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Castro da Cárcoda

Por Pedro Silva
de Portugal

De localização bem facilitada, com estradas perfeitamente identificadas e preparadas para o viajante, este castro localiza-se no Outeiro da Cárcoda, na Estrada Municipal entre Carvalhais e Roçada. A Câmara Municipal de São Pedro do Sul efectuou aqui um trabalho meritório e transformou todo este espaço numa viagem pela história dos nossos antepassados.
Logo à entrada, após uma subida ligeira de alguns metros, depara-se-nos um espectáculo visual impressionante, com um enquadramento das casas de pedra numa encosta polvilhada de verde e cinza (das rochas). Houve o cuidado de reconstruir uma das pequenas habitações, de forma cuidada, dando ao visitante a possibilidade de contactar com um mundo há muito desaparecido.
Em uma delas, a meio da encosta, temos a oportunidade de observar, então, a escassa altura do interior da habitação, o tecto formado de um material similar a palha apoiado nas traves de madeira. De formato circular, como a grande maioria de todas as outras habitações que se estendem pela colina (todas em estado bruto, ou seja, sem reconstrução), tem uma minúscula porta de entrada e, a toda a volta, como era comum, o típico banco, onde os habitantes se sentavam a descansar, ou a discutir assuntos do dia-a-dia.
Como se pode observar em tantos outros exemplares da cultura castreja, temos a colocação estratégica das habitações perto umas das outras, num aproveitamento do espaço disponível para a melhor posição defensiva. Existem igualmente habitações de aspecto rectangular e, a toda a volta do perímetro, uma muralha defensiva. Num dos pontos mais íngremes, lateralizando a zona habitacional propriamente dita, encontramos aquilo que apenas podemos considerar como um santuário proto-histórico, notando-se claramente as escavações efectuadas na rocha, não só em termos de subida ao ponto mais alto, como rasgadas no chão de pedra aberturas cuidadosamente talhadas, dando razão a todos aqueles que falam na adoração das chamadas divindades ctónicas - ou seja, que provêm dos interiores da natureza.
Curiosamente, é nas zonas montanhosas das Beiras, e também em regiões como Minho e Trás-os-Montes que a adoração às divindades das profundezas parece revelar-se mais amiúde, visto que em locais como o Alentejo (famoso pelas suas planícies a perder de vista), adorava-se, com mais frequência, divindades relacionadas com o interior dos bosques e afins.
Neste local de cariz religioso (obviamente, que estamos a falar de uma consciência pré-religiosa, tendo em conta aquilo que hoje em dúvida consideramos como a fé e a religião), encontramos também uma espécie de tina - que seria tumular? - e uma zona propícia aos muito apreciados sacrifícios de animais aos deuses - ou quiçá a um só deus (discute-se muito, entre os arqueólogos e demais investigadores, da existência, na proto-história, de um misto de divindades em elevada quantidade ou apenas de denominações diferentes para as divindades indígenas mais conhecidas - Nabia, Cosus, Reva, Trebaruna e Banda).
Este parece-nos ser um local muitíssimo interessante (ressalve-se o cuidado com que escolho o adjectivo) para ser visitado. Parece-me, igualmente, bastante raro haver a conjugação de dois factores - interesse na promoção dos monumentos pré e proto-históricos e algo para mostrar em bom estado de conservação -, o que engrandece, ainda mais, o panorama visual que nos é oferecido. Está aberto a todos, sem cobrança de entrada (pormenor igualmente raro…), bem localizado, bem identificado, estrada arranjada para o automóvel nos guiar, enfim, todo um conjunto de razões que justificam que este Castro seja, efectivamente, um bom local para todo e qualquer viajante, e não apenas para os estudiosos.

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