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Livros didáticos distorcem o islamismo

Matéria publicada pela Folha de S Paulo, de autoria de Luísa Brito, destaca os erros encontrados em diversos livros didáticos de história sobre o islamismo.
A jornalista destaca em sua matéria duas fontes diferentes, a Escola Islâmica Brasileira, localizada na zona leste de São Paulo e uma dissertação de mestrado na USP, da professora Ana Gomes, que analisou 53 livros didáticos, em seus capítulos dedicados ao islamismo, todos com erros. A reportagem não cita os nomes dos livros, porém cada professor ou estudante pode conferir seu livro a partir do principal exemplo citado: “Um dos erros mais comuns, por exemplo, é dizer que jihad significa guerra santa. A tradução de jihad é esforço”. Segundo a pesquisa, os erros levam a uma imagem negativa dos muçulmanos.
Pensar o Islamismo nos livros didáticos significa em um primeiro momento, mais uma vez, um olhar eurocêntrico. A maioria dos livros didáticos procura compreender o surgimento e a expansão do Islamismo a partir do século VII, tomando como base valores atuais e ocidentais e dedicam pequeno espaço para esse momento histórico e seus desdobramentos imediatos. A idéia de que “o islamismo não é uma religião original, pois foi influenciada pelo judaísmo e cristianismo” é muito comum, e demonstra desprezo pela nova doutrina. Ao mesmo tempo os livros omitem que Maomé considera que Moisés e Jesus foram profetas, fato que dá aos muçulmanos um caráter mais universal e tolerante.Outro erro recorrente é considerar que os muçulmanos defendem a guerra para impor sua religião a outros povos e garantir o reino do céu. A expansão islâmica – na idade média – foi caracterizada pela tolerância religiosa em relação aos povos vencidos e suas guerras estão relacionadas a uma série de motivações, de ordem socioeconômica, política e cultural e não necessariamente por interesse de expandir a fé.
A professora Ana Gomes declarou a Folha que "Os livros estudados reproduziram apenas os significados errados que corriqueiramente são imputados a algumas palavras árabes e que os problemas acontecem por desconhecimento, despreparo e desleixo de alguns profissionais”.
Ainda segundo a mesma matéria, “Para o professor Suhail Majzoub, que ensina cultura geral, o erro, muitas vezes, é intencional e, em outros casos, acontece por desconhecimento.
"Se você fala em guerra santa, sem dúvida alguma, gera uma imagem negativa em quem está lendo. Isso é ruim, os povos precisam viver em paz".
Em um momento marcado pelo aumento das atenções em direção ao “mundo árabe”, principalmente a partir do ataque do 11 de setembro de 2001 e por um discurso preconceituoso em relação aos povos árabes e aos muçulmanos, os livros didáticos não produziram alterações em seus conteúdo e portanto não cumprem o papel de formar cidadãos conscientes e críticos.

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