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Arte na aula

Artes visuais podem ajudar no ensino das mais diversas disciplinas

Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo
Do Sinpro SP

A arte pode ser entendida como uma forma de expressão humana que, simultaneamente, dá vazão à criatividade e possibilita a compreensão do mundo. Trata-se de uma narrativa que nos coloca em contato com diferentes estilos, manifestações estéticas e com as mais variadas formas de organização das sociedades, ao longo dos tempos. Contudo, mesmo com esse grande potencial de interferência e capacidade de suscitar reflexões e de estimular percepções da vida, não raro é tratada nas escolas apenas como recurso secundário de uma ou outra disciplina, aproveitada em mecânicas colagens ou em intermináveis e sisudas projeções de slides com reproduções de quadros famosos. Um livro lançado recentemente pretende reverter essa tendência, mostrando que a arte pode ser matéria-prima valiosa para alavancar instigantes discussões e estudos em várias disciplinas e em todos os níveis da educação, da pré-escola ao ensino médio.
Como usar as artes visuais em sala de aula, escrito por Kátia Helena Pereira e lançado pela editora Contexto, é uma obra que sugere roteiros para trabalhar com as artes visuais (pinturas, mosaicos, esculturas, máscaras etc.) e assim desenvolver conteúdos em todas as matérias. As propostas são de atividades práticas, exercícios mesmo, mas sempre amparadas por conceitos e teorias. “Para criar esses roteiros, eu me baseei nos meu mais de vinte anos de magistério na área de artes”, conta Kátia, que é formada em Artes Plásticas e Pedagogia e tem mestrado e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo. Ou seja, são possibilidades testadas e experimentadas na sala de aula.
Espaço para o imprevisível
No livro, à medida que vai sugerindo propostas de trabalho com as artes em sala de aula, a autora passa a explicar para quais disciplinas e níveis essas atividades se encaixam e podem ser úteis. No entanto, a também professora do colégio Arquidiocesano, lembra que não são indicados modelos prontos, inflexíveis. Segundo ela, o momento da aula é sempre rico, sujeito aos mais variados acontecimentos e desvios. As reações dos alunos não seguem padrões pré-estabelecidos, e é impossível medir e garantir respostas que os estudantes trarão. Por isso Kátia idealizou uma coleção de roteiros de exercícios que servem como um guia, mas não engessam o processo. Ou seja, oferece um mapa que aponta para um lado ou para o outro, dependendo do resultado apresentado pelos estudantes. “Tem sempre espaço para o imprevisível, que é o que há de mais valoroso nos processos. Trabalhar com arte sempre traz o inusitado, então não dá para o roteiro ser uma camisa de força”, explica a professora.
Inusitado por que a arte remete ao lúdico? “Sim e não”, responde. A arte pode ser divertida, segundo a autora, e normalmente as pessoas a encaram desse jeito. “Mas a arte também pode incomodar, aliás, a boa arte é aquela que faz pensar, que faz refletir”, reforça. Então isso que ela chama de inesperado pode tanto surgir em forma de brincadeira, de um jogo que é estimulado pela arte visual, como também pode aparecer num mal-estar diante de uma situação qualquer. Trocando em miúdos: Kátia explica que, enquanto os quadros do pintor holandês Piet Mondrian remetem a formas coloridas e vivas que podem fazer muito sucesso em aulas de geometria, Criança Morta, pintura do brasileiro Cândido Portinari, pode causar desconforto quando bem usado numa aula de geografia que fale da seca, por exemplo.
De qualquer maneira, se bem empregadas, as variações das artes visuais podem incentivar a reflexão, o pensar sobre o mundo, estratégias fundamentais para erguer o primeiro degrau em direção às mudanças. Para Kátia, ter intimidade com as artes ajuda a perceber e a compreender melhor o significado do que acontece no mundo e, a partir disso, a ter ferramentas para transformar esse cenário. “O mundo em que vivemos é extremamente visual, o Brasil particularmente é um país riquíssimo em estímulos visuais”, lembra. Faz sentido. Somos fãs da publicidade, que se baseia fortemente em imagens. Produzimos telenovelas admiradas no mundo inteiro. O brasileiro vive cercado de placas e cartazes, códigos visuais cheios de significados. Segundo a professora, quando se aprende a ler uma expressão artística visual, qualquer que seja ela (um quadro ou uma foto, por exemplo), aprende-se também a identificar e a atribuir sentido a essas imagens. “A arte pode ajudar o sujeito a ler o mundo, a interpretar o mundo e a intervir para reinventar esse mundo”, propõe.
Arte-educação
Ao sugerir esse instigante desfio, ela não está sozinha. Em São Paulo está sediado o Instituto Arte na Escola, entidade que reúne professores de artes plásticas e pensadores da chamada arte-educação em uma rede de troca de informações sobre a área, além de fornecer métodos e materiais para trabalhar a arte nas escolas. Fazendo coro com Kátia, os coordenadores do instituto acreditam que “a arte, enquanto objeto do saber, desenvolve no aluno habilidade perceptiva, capacidade reflexiva e formação de consciência crítica”, conforme destacam no site da instituição.
“A gente vê muitos alunos chegarem ao ensino médio sem saber pensar. Sem saber estabelecer relações. As artes visuais, se estiverem presentes desde o começo da vida escolar, podem ajudar a estabelecer essas conexões”, completa Kátia. Para ela, se a arte for uma presença transversal, marcante nas mais diferentes disciplinas, os alunos passarão a construir pontes entre a matemática e a arte, a história e a arte, combinações que possibilitariam sair do compasso binário para o qual são treinados desde sempre. Dessa forma, “os estudantes deixam de ser meros repetidores e, com inventividade, assumem a condição de seres pensantes, que estabelecem relações, propõem soluções e têm idéias”, conclui a autora.

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