Conteúdo
- 1 A Vida de Ricardo Brennand
- 2 Início da Trajetória Empresarial
- 3 Fundação do Instituto Ricardo Brennand
- 4 Coleção de Armas e Pinturas
- 5 Reconhecimento e Títulos Recebidos
- 6 Projetos Sociais e Contribuições
- 7 Morte e Legado
- 8 Influência no Mundo da Arte
- 9 O Impacto do Instituto no Recife
- 10 Futuro do Instituto e suas Exposições
A Vida de Ricardo Brennand
Ricardo Brennand nasceu no dia 27 de maio de 1927, na área da Usina Santo Inácio, situada no Cabo de Santo Agostinho, um município no litoral Sul do estado de Pernambuco. Ele era filho de Antônio Luiz de Almeida Brennand, um descendente de Edward Brennand, que imigrou da Inglaterra, especificamente de Manchester, em 1820, e de Dulce Coimbra de Almeida Brennand. Ricardo teve uma infância ligada à terra e à cultura da sua família, já que seus pais eram proprietários da usina onde cresceu.
A infância de Ricardo foi marcada por uma forte conexão com a forte presença da tradição católica, simbolizada pela capela dedicada a Inácio de Loyola, que estava situada na propriedade da sua família. Em 1931, a família mudou-se para o Engenho São João, no bairro da Várzea, na Zona Oeste do Recife, onde continuou sua trajetória de vida até a adolescência.
Entre 1937 e 1942, ele estudou no Colégio Marista e, adiante, em 1943, transferiu-se para o Colégio Oswaldo Cruz, local onde conheceu Graça Monteiro, a mulher que mais tarde se tornaria sua esposa. Durante seus estudos, Ricardo teve aulas particulares de inglês e alemão; aos 18 anos, ele finalizou sua educação básica e, após cumprir o serviço militar, ingressou na Universidade Federal de Pernambuco para estudar Engenharia.

Início da Trajetória Empresarial
Após concluir o curso de Engenharia em 1949, Ricardo iniciou sua carreira profissional trabalhando na Usina Santo Inácio, focando na produção de açúcar e álcool. No dia 28 de maio desse ano, contraiu matrimônio com Graça Maria Dourado Monteiro, e no ano seguinte, seu primeiro filho, Ricardo Coimbra de Almeida Brennand Filho, veio ao mundo.
Com a união, Ricardo e Graça deram início a uma numerosa família, sendo pais de mais sete filhos: Antônio Luiz de Almeida Brennand Neto, Catarina Maria Elizabeth Monteiro Brennand, os gêmeos José Jaime e Maria de Lourdes Monteiro Brennand, Renata, Patrícia e Paula Monteiro Brennand. No aspecto empresarial, Ricardo, ao lado de seu primo Cornélio, desempenhou uma função central na administração dos negócios da família.
Ricardo teve um papel vital na diversificação das atividades empresariais, que gradualmente se expandiram para incluir cerâmica, aço, cimento e vidro na década de 1990. Em 1999, o primo Cornélio e Ricardo decidiram vender a fábrica de cimento da família ao grupo português Cimpor, o que marcou uma nova fase em sua carreira. Nesse mesmo período, Ricardo começou a idealizar o que seria o “Instituto Ricardo Brennand”, um legado que futuramente se tornaria um dos principais destinos culturais do Brasil.
Fundação do Instituto Ricardo Brennand
A fundação do Instituto Ricardo Brennand teve início em 1999 e estava situada nas terras do antigo Engenho São João, na Várzea, com o propósito de ser um espaço cultural sem fins lucrativos. A coleção começou modestamente com armas, que Ricardo começou a reunir após uma viagem à Inglaterra em 1952, onde adquiriu a primeira peça para sua coleção, um canivete, presente de seu pai em sua adolescência.
O Instituto foi oficialmente inaugurado no dia 14 de setembro de 2002, com a abertura da Pinacoteca que apresentou a exposição “Albert Eckhout volta ao Brasil: 1644-2002”, que mostrou 24 pinturas do Museu Nacional de Copenhague. Esse evento contou com a presença do príncipe herdeiro da Dinamarca, Frederik, destacando a relevância que o instituto assumiu no cenário cultural.
Coleção de Armas e Pinturas
A coleção do Instituto é particularmente famosa pela sua excelência, que abrange a maior coleção privada de obras de Frans Post no mundo, além de um dos maiores acervos de armamento histórico. O Museu abriga mais de 3 mil peças de armas brancas, incluindo 27 armaduras medievais integrais, revelando a dedicação de Brennand à preservação da história e da arte.
Reconhecimento e Títulos Recebidos
Ricardo Brennand conquistou ao longo de sua vida diversos prêmios e honrarias que atestam seu impacto na cultura e no empresariado brasileiro:
- Medalha do Mérito Cidade do Recife: 26 de dezembro de 1968
- Honra ao Mérito Industrial: Programa do Trabalhador – Recife, 1980
- Diploma do Fórum de Líder Empresarial Gazeta Mercantil: Belo Horizonte, 2002
- Menção Honrosa Especial: Associação Brasileira de Críticos de Arte, São Paulo, 2003
- Medalha XII Salão de Arte e Antiguidade: São Paulo, 2005
- Ordem Van Orange – Nassau: Paris, 2005
- Medalha de Honra da Inconfidência: Belo Horizonte, 2011
- Diploma José Ermínio de Morais: Brasília, Senado Federal, 2012
- Medalha Leão do Norte Mérito Cultural Gilberto Freire: Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco, 2019
Projetos Sociais e Contribuições
Ricardo também teve um profundo compromisso com a filantropia, fundando vários projetos sociais. Em 2001, junto com sua esposa Graça Monteiro, estabeleceu a Creche Nossa Senhora do Rosário, voltada para atender crianças em situação de vulnerabilidade social, com idades entre 4 meses e 7 anos.
Além disso, em 2005, ele foi um dos fundadores do Instituto de Fígado e Transplantes de Pernambuco (IFP), uma instituição sem fins lucrativos que se dedica a atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele também apoiou institucionalmente o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e o Hospital de Câncer de Pernambuco, demonstrando sua preocupação com a saúde e bem-estar da população.
Morte e Legado
Ricardo Brennand faleceu no dia 25 de abril de 2020, no Real Hospital Português, em Recife, aos 92 anos, em decorrência da COVID-19. Sua morte foi sentida profundamente por aqueles que o conheciam e por todos que se beneficiaram de suas contribuições ao patrimônio cultural e social do Brasil. Sua esposa, Graça, infelizmente, seguiu o mesmo destino, falecendo em 10 de novembro de 2023.
Influência no Mundo da Arte
O impacto de Ricardo Brennand na arte e cultura brasileira é inegável. O Instituto Ricardo Brennand se tornou um ponto de referência para os amantes da arte, recebendo visitantes do Brasil e do exterior, o que enriqueceu culturalmente a região e deu visibilidade aos artistas brasileiros, especialmente aqueles com ligações históricas com a arte europeia.
O Impacto do Instituto no Recife
O Instituto não apenas preserva a arte e a história, mas também desempenha um papel vital na educação. Sua colaboração com escolas públicas e privadas promovendo programas educativos focados na História do Brasil Holandês tem sido fundamental para despertar o interesse dos jovens em sua herança cultural. O Instituto foi reconhecido como o melhor museu da América do Sul pelo TripAdvisor, destacando sua importância no panorama cultural.
Futuro do Instituto e suas Exposições
O futuro do Instituto Ricardo Brennand parece promissor. Com exposições permanentes e temporárias planejadas, o espaço continua a se expandir em sua missão de educar e inspirar. O Parque de Esculturas, com suas 18.000 hectares de áreas verdes, e a Galeria, voltada para exposições itinerantes, garantem que o legado de Brennand continuará a ser celebrado e passado adiante às futuras gerações.

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