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Moacir - Arte Bruta

Moacir - Arte bruta - dia 23 de junho nos cinemas

Isolado num recanto do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, um homem desenha. Desenha incessantemente. Cobras/lãs que mudam de forma e trocam de cor, capetins com chifres, cabeças de bichos, mulheres, genitálias como peixes, facas... universos interiores de um mundo onírico e diabólico que ganham expressões simples.

Moacir - Arte bruta, de Walter Carvalho, co-diretor de Cazuza, o tempo não pára (2004, com Sandra Werneck) e Janela da Alma (2001, com João Jardim), que estréia dia 23 de junho, no circuito Unibanco Arteplex do Rio e São Paulo, com distribuição da Riofilme (Distribuidora de Filmes da Prefeitura do Rio), dialoga com este "enxergar diferente". Registra o artista em casa, desenhando sem parar, por sete dias, e escala os próprios familiares e vizinhos, que o conhecem desde pequeno, para traçarem um painel da sua vida e obra.

"A compreensão dele, eu não tenho. E a compreensão que eu tenho, ele não tem", esclarece com simplicidade Domingos Soares de Farias, pai de Moacir, e um dos principais contrapontos do objeto do filme. Como Moacir, a maioria dos entrevistados fala num dialeto próprio, com palavras e expressões de um Brasil esquecido, não oficial, porém forte e representativo.

A solução encontrada por Walter coloca Moacir e seus pares quase em situações equivalentes. Onde não interessa muito identificar onde está ou não a normalidade. Onde começa ou termina a realidade em que ele se insere. De sua mãe chegam as declarações mais desconsertantes, ditas num português digno dos personagens de Guimarães Rosa.

As únicas interferências externas são a visita do artista plástico goiano Siron Franco, que divide o papel com Moacir num desenho _ confronto entre o primitivismo inconsciente e o moderno abstrato _ e o aparelho de TV, que exibe um leilão de arte, com quadros primários de paisagens e altas cifras.

Descoberto, há 15 anos, por um feliz acaso do cineasta, em uma de suas viagens pelo interior do Brasil, Moacir é negro, vive com a família do cultivo de uma lavoura de subsistência, tem 42 anos, e problemas de audição, fala e formação óssea. O quase quasímodo, no entanto, se expressa desde os 7 anos, com desenhos.

De seu "mistério interior", como define seu pai, surgem "visões" carregadas de sensualidade e erotismo, que impressionam pela beleza. Seres humanos, fauna, flora, figuras satânicas e místicas de santos, beatos e capetas, símbolos de um mundo particular e indivisível, que fascinam brasileiros e estrangeiros que por ali passam.

Seu gesto inconsciente difere de outros casos de expressão esquizofrênica registrados. Ao contrário dos artistas do Museu das Imagens do Inconsciente, Rafael, Emigdio e Fernando Diniz, Moacir nunca foi interno de hospital psiquiátrico, nem detento de manicômio judiciário, como o célebre e maravilhoso Bispo do Rosário. E, como quer o filme, pode ser caracterizado como art brut.

"Jean Dubuffet já na década de 50 classificava como Outsider Art todo artista que se manifestava refletindo seu universo interior, chamando isso de art brut", diz Walter Carvalho.

O filme é dedicado a Leon Hirszman, que, em 1987, fez Imagens do Inconsciente, com três artistas do Museu das Imagens do Inconsciente, dirigido na época pela doutora Nise da Silveira.

A trilha sonora de Léo Gandelman segue o descompasso de Moacir, com cello de Jacques Morelembaum e canção tema de Antonio Nóbrega. E a direção de fotografia que amplia o olhar diferenciado de Moacir e utiliza recursos extras, como filmar por debaixo de um vidro onde o artista desenha, é de Lula Carvalho, filho de Walter.

Moacir - Arte bruta expõe a diferença de um universo mítico, parte incrustada de um Brasil praticamente desconhecido.

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