HISTORIANET

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Unesp 2008

CORREÇÃO - UNESP
Julho de 2008

Prof Claudio Recco
Coordenador do HISTORIANET


49.
O mapa mostra a área ocupada por cidades e territórios colonizados pelos gregos.
GRÉCIA ANTIGA - PRINCIPAIS CIDADES E TERRITÓRIOS COLONIZADOS (SÉCULOS VIII A VI a.C.)


FIGURA 1 UNESP

(Gislaine Azevedo e Reinaldo Seriacopi, História. Adaptado.)
A constituição dessa área de colonização deveu-se:
(A) aos conflitos entre Atenas e Esparta, denominados Guerra do Peloponeso.
(B) aos conflitos entre gregos e persas, denominados Guerras Médicas.
(C) aos problemas derivados do crescimento demográfico e da escassez de terras.
(D) ao expansionismo resultante da aliança militar chamada Liga de Delos.
(E) ao fim da escravidão por dívidas, estabelecido por Drácon na Lei das Doze Tábuas.
RESPOSTA: C
Comentário: Os gregos realizaram dois processos de ocupação territorial além mar, o segundo deles iniciado no século VIII a.C. como parte da Segunda Diáspora, em regiões no norte da África e à oeste, destacando-se o sul do Península Itálica (Magna Grécia), como uma das conseqüências da crise gentílica, provocada pela incompatibilidade entre produção e consumo.

50. O Mercantilismo é entendido como um conjunto de práticas, adotadas pelo Estado absolutista na época moderna, com o objetivo de obter e preservar riqueza. A concepção predominante parte da premissa de que a riqueza da nação é determinada pela quantidade de ouro e prata que ela possui.
(www.historianet.com.br. Acessado em 03.03.2008.)

Na busca de tais objetivos, os estados europeus, na época moderna,
(A) adotaram políticas intervencionistas, regulando o funcionamento da economia, como o protecionismo.
(B) suprimiram por completo a propriedade privada da terra, submetendo-a ao interesse maior da nação.
(C) ampliaram a liberdade de ação dos agentes econômicos, vistos como responsáveis pela prosperidade nacional.
(D) determinaram o fim da livre iniciativa, monopolizando as atividades econômicas rurais e urbanas.
(E) buscaram a formação de uniões alfandegárias que levassem a prosperidade aos países envolvidos.
RESPOSTA:
Comentário: Questão simples, parte da definição básica de mercantilismo, conjunto de práticas econômicas adotadas pelo Estado Moderno, baseadas na concepção metalista de riqueza da nação, apesar de NÃO existir naquele momento teorias econômicas que fundamentassem a ação dos governantes da época, a não ser a idéia base do metalismo, apresentada no texto.

51.Observe a foto da Catedral de Notre Dame de Paris, construída entre 1163 e 1250.
(Adhemar Marques, Pelos caminhos da História: Ensino Médio.)


FIGURA 2 UNESP

Sobre o contexto histórico que levou ao surgimento das catedrais, pode-se afirmar:
(A) o papel dos monarcas foi decisivo, financiando a sua construção para glorificar o poder real.
(B) sua construção está associada ao reflorescimento e à prosperidade do mundo urbano.
(C) financiadas com os recursos do clero romano, ampliaram a influência do Papa no Oriente.
(D) surgiram como resposta do papado ao Cisma do Oriente, glorificando a Igreja Romana.
(E) eram templos destinados à alta nobreza, que assim evitava o contato com o povo da cidade.
RESPOSTA:
Comentário: Os séculos XII e XIII foram marcados por importantes transformações na Europa Ocidental, destacando-se dentre elas a retomada do crescimento das cidades e do comércio, além da realização das cruzadas, que reforçou a religiosidade das populações européias.

52. A revolução inglesa de 1640 (...) destruiu o antigo aparelho de Estado, impondo limites ao poder real, submetendo-o ao poder do Parlamento (...) Eliminou a autonomia financeira do poder real, confiscando-lhe as propriedades e transformando o próprio conceito de propriedade individual e absoluta (...) O poder mudou de mãos... agora passava aos domínios da pequena nobreza rural, a gentry, identificada com a burguesia mercantil. (José Jobson de Andrade Arruda, A revolução inglesa. )
Segundo o texto, a revolução inglesa:
(A) reforçou o antigo aparelho de Estado e manteve intacta a propriedade real identificada com os privilégios da nobreza.
(B) submeteu o rei ao poder do parlamento, composto pela gentry e pela burguesia, cujos interesses privilegiavam a propriedade real.
(C) destruiu o antigo aparelho de Estado e transferiu a propriedade real para as mãos do Parlamento, isto é, para a alta aristocracia.
(D) limitou o poder do Parlamento, que agora passa a ser exercido também pelo rei, cujo interesse maior é privilegiar a gentry e a burguesia.
(E) transformou a propriedade real em propriedade privada e legitimou o poder do Parlamento, representante da gentry e da burguesia.
RESPOSTA: E
Comentário: Uma análise cuidadosa do texto nos permite perceber o processo de ascensão da burguesia. A Revolução Puritana foi uma luta política travada pelo Parlamento contra o absolutismo real, que perdeu direitos, propriedades e (o texto não cita) culminou com a eliminação da monarquia. A questão deve ser respondida com base no texto e para tal não é necessário considerar os processos posteriores como a ditadura de Cromwell, a Restauração da Monarquia ou a Revolução Gloriosa.

53. A vitória da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos na primeira guerra tinha o caráter de consagração da democracia e de triunfo definitivo do liberalismo sobre as tramas reacionárias do Congresso de Viena. A guerra também agudizou os conflitos entre diversos grupos e segmentos sociais e nacionais; além disso, ela agravou as desigualdades sociais, privilegiando alguns em detrimento de muitos.
(Luis César Rodrigues, A primeira guerra mundial. Adaptado.)
Segundo o autor, a primeira guerra:
(A) politicamente, destruiu as frágeis estruturas dos Estados liberais e fortaleceu os Estados reacionários e, socialmente, garantiu direitos para a imensa maioria.
(B) significou a vitória dos Estados liberais, a destruição das estruturas políticas herdadas do Congresso de Viena e o aprofundamento dos conflitos sociais.
(C) trouxe instabilidade política entre os Estados absolutistas vitoriosos e os Estados liberais derrotados e estabilidade social para as diferentes classes sociais.
(D) garantiu a estabilidade política e econômica na Europa com a vitória das forças reacionárias, porém, gerou crescentes tensões sociais.
(E) preservou as estruturas políticas nascidas a partir do Congresso de Viena, enfraqueceu os Estados liberais e neutralizou os conflitos sociais.
RESPOSTA: B
Comentário: Interpretação de texto. O texto adaptado é genérico e superficial, pois trata de “liberalismo” e de “desigualdades sociais” são defini-los. É verdade que os países que formavam a Tríplice Aliança são vistos tradicionalmente como conservadores, que apesar de governos diferentes desde o Congresso de Viena, nunca se inseriram dentro da visão liberal que se desenvolveu na Europa ao longo do século XIX.

54. Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948) iria acabar conseguindo mobilizar as aldeias e bazares da Índia, às dezenas de milhões, em grande parte com o mesmo apelo ao nacionalismo da espiritualidade hindu, embora tendo o cuidado de não romper a frente comum com os modernizadores (dos quais num sentido real, ele fazia parte) e de evitar o antagonismo à Índia maometana, sempre implícito na visão militantemente hindu do nacionalismo.
(Eric Hobsbawm, Era dos Extremos. )
Acerca do processo de independência da Índia britânica, é correto afirmar que:
(A) as relações entre hindus e maometanos permaneceram harmoniosas no subcontinente.
(B) o fundamentalismo hindu tornou-se hegemônico na Índia, eliminando a liberdade religiosa.
(C) houve uma divisão entre as forças que Gandhi tentou manter unidas na luta de libertação.
(D) os valores tradicionais foram abandonados em nome da ocidentalização e da aproximação dos EUA.
(E) Gandhi tornou-se um herói nacional e assumiu a direção política e religiosa do subcontinente.
RESPOSTA: C
Comentário: Apesar de ser reconhecido como principal líder da independência da Índia, a região esteve dividida quanto às formas de luta e de organização política a ser adotada, destacando-se os interesses da elite hindu, representada por Gandhi – do Partido do Congresso – e por Mohammed Ali Jinnah, líder muçulmano. A divisão da região foi acompanhada por fortes conflitos, que ainda hoje têm desdobramentos na região da Caxemira.


55. Observe a tabela.
PROPRIETÁRIOS E ÍNDIOS, REGIÃO DE SÃO PAULO, 1600-1729, SEGUNDO OS INVENTÁRIOS DE BENS



FIGURA 3 UNESP - TABELA

Os dados da tabela permitem concluir que
(A) com o início do tráfico negreiro em meados do século XVI, não houve mais práticas de escravidão contra as populações indígenas.
(B) a economia paulista, pautada pela pequena propriedade rural, raramente utilizou-se da mão-de-obra compulsória, fosse dos índios ou dos africanos.
(C) em São Paulo, ao contrário do resto da Colônia, a Igreja
Católica concordava e patrocinava a escravização dos índios.
(D) a efetiva escravização dos índios em São Paulo só ocorreu ao final do século XVIII, com as dificuldades do acesso à mão-de-obra africana.
(E) apesar das restrições legais, a escravização dos índios continuou recorrente em São Paulo e teve o seu auge em meados do século XVII.
RESPOSTA:
Comentário:Questão que exige a interpretação dos dados da tabela e ao mesmo tempo algum conhecimento sobre a história de São Paulo, em particular no que se refere ao bandeirismo e a utilização do trabalho escravo indígena.


56. Ao mesmo tempo que a Coroa lusa mantinha uma política de reformas do absolutismo, surgiram na Colônia várias conspirações contra Portugal e tentativas de independência.
Elas tinham a ver com as novas idéias e os fatos ocorridos na esfera internacional, mas refletiam também a realidade local. Podemos mesmo dizer que foram movimentos de revolta regional e não revoluções nacionais.

(Boris Fausto, História do Brasil. )
Acerca dos movimentos relacionados com a crise do sistema colonial, é correto afirmar que
(A) a Inconfidência Mineira foi a primeira tentativa de rompimento dos laços coloniais com a metrópole portuguesa e, entre os seus projetos, havia o de organizar uma república independente.
(B) a Conjuração Baiana, do fim do século XVIII, representou os interesses dos setores mais conservadores da sociedade baiana, que defendiam a manutenção da escravidão e os privilégios da elite local.
(C) a Revolução de 1817, eclodida em Pernambuco e disseminada por grande parte do nordeste brasileiro, defendia a ordem imperial na figura do rei Dom João VI, desde que houvesse restrições ao tráfico de escravos.
(D) a Conjuração Carioca, do início do século XIX, foi a mais popular das rebeliões inseridas no processo de emancipação política do Brasil, pois defendia o voto universal para todos os brasileiros.
(E) a Revolta dos Malês, de fins do século XVIII, teve como centro de operações a cidade de Salvador e defendia a independência do Brasil e a imediata abolição do tráfico de escravos para o Brasil.
RESPOSTA: A
Comentário: A Inconfidência Mineira foi o primeiro movimento emancipacionista no Brasil, defensor da República, em parte influenciado pelas idéias iluministas e pela independência dos Estados Unidos. Vale destacar que o movimento baiano era abolicionista e que o movimento pernambucano era republicano.

57. Os artigos seguintes foram extraídos do Ato Adicional de 1834, que alterou a Constituição de 1824.
Art. 1.º O direito reconhecido e garantido pelo art. 71 da Constituição será exercido pelas Câmaras dos Distritos e pelas Assembléias que, substituindo os Conselhos Gerais, se estabelecerão em todas as Províncias com o título de Assembléias Legislativas Provinciais.
(...)
Art. 32. Fica suprimido o Conselho de Estado.
(Coleção das Leis do Império do Brasil de 1834.)

A legislação resultou:
(A) da hegemonia política do partido português, que impôs seus interesses aos demais partidos do período regencial.
(B) de negociações entre moderados, exaltados e restauradores, com concessões para cada uma dessas facções políticas.
(C) das práticas autoritárias dos regentes, que pretendiam insistir numa política de caráter centralizador.
(D) da hegemonia dos grupos políticos defensores da escravidão e da diversificação de nossas exportações.
(E) da forte pressão popular exercida pelas rebeliões regenciais, em especial a Praieira, ocorrida em Pernambuco.
RESPOSTA: B
Comentário: As discussões para a mudança da Constituição se iniciaram em 1832 e já havia um acordo político prévio sobre as principais mudanças que seriam realizadas. Os principais grupos políticos não possuíam grandes divergências, excetos os restauradores, nesse período bastante enfraquecidos. Desses grupos políticos nasceram os partidos liberal e conservador, entendidos normalmente como “farinha do mesmo saco”.

58. Os donos da terra e os grandes mercadores aumentaram suas fortunas, enquanto se ampliava a pobreza das massas populares oprimidas (...) A América Latina logo teve suas constituições burguesas, muito envernizadas pelo liberalismo.
(...) As burguesias dessas terras nasceram como simples instrumentos do capitalismo internacional.

(Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. )

A partir do texto, é possível afirmar:
(A) as indústrias da América Latina independente tornaram-se competitivas em relação às britânicas no mercado internacional.
(B) a América Latina independente caracterizou-se pela igualdade, pelas leis autoritárias e pelo desenvolvimento nacional autônomo.
(C) os Estados nacionais independentes criaram leis baseadas
nos princípios democráticos e na autonomia econômica em relação ao capital externo.
(D) na América Latina, a independência preservou a economia colonial dependente do mercado externo e aprofundou as desigualdades sociais.
(E) as burguesias latino-americanas lutaram pela sua autonomia política e econômica em relação ao capital internacional.
RESPOSTA: D
Comentário: o texto e a alternativa correta se referem ao processo de organização socioeconômica da América Latina após a independência política, destacando a dependência em relação aos interesses ingleses (o imperialismo da época) e a formação de uma burguesia vinculada a esses interesses, tanto na agricultura, quanto na incipiente indústria e no setor de serviços, integrados a idéia de “Divisão Internacional do Trabalho”.
Destaque para uma das mais importantes obras sobre a História da América, ainda hoje atual, de Eduardo Galeano, leitura obrigatória para uma boa reflexão acerca de nossa história. (Claudio Recco)

59. Já em 1973-74, alguns setores empresariais manifestavam suas críticas à “demasiada centralização das decisões” e à forte presença do Estado na economia, defendendo em seu discurso a “livre iniciativa” em oposição ao que chamavam de “estatização da economia”.
(...)
Para as classes médias urbanas, a crise atingiu seu padrão de vida com a queda dos salários e do poder aquisitivo, além da ameaça do desemprego. Parcelas cada vez maiores passaram a ver o regime com olhos críticos e a manifestar a sua oposição à ditadura.
(...)
Para a classe trabalhadora, a crise significou o aprofundamento do arrocho salarial, do desemprego, da miséria (...)

(Nadine Habert, A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira.)
Considerando os fragmentos, é correto afirmar que o processo de abertura política no Brasil.
(A) garantiu a união nacional, pois toda a sociedade passou a defender a maior presença do poder público na economia.
(B) trouxe benefícios especiais às classes trabalhadoras urbanas, pois a economia voltou a crescer a partir de 1980.
(C) envolveu interesses diversos em função das imensas desigualdades presentes na sociedade brasileira.
(D) sempre esteve nas mãos dos grupos de esquerda, gerando um processo rápido e com punições aos agentes da ditadura.
(E) contou com a oposição da classe operária, que se beneficiou com uma série de políticas afirmativas do governo militar.
RESPOSTA: C
Comentário: A questão trabalha com três fragmentos que deixam claro o descontentamento de setores sociais diferentes, por razões diferentes, com a política econômica do período. Apesar de simples e de exigir interpretação, a questão tem o mérito de destacar os diversos interesses e muitas vezes suas contradições acerca de um momento da história, quebrando a visão maniqueísta e determinista predominante no ensino.

60. Henry Kissinger, o homem-chave da diplomacia americana, escreveu: “A diplomacia contemporânea se desenvolve em circunstâncias sem precedentes. Raras vezes existiu base menor de entendimento entre as grandes potências, mas tampouco jamais foi tão coibido o uso da força.” Guerra Fria foi a expressão cunhada para definir o paradoxo contido nessas relações entre os Estados Unidos e a União Soviética.
(Demétrio Magnoli, Da guerra fria à détente. Adaptado.)
Segundo o texto, Guerra Fria significa
(A) a importância da diplomacia no sentido de evitar a “guerra quente” entre as duas superpotências e os países periféricos.
(B) uma situação de paz, pois a ação diplomática caminha no sentido das grandes potências compartilharem sua tecnologia militar.
(C) a eqüitativa distribuição internacional do poder, que suprime o uso da força bélica para garantir as negociações desejadas pelas grandes potências.
(D) o jogo de relações que polariza a situação internacional entre os Estados Unidos e a União Soviética e não leva à guerra, mas não garante a paz.
(E) o equilíbrio do terror, pois, se não há guerra, as superpotências aliam-se para conter o desenvolvimento científico.
RESPOSTA: D
Comentário: A análise da frase poderia ser mais exigente. A maioria das alternativas trouxe incorreções absurdas, facilitando a identificação da resposta, apoiada ainda na definição mais tradicional de Guerra Fria, que independe do texto.

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