HISTORIANET

Notícias

Arqueologia

Católica cria cursos de Arqueologia e Antropologia

(29/09/2005) - A Universidade Católica de Goiás aprovou, neste dia 28, em reunião extraordinária do Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Administração (Cepea), para implantação no primeiro semestre de 2006, mais dois cursos de graduação: Antropologia e Arqueologia.

Reafirmando o pioneirismo da UCG, o de Antropologia é o primeiro do gênero no País e entrará para a história, "realizando um sonho de criar a carreira de antropólogo em nível de graduação", conforme ressalta o diretor do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) da UCG, Jèzus Marco de Ataídes, um dos autores do projeto.

Em Arqueologia é um dos primeiros. Ambos serão ministrados no turno matutino, com três anos e meio de duração, 168 créditos, o primeiro com 2.640 horas e o segundo com 2.520 horas.

Atualmente a formação do antropólogo é uma capacitação em nível de pós-graduação (Mestrado e Doutorado), com apenas 11 programas em todo o País. A crescente demanda pelo saber antropológico fez com que a área da Antropologia na agência estatal de capacitação de pessoal de nível superior (Capes) estabelecesse como uma de suas metas prioritárias a expansão do ensino de Antropologia, particularmente nas regiões que possuem menor oferta da disciplina: Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A criação do curso de Antropologia, a exemplo do Mestrado em Gestão do Patrimônio Cultural, inaugura uma nova fase da Antropologia goiana e da participação do IGPA no ensino de graduação e pós-graduação da Universidade Católica de Goiás.

A criação do curso de Arqueologia na Católica de Goiás, de acordo com o reitor Wolmir Amado, vai ao encontro de uma necessidade crescente na sociedade de assumir as diversas heranças étnico-culturais responsáveis pela formação da nação e em resposta aos imperativos legais (dentre os mais modernos do planeta) que impulsionam, de maneira nunca antes vista, a expansão de um mercado de trabalho específico. Essa proposta apresenta necessariamente um caráter multidisciplinar, pensando numa formação de graduação que forneça uma percepção sistêmica da pesquisa arqueológica, única capaz de preparar o indivíduo para, como futuro pesquisador, levantar e resolver problemas.

Antropologia
A pesquisa "O Campo da Antropologia no Brasil", realizada pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e publicada sob organização de Wilson Trajano Filho e Gustavo Lins Ribeiro em 2004, fornece os indicativos desse crescente interesse pelo saber antropológico: o número de doutores titulados em 2002 foi três vezes maior do que em 1992, enquanto o número de mestres titulados no período praticamente duplicou.

O fato da Antropologia ter, gradualmente, assumido as nossas sociedades do presente como objeto de estudo é uma das razões do aumento dessa procura, diante da proporção do número de grupos de pesquisas vinculados ao CNPq que têm como temática a "Antropologia das formas urbanas", em relação a outras temáticas tradicionais da Antropologia brasileira como Etnologia indígena e Indigenismo - as duas áreas que concentram o número mais expressivo de grupos de pesquisas: hoje existem 34 grupos da primeira modalidade e 21 da segunda.

Uma das particularidades que a Antropologia brasileira sempre guardou em relação à Antropologia dos chamados países industrializados é que ela, inclusive por falta de verbas de financiamento de pesquisa, ao lado dos estudos indigenistas, desenvolveu também o que Roberto Cardoso de Oliveira denominou de "Antropologia da sociedade nacional", focalizada nos segmentos desprivilegiados da sociedade nacional (campesinos, moradores de favela, moradores de rua).

Se de um lado os limites teórico-metodológicos da disciplina fizeram com que muitos desses estudos da sociedade nacional não rompessem com os paradigmas metodológicos tradicionais e reproduzissem o paradigma do exótico "dentro da própria casa", de outro os estudos de culturas urbanas de classe média e alta, de culturas organizacionais de empresas privadas e do estado passaram a se constituir em um corpus teórico que hoje habilita a Antropologia para o estudo das sociedades complexas.

Ao contrário do passado recente, quando a destinação profissional do antropólogo era a própria Universidade e algumas poucas vagas em Museus ou na Fundação Nacional do Índio, atualmente o campo de atuação ampliou-se consideravelmente. Existem hoje antropólogos exercendo o ofício como autônomos, elaborando laudos que exigem um conhecimento maior sobre meio ambiente, legislação indígena e/ou ambiental. Por outro lado, a presença de antropólogos se faz cada vez mais atuante nos quadros de diversos órgãos públicos: Ministérios da Educação, da Saúde (através da Funasa), do Meio Ambiente, da Cultura (através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan), bem como na área técnica do Ministério Público Federal. Inclusive, surgiu uma nova especialização, a Antropologia de Empresas, com a contratação de antropólogos para analisarem a sua cultura organizacional.

Arqueologia
A Arqueologia, voltada para os períodos pré-históricos ou históricos (quando pode contar com documentação escrita), é uma disciplina aberta, que necessita de constante diálogo com outros campos do saber. Seu objeto é o comportamento humano, a história das sociedades extintas, suas morfologias sociais e, principalmente, as transformações do 'humano' numa perspectiva diacrônica, sejam essas transformações biológicas ou culturais.

Deve-se sempre ter em mente que a emergência de características humanas em nossos ancestrais hominídeos pode hoje ser datada em torno de cinco milhões de anos. Os primeiros documentos escritos surgiram há somente três mil anos: praticamente todo o conhecimento da nossa presença no planeta depende do estudo dos restos materiais involuntariamente legados por esses ancestrais e de uma visão 'arqueológica' de nosso extenso passado.

Guardada as devidas proporções, a situação é notável também em se tratando da história humana no território hoje brasileiro. Os dados mais aceitos situam os mais antigos vestígios em torno de 12 mil anos. São testemuhos da presença de caçadores-coletores no Centro-Oeste, no Sul e na Amazônia, do surgimento da agricultura, da formação de grandes aldeias, verdadeiras cidades, na região amazônica, do povoamento do litoral, das expressões simbólicas, manifestas nas pinturas e gravuras rupestres etc. É toda uma história a ser lida em restos de objetos cerâmicos, ferramentas de pedra lascada, restos de fauna e vegetais, entre outros.

Em muitos países, tanto na Europa como na América do Norte, o desenvolvimento da disciplina arqueológica esteve e está na base da construção da idéia de nação, de patrimônio nacional e fornece uma fundamentação sólida para a afirmação dos valores étnicos e dos direitos próprios aos diferentes grupos que formam essas nações.

O arqueólogo profissional deve estar preparado para realizar pesquisa aplicada e básica de qualidade - que contribua para a ampliação quantitativa e qualitativa do conhecimento sobre o nosso passado, conforme determina o próprio Iphan e para administrar projetos de envergadura, produzir relatórios técnicos acessíveis a leigos, dialogar com diferentes profissionais (engenheiros, administradores de empresa e outros)

Pesquisar em
1128 conteúdos

Notícias

MASP

Passagens por Paris - Arte moderna na capital do séc. XIX

Notícias

Universidades latinas atraem poucos estrangeiros

Instituições têm melhorado sua presença em rankings internacionais, mas continua

Roteiros de Aula

Ninguém tira Zero

Província elimina nota zero para proteger autoestima de alunos

Notícias

França e Alemanha lembram 100 anos da Primeira Guerra

Presidentes Hollande e Gauck homenageiam mortos nas batalhas e destacam importân

COPYRIGHT © HISTÓRIANET INTERNETWORKS LTDA

PRODUZIDO POR

SOBRE O HISTORIANET