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Manipulação da História

LIVRO: A manipulação da História no Ensino e nos meios de comunicação
AUTOR: Marc Ferro
EDITORA: IBRASA

Controlar o passado ajuda a dominar o presente, a legitimar tanto as dominações como as rebeldias. Ora, são os poderosos dominantes Estados, Igrejas, partidos políticos ou interesses privados - que possuem e financiam veículos de comunicação e aparelhos de reprodução, livros escolares e histórias em quadrinhos, filmes e programas de televisão. Cada vez mais entregam a cada um e a todos um passado uniforme. E surge a revolta entre aqueles cuja história é "proibida".
A partir dessa observação, Marc Ferro, diretor de estudos da École dês Hautes Études em Sciences Sociales de Paris, examina a elaboração do discurso histórico através de vários países, várias épocas, vários regimes, insistindo principalmente na História "institucional" que tem a função de glorificar a pátria e legitimar o Estado. Legitimar a dominação. A preocupação de tornar o passado asséptico e de deixar a História sem problemas evidencia-se através do livros didáticos, em primeiro lugar, sobre os quais têm poderes de pressão não só os governos mas os vários segmentos da sociedade sobre os quais os governos se apóiam, além dos interesses comerciais das editoras.
Mas a limpeza do passado também se processa de outras formas: as histórias em quadrinhos, a televisão, o cinema. Quanto a este, Marc Ferro faz uma brilhante análise dos reflexos da ideologia dominante sobre o cinema norte-americano e do tratamento dado pelo cinema polonês à Segunda Guerra Mundial. A manipulação do passado esta bem longe de se limitar aos livros didáticos.
Fruto desta e de outras limitações, surge a contra-história, a história dos dominados, dos que não tem voz - ou então a contra-história dos recém-chegados ao poder. No primeiro caso Marc Ferro cita os chicanos nos Estados Unidos, entre outros; no segundo, a reelaboração da História nos países africanos, onde, como observa o autor, o discurso só muda de sinal: os discursos da história eurocêntrica são os mesmos, em sentido contrário. Elaborar a História a partir de uma só fonte cheira a tirania ou impostura. É próprio da liberdade deixar que várias tradições históricas coexistame até se combatam. Mas a reelaboração da História pode contar com uma alternativa à História Institucional: é a memória coletiva, a memória das sociedades, que precisa ser pesquisada através de suas manifestações: as festas, as tradições populares, como o Autor faz ver no capítulo sobre a Espanha.
"Esta História sobrevive intacta e autônoma, ou melhor, enxertada e continua muito viva apesar de todas as negações da História oficial e erudita. Ela não é veiculada à maneira de uma contra-história, mas se justapõe à História institucional". Estes, e muitos outros aspectos da versão histórica são focalizados neste livro fascinante, fecundo de sugestões, polêmico, brilhante.

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