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As eleições em Taiwan

AS AMEAÇAS DE PEQUIM


Zhu Rongji


"Os taiwaneses se encontram numa encruzilhada histórica muito importante. Não tomem a decisão sobre a via que seguirá Taiwan (em relação a sua independência) impulsivamente, pois vocês correm o risco de não ter a chance de lamentá-la".
Zhu Rongji, premiê da Repíblica Popular da China, em entrevista coletiva em Pequim, dias antes do pleito

As eleições presidenciais ocorridas em 18 de março de 2000 em Taiwan, estavam sendo esperadas com muita preocupação por todo o mundo, mas principalmente pela República Popular da China (a China continental, que na esfera política ainda permanece socialista).
O tom de ameaça, das palavras acima, expressas pelo governo de Pequim, às vésperas da eleição, foram dirigidos ao candidato do Partido Democrático Progressista (DPP), Chen Shui-bian, cujo programa histórico exige a soberania da ilha de Taiwan frente ao governo da China continental. Numa outra entrevista, o premiê chinês Zhu Rongji ainda declarou: "Como poderíamos autorizar Taiwan a se separar da China? Há pessoas que observam o equilíbrio estratégico na região e não acreditam que a China chegaria a usar a força. Mas elas ignoram o fato de que os chineses estão prontos a dar seu sangue para defender a dignidade e a unidade da pátria".


Chen Shui-bian


Apesar dessas declarações, o governo de Pequim sempre mostrava-se aberto a negociar com qualquer interlocutor de Taiwan, "desde que ele abra mão da soberania"."Sobre os EUA ele afirmou: "Num certo país há pessoas que se opõem à China. Eles utilizam Taiwan contra nós. Recentemente o presidente norte-americano declarou que devíamos passar das ameaças ao diálogo no estreito de Taiwan. Ora, sugiro que façamos o mesmo sobre todo o Pacífico!"
Como podemos perceber, as ameaças de Pequim não foram poucas, mas também não foram suficientes para intimidar o povo de Taiwan, que nas últimas eleições presidenciais, elegeu com 39% dos votos, o candidato do Partido Democrático Progressista, Chen Shui-bian. A eleição de Chen, possui um duplo significado, pois além de assinalar a vitória da corrente que mais defende a independência da ilha, representa o término de meio século de monopólio do Partido Nacionalista, o Kuomintang, no poder em Taiwan desde 1949.

TAIWAN

Considerada pela China como sua 23a província, a ilha de Taiwan (Formosa), com capital em Taipé, é sede do governo da China Nacionalista desde 1949.
Cedida ao Japão no final do século XIX, Formosa foi retomada pela China, através de acordos internacionais entre 1943 e 1945. Após serem derrotados pelos comunistas durante a Revolução Chinesa em 1949, os nacionalistas liderados por Chiang Kai-Chek, se refugiaram para Taiwan, onde estabeleceram um regime capitalista, hostil ao recém-instalado governo comunista liderado por Mao Tsé-Tung.
Chiang Kai-Chek permaneceu no poder até sua morte em 1975, quando seu filho, Jiang Jingguo, assumiu o comando da ilha, iniciando uma política mais liberal com a legalização de partidos de oposição e a suspensão da lei marcial.
Contrastando-se com a China, Taiwan possui hoje um governo eleito democraticamente, sendo considerada uma das principais forças econômicas da Ásia. Apesar de atuar como país independente, sofre restrições da ONU, que reconhece o governo de Pequim, como legítimo representante do povo chinês.

AS DIVERGÊNCIAS PERMANECEM

Na atual conjuntura, onde o final do século XX é marcado pela globalização e pelo neoliberalismo, a reunificação da China é defendida tanto pelos nacionalistas de Taipé, como pelos comunistas de Pequim, já que ampliaria as possibilidades de crescimento econômico de ambos e politicamente é vista como um "dever do povo chinês". A diferença entre eles é que cada um se considera o verdadeiro governo da China.
Para maioria dos analistas uma invasão sobre Taiwan seria inviável. A China é considerada uma potência militar com 3 milhões de soldados e arsenal nuclear, que poderia facilmente destruir Taiwan, não possuindo porém, condições de aviação e marinha para levar soldados e garantir a travessia do canal. Economicamente a destruição de Taiwan não seria um bom negócio para Pequim, já que a economia taiwanesa é responsável por investimentos de 40 bilhões de dólares investidos na China, além de mais de 40 mil empresas da ilha que atuam na China continental.


Propaganda eleitoral


No dia 20 de março, Pequim e Taipé anunciaram que aceitariam reiniciar o diálogo sobre o futuro de Taiwan, considerada "Província rebelde" pelo governo chinês. Com três semanas das eleições, a tensão das ameaças chinesas, estão cada vez mais minimizadas pelas próprias declarações mais ponderadas e conciliatórias de ambas as partes. Os obstáculos para essas negociações estão nos rumos a serem seguidos.
Para o governo da China, Taiwan, deveria se enquadrar na fórmula "um país, dois sistemas", aceitando a condição de província da China, porém com autonomia para manutenção de um sistema democrático e capitalista. Já na visão de Taipé, Taiwan negociaria uma aproximação com a China, de início nas esferas econômica e cultural, sendo que a reunificação política, somente seria aceita com a consolidação da democracia na China.

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