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Temática

Índios no Acre

Prof. Eduado Carneiro*

INTRODUÇÃO
As "veias abertas" do Acre foram muitas O total de leite de seringa defumado e do caucho retirado, na região acreana, corresponde à mesma quantidade de sangue derramado dos corpos dos índios assassinados durante os primeiros tempos dos seringais. (Prof° Dr. Carlos Alberto)

- O termo "índio" foi uma invenção do europeu. Caracteriza os povos que habitavam a América, ocultando toda a diversidade cultural existentes entre eles.
- A hipótese mais aceita sobre a origem humana no continente americano é a de que houve uma migração da Ásia na idade do gelo, entre os anos 40.000 e 12.000 a.C., pelo estreito de Bering.
- Os primeiros habitantes da Amazônia chegaram por volta de 1.500 a.C. (alguns pesquisadores defendem a hipótese de que a presença indígena na Amazônia remonta os anos de 31.500 a.C.).
- Cerca de 6 milhões de índios habitavam à Amazônia antes da chegada dos Portugueses em 1616.
- No Acre, na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos.
- Em 1989, o número de índios no Acre era em de 5 mil. Em 1996, o número passou para 8.511. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo Estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse tímido aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.
- Os índios nunca abriram mão de suas terras sem colocarem em prática várias formas de resistências, dentre as quais o confronto com o homem branco.
- Causas da diminuição demográfica indígena: a) assassinatos cometidos pelos coletores de "drogas do sertão"; b) assassinatos cometidos pelos seringalistas brasileiros através das "correrias"; c) doenças transmitidas pelos brancos; d) Assassinatos cometidos por caucheiros peruanos e soldados bolivianos; e) Assassinatos cometidos por capangas de fazendeiros a partir dos anos 70.
- Os caucheiros eram nômades, por isso constituíram num dos principais inimigos dos indígenas, já que eram impelidos a desbravação contínua de novos territórios.
- As correrias eram organizadas pelos seringalistas que reuniam até 50 homens armados para atacarem as aldeias, matavam os líderes, escravizavam vários índios e cooptavam as índias para servirem de mulheres no seringal.

TRONCOS LINGÜÍSTICOS
- No Acre, os indígenas estão divididos em dois grandes troncos indígenas: a) Aruaque ou Aruak, que dominavam a bacia do Rio Purus; b) Panos, que dominavam a região do rio Juruá.
- Os Panos eram divididos em Kaxinawás, Yawanawás, Poyanawás, Jaminawas, Nukinis, Araras, Katukinas, Shaneanawa, Nawas, e Kaxararis.
- Os Aruaques eram divididos em Kulinas, Ashaninkas (Kampas) e Manchibery.
OBS: alguns estudiosos já dividem-no em três grupos: pano, aruak e arawá.


SOCIEDADE
- A maior parte dos indígenas habitava nas margens dos rios amazônicos (várzeas) - devido à facilidade para encontrar seu alimento e à fertilidade das praias onde praticavam a agricultura.
- Habitavam em menor quantidade às terras firmes, onde tinham que derrubar a floresta e fazer suas queimadas para o cultivo de roçados.
- Os índios não pensam a terra como mercadoria, mas o lugar onde se vive comunitariamente a cultura, as crenças e as tradições.
- A organização social das tribos baseava-se em famílias extensas, que habitavam povoações isoladas sob a liderança de um ancião.
- Índios arredios ou "brabos" são aqueles que não assimilaram a cultura do branco, ou que nem ao menos tiveram convivência com o homem branco.
- Vinda dos índios para as cidades acreanas: a) Vender produtos florestais; b) Procurar órgãos de proteção ao índio; c) Procurar tratamento de saúde; d) A mendicância (principalmente os jaminawas).
- As malocas são feitas de paxiúba;
- Alguns grupos desenvolveram com perfeição a cerâmica e o artesanato.
- A cura de várias doenças era obtida com remédios naturais;
- A educação é transmitida pelos mais velhos, responsáveis por todo o legado cultural da tribo.
- Os pajés, líderes espirituais das tribos, têm uma função especial na realização de festividades, na contação de histórias e na preservação do legado cultural da tribo.
- As Terras Indígenas somam uma área aproximada de 14% da extensão territorial do Estado, perfazendo um total de 2.167.146 hectares, sendo que das 580 terras indígenas do Brasil, 31 localizam-se no Acre.
- O Estado do Acre é a unidade da federação com maior diversidade biológica e étnica, 3,0% de toda a população indígena vive em território acreano, correspondendo a 14 povos indígenas.



ECONOMIA
- Os índios dedicavam-se à pesca, à caça e a guerra. As índias contribuíam no trabalho agrícola e na fabricação de cerâmicas.
- Os povos indígenas da Amazônia eram todos agricultores. A terra pertencia a todos.
- O trabalho de toda a tribo poderia ser concluído em 3 ou 4 horas.
- Toda a produção era para sustentar toda a aldeia.
- O arco e a flecha foram a principal arma utilizada pelos nativos da região.
- Durante o 1° Ciclo da Borracha, os índios participaram como "mateiros" e guias em busca de novos locais de exploração da borracha.
- Com a primeira grande crise da empresa extrativa a partir de 1912, a mão-de-obra indígena substitui, em grande parte, a de seringueiros nordestinos.
- Aos poucos, foram integrados à economia extrativa, tornando-se dependentes dos bens aviados pelo barracão, embora nunca tenham deixado à pesca e à caça.
- Nos séculos XVI e XVII, era costume o comércio do excedente de produção entre as tribos indígenas. Para o indígena, a seringueira não era uma árvore dotada de valor especial.
- Os índios foram os primeiros a manipular o látex da seringueira. Muitas tribos davam-lhe um sentido cultural, transformando-na em objetos.

ÓRGÃOS INDIGENISTAS
"A ação ineficiente e omissa da FUNAI na Amazônia Ocidental é compreensível no quadro da política desenvolvimentista do Governo Federal que, ao invés de defender os direitos dos povos indígenas, estimulou a penetração capitalista na Amazônia".
(Prof° Dr. Valdir Calixto)

- A FUNAI foi criada em 1967. No Acre ela foi instalada em 1976, com o objetivo de prestar assistência às comunidades indígenas, vítimas das empresas agropecuárias.
- Durante muitos anos a FUNAI limitou-se a delimitar terras indígenas, ao invés de demarcá-las. Além de oferecer uma precária assistência médica aos índios.
- A FUNAI também tinha como preocupação o desenvolvimento de projetos econômicos de base comunitária, principalmente envolvendo atividades agrícolas.
- Atualmente a política da Funai é de que não sejam feitos contatos com os índios isolados, apenas os localizando e delimitando a área na qual vivem para impedir a entrada de brancos.
- Outros órgãos foram criados para subsidiar a luta indígena - Comissão Pró-Índio (CPI/AC), Conselho de Missão entre Índios (COMIN) e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI).
- Em 1982, foi idealizada a criação da UNI - União das Nações Indígenas do Acre - que passou a cobrar da FUNAI e de outros órgãos a demarcação urgente das terras indígenas.
- Em 2000, é criada a Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC) com o objetivo de promover a educação escolar indígena de forma diferenciada.
- Nas eleições municipais de 1996, foram eleitos 5 vereadores dos 14 candidatos indígenas e 1 prefeito. Nas eleições de 2002, foram eleitos 27 vereadores.
Conclusão
- Até 2004, cerca de 65% das terras indígenas ainda não foram demarcadas. A demarcação das terras é o procedimento legal pelo qual a União determina oficialmente os limites de uma área indígena.
- Desde 1996, a Comissão Pró-Índio desenvolve também um projeto para formação de agentes agroflorestais indígenas. Os índios aprendem a zelar mais pelos recursos naturais existentes em suas terras, servindo como verdadeiros fiscais em seu território.
- Em 2000, a Comissão Pró-Índio catalogou a existência de 85 escolas e 137 professores indígenas.
- No governo Jorge Viana, foi criada a secretária dos Povos Indígenas do Acre, nomeando o primeiro indígena à secretário de Estado - Francisco da Silva Pinhatã, (da etnia Ashaninka).

Eduardo de Araújo Carneiro, licenciado em História pela UFAC, concludente do Curso de Economia/UFAC e está se especializando em linguística e literatura da Amazônia. É professor de História do Universo Pré-Vestibular no Acre.

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