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Filmes

O Destino

Janaina Pinto
Sammy Formighieri


FICHA TÉCNICA:

Direção: Youssef Chahine
Roteiro: Youssef Chahine
Fotografia: Mohsen Nasr
Montagem: Rachida Abdel Salam
Música: Kamal El Tawil, Yehia El Mougy
Elenco: Laila Eloui, Mahmoud Hemeida, Safia El Emary,
Khaled El Nabaoui
Produtor: Humbert Balsan e Gabriel Khoury
Título Original: Al Massir

RESENHA

O Destino, título original Al Massir, um filme franco-egípcio, roteirizado e dirigido pelo cineasta egípcio Youssef Chahine e lançado em 1997. Um filme histórico ambientado na Córdoba do século XII, que conta uma parte da vida de Alu’l Walid Mohammed Ibn Ahmed Mohammed Hafld Ibn Rusd, no Ocidente, conhecido como Averróis, filósofo, médico e juiz de Córdoba; possuía um grupo de aprendizes aos quais transmitia seus conhecimentos, além de ser um grande escritor. Especificamente o filme retrata o período que Averróis torna-se uma ameaça ao Califa Al Mansur, que busca apoio de um grupo de fundamentalistas, acaba influenciado, e ordena a queima de todas as obras de Averróis; contudo alguns seguidores, amigos e familiares do filósofo decidem fazer cópias de seus livros e levá-los para além das fronteiras da Península Ibérica. O Destino não é apenas um relato sobre a vida de Averróis, em suas entrelinhas podemos perceber, que Chahine, mostra uma Al-Andaluz, e neste caso Córdoba, tolerante com as diversidades, culta, produtora de conhecimentos, inventiva e alegre; mas que com a ação de grupos fundamentalistas torna-se intolerante e perseguidora. Um mal que acompanha os homens, sejam Orientais ou Ocidentais.
Trigésimo terceiro longa-metragem de Youssef Chahine, nascido no Egito fez curso de cinema e arte dramática na Passadena Play House em Los Angeles, começou sua carreira em 1950. Cineasta engajado, não cansa em denunciar a censura e o integrismo que caracterizam seu país. Possui uma trilogia autobiográfica que inicia com Alexandre Pourquoi? em 1978, La Memoire em 1982 e finaliza com Alexandre encore et toujours em 1989. Por ser um homem politizado e reivindicador sofre ameaças e censuras dos integristas, grupo que observa a tradição e os princípios corânicos; os Irmãos Mulçumanos, um “(...) movimento político e religioso, fundado no Egito, vêm difundindo idéias reformistas voltadas para um regresso às origens islâmicas, combatendo o colonialismo e o Ocidente de modo geral” (AZEVEDO, 1999, p. 254), e que desejam a tomada do poder. Chahine sendo um contra-ponto à estes grupos tem problemas com a censura, em 1973 Le Moineau e em 1994 O Emigrado foram proibidos. Muitos críticos vêem O Destino como uma resposta do diretor à censura imposta ao filme O Emigrado; então analisando sob a perspectiva da censura, perseguição e seitas ou grupos fundamentalistas podemos perceber que O Destino, não deixa de possuir uma conotação autobiográfica, ou seja, Averróis e Chahine são homens produtores de conhecimento, resguardando o período e a forma de propagação, são homens reivindicadores e politizados, que possuem problemas com grupos fundamentalistas e sofrem perseguições e censuras.
O nível de fidedignidade histórica da produção é muito boa. As descrições como: efervescência comercial, uma sociedade inventiva, avançada na medicina, filosofia e no direito, tolerante com as diversidades culturais e religiosas, ameaçada pelos avanços cristãos ao norte de Al-Andaluz, uma comunidade marcada por grupos fundamentalistas e visitada por cristãos que buscam conhecimentos árabes; são descrições confirmadas pela historiografia.
A imagem apresentada do protagonista, também está muito próxima das evidenciadas pela História e a Filosofia, além das atividades descritas anteriormente, Averróis estudou teologia, matemática, astronomia e medicina, publicando muitos escritos sobre algumas destas áreas. Sua tarefa filosófica centrou-se em comentar Aristóteles, além de reunir em suas obras quase tudo o que os árabes tinham conservado da ciência grega. “Sus estúdios tuvieron complejidad y amplitud enciclopédica” (VIDAL, 1992, p. 166); que propagaram-se pelo Oriente, no Século das Luzes e a Idade Moderna. O que não fica muito claro em O Destino, é quem são estes grupos fundamentalistas e porque a censura imposta sobre Averróis; respondendo ao primeiro questionamento podemos cogitar que este grupo é pertencente aos Almoádas, que penetraram na Al-Andaluz, pela primeira vez em 1146 “rigoristas, intolerantes e partidários da guerra santa inclusive contra seus correligionários” (RUCQUOI, 1995, p. 169), Almoádas que tornam a entrar na Península Ibérica em 1186, época contemporânea a de Averróis. Em segundo lugar a censura e perseguição impostas ao jurista cordobês, são encontradas em seu pensamento filosófico, suas concepções aristotélicas conduzem a um profundo contraste frente as idéias islâmicas sobre Deus e os homens. O aristotelismo averroísta encontrará oposição também no Ocidente cristão, principalmente por Santo Tomás de Aquino.
O filme é recomendado para o uso em sala de aula, primeiro por sua capacidade em reconstruir o passado, em quase sua totalidade percebemos a preocupação do diretor em ser fiel aos costumes, avanços e relações do período em questão; em segundo lugar excelente filme no plano ideológico, demonstrando os perigos do fundamentalismo e das ideologias preconceituosas; cabendo uma comparação com a existência de grupos extremistas em nossa época, sejam eles Ocidentais ou Orientais.

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