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Os Que Voltaram

Lançado no final de abril de 2007 em Belo Horizonte, o livro Os Que Voltaram, de Alcione Meira Amos, conta a história dos Agudás – forma pela qual os afro-brasileiros são chamados no Benim e na Nigéria –, dos Tabom – como são chamados em Gana – e dos afro-brasileiros do Togo – alguns dos quais são chamados Nagô.



Embora os ex-escravos brasileiros retornados tivessem origens étnicas diversas, ao chegar à África Ocidental eles se organizaram a partir da experiência comum que haviam tido no Brasil, a escravidão. Assim sendo, se no Brasil tinham dado ênfase a sua cultura africana, na África viriam a enfatizar a cultura brasileira adquirida durante o cativeiro. De um modo e do outro, tentavam encontrar um papel diferenciado nas novas culturas nas quais haviam sido inseridos.



Foram bem sucedidos nesta empreitada. De volta a África, mesmo sendo chamados derrogatoriamente de Amaros na Nigéria (ou seja, aqueles que vieram de fora) e até comparados a judeus errantes e filhos pródigos no Benim, eles prevaleceram e se tornaram parte integral das sociedades que haviam escolhido como suas novas pátrias.



Eles tinham muitos fatores positivos a seu favor. A maioria dos afro-brasileiros retornados tinha voltado para a África por conta própria, o que indicava um alto grau de dinamismo e autoconfiança. É verdade que alguns tinham sido deportados, principalmente depois da Revolta dos Malês, em 1835, mas até mesmo este fato iria incentivá-los a trabalhar mais e a serem mais dinâmicos, pois sabiam que não poderiam voltar facilmente para o Brasil. Estes aspectos da sua experiência faziam com que os retornados afro-brasileiros fossem extremamente pragmáticos, a ponto de se dedicarem sem escrúpulos ao tráfico de escravos, do qual muitos deles tinham sido vítimas, pois este, pelo menos até meados do século XIX, era um dos meios de rapidamente se firmarem economicamente.



Este pragmatismo também era aparente na sua religiosidade, que poderia ter sido um entrave à adaptação ao novo ambiente. Se o catolicismo os marcava como europeizados e culturalmente superiores à população local, dando-lhes até o direito de se auto-identificar como “brancos” eles, por outro lado, continuavam praticando as religiões nativas que haviam trazido da África para o Brasil e com as quais haviam voltado para a África. Sem dúvida, isto facilitava de algum modo o seu relacionamento com as populações locais.



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