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JOGOS PAN-AMERICANOS 2007, PRESTÍGIO E DESAFIO PARA O RIO DE JANEIRO

Por CRISTIANO CATARIN

Famosa e sempre reverenciada pelos próprios moradores e, sobretudo, por turistas de várias partes do mundo, a “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro foi escolhida para ser sede dos Jogos Pan-Americanos deste ano de 2007. Possuidora de uma beleza inegável, mas também de um triste histórico de violência, a cidade terá pela frente o grande desafio de oferecer segurança e estrutura satisfatórias para os participantes e visitantes que estarão presentes nos Jogos. A Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com o governo federal, traçaram estratégias especiais para realização do evento.


UMA BREVE HISTÓRIA DOS JOGOS PAN-AMERICANOS

A elaboração de uma competição esportiva capaz de reunir todos os países das Américas era um desejo antigo de alguns membros do COI (Comitê Olímpico Internacional). Uma proposta para criação dos Jogos Pan-Americanos foi mencionada em 1932, durante a realização dos jogos olímpicos, em Los Angeles, EUA. As idéias foram amadurecendo e em 1940 ocorreu o I Congresso Esportivo Pan-americano, em Buenos Aires, com definição da data de realização dos primeiros Jogos, a princípio para 1942. Porém, devido a II Guerra Mundial esta data foi adiada.

Finalmente, em 1951 ocorreu à primeira edição dos Jogos Pan-Americanos em Buenos Aires, Argentina. Vejamos a seguir, as cidades que já foram sedes dos Jogos Pan-Americanos:


1951 - Buenos Aires (Argentina)
1955 - Cidade do México (México)
1959 - Chicago (Estados Unidos)
1963 - São Paulo (Brasil)
1967 - Winnipeg (Canadá)
1971 - Cáli (Colômbia)
1975 - Cidade do México (México)
1979 - San Juan (Porto Rico)
1983 - Caracas (Venezuela)
1987 - Indianápolis (Estados Unidos)
1991 - Havana (Cuba)
1995 - Mar del Plata (Argentina)
1999 - Winnipeg (Canadá)
2003 - Santo Domingo (República Dominicana)


Neste ano de 2007 o Brasil terá, pela segunda vez, o privilégio de sediar os Jogos Pan-Americanos, que acontecerão no Rio de Janeiro. O anúncio oficial que revelou o Rio como cidade sede do evento ocorreu em 24 de agosto de 2002 na Cidade do México.

De lá para cá, os organizadores estão trabalhando em diferentes frentes operacionais para que tudo ocorra da melhor maneira possível. Algumas provas acontecerão em locais completamente novos, construídos especialmente para os Jogos.


NOVOS DESAFIOS E VELHOS PROBLEMAS

Diante das limitações da cidade e, sobretudo, do real incentivo ao esporte costumeiramente oferecido pelo governo federal, os organizadores do evento correm contra o tempo e contra as adversidades no intuito de oferecer uma estrutura mínima adequada aos participantes dos Jogos Pan-americanos. Em 2002 o adversário mais forte enfrentado pelo Rio de Janeiro foi San Antonio, uma cidade americana do estado do Texas. Agora em 2007, faltando poucos dias para abertura dos Jogos, o maior desafio do território carioca são problemas como: a falta de estrutura administrativa e política, falta de “harmonia social” e mais uma vez, o grande medo da violência (diariamente exposta nos principais noticiários do país e do mundo). Estes elementos negativos atropelam o necessário bom andamento dos preparativos dos Jogos Pan-Americanos.


Na última sexta-feira, dia 02 de março, a imprensa divulgou nota sobre uma “pequena” greve dos trabalhadores responsáveis por uma das principais obras do Pan, trata-se do “Engenhão” (Estádio João Havelange), local que irá abrigar as competições de atletismo e futebol. A paralisação de 60% dos trabalhadores, segundo eles, é devido a más condições de trabalho. Muitos operários reclamam à demora na entrega de alimentação, reclamam da falta de água gelada e também da qualidade dos produtos. Já pensou, trabalhar numa temperatura média de 38 graus tomando água quente? A obra do “Engenhão” está prevista para ficar pronta no próximo mês de maio.


Outra notícia desagradável envolvendo a realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio fica por conta da possibilidade de alguns atletas internacionais desistirem de participar da competição devido à violência presente na região. O governo federal, em parceria com a Prefeitura carioca, estabeleceu uma nova “categoria” da segurança pública, uma espécie de guarda nacional com intuito de tentar conter a violência na cidade. Acredito que tal medida está apoiada principalmente na incumbência de garantir uma sensação de segurança dos competidores e turistas que aqui estarão antes e durante a realização dos Jogos Pan-Americanos. Talvez esta guarda nacional seja uma ação de fachada, pois para combater e prevenir efetivamente a violência nos morros cariocas, e também noutros locais de maior periculosidade do Rio, seria necessário um treinamento intenso, de longa duração. Não se faz segurança de qualidade e inteligente de maneira intensiva e intuitiva.

Na verdade, o Rio de Janeiro, como qualquer outra região brasileira, merece sim um sistema de policiamento de qualidade e eficaz, capaz de prevenir e combater a violência que faz parte do cotidiano do povo deste país.

Infelizmente os últimos acontecimentos não ajudam a melhorar a imagem da segurança pública carioca. Em fevereiro passado, João Hélio Fernandes Vieites, um garoto de apenas 06 anos de idade foi vítima de um crime brutal cometido por bandidos no Rio de Janeiro. O judiciário brasileiro sempre é pressionado quando ocorrem crimes de grande alcance e apelo popular. Mais uma vez a discussão da redução da maioridade para o sistema prisional foi e está sendo discutida. Este ato de selvageria ganhou repercussão internacional, este cenário de brutalidade e impunidade teria influenciado, de certa forma, alguns participantes dos Jogos Pan-Americanos de 2007.


NOS LIMITES DA AMBICÃO

Por outro lado, não se pode negar que o Rio de Janeiro e o próprio país terão benefícios (de dimensão econômica, social e cultural) ao sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007. Mas servirá também como um alerta para um novo e ambicioso projeto brasileiro para 2014, o de sediar a Copa do Mundo de Futebol.


E-mail: cristiano@historianet.com.br
Blog: www.historiaecia.zip.net
março de 2007

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