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Direto ao ponto

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
28/7/2005

Que se vayan todos!
Aos poucos, estamos chegando à conclusão de que a identidade entre PT e PSDB é bem maior do que se pensava. Não se limita apenas à política macroeconômica, mas envolve também os métodos de financiamento de campanha. Continuidade na economia, continuidade na corrupção.


"Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito?
Cada vez mais essa se tornou para mim a autêntica escala de aferição de valor".

Friedrich Nietzsche, "Ecce Homo"


Junho e julho foram meses muito difíceis. Todos os que se preocupam com o futuro do Brasil ficaram desalentados e até deprimidos. Fomos obrigados a encarar a verdade, sem rodeios e sem fantasias: a degradação e a desmoralização da atividade política no nosso país alcançaram níveis alarmantes, comprometendo gravemente os interesses nacionais. Escrevo regularmente para a imprensa há dez anos. Não me recordo de ter tido, em nenhuma outra época, tanta dificuldade para escrever.
Num primeiro momento, as denúncias e os escândalos tiveram como resultado a eliminação de focos de contestação às políticas do Ministério da Fazenda e do Banco Central. A existência desses focos dentro do governo ainda alimentava a expectativa, provavelmente ilusória, em todo o caso cada vez mais débil, de que o presidente Lula pudesse caminhar aos poucos para políticas macroeconômicas menos acovardadas e mais condizentes com o desenvolvimento da economia.
Pior foi a sensação de que a crise política serviria apenas para destroçar o PT e o governo Lula, deixando intactos partidos como o PSDB e o PFL, que foram os principais veículos da implantação de uma agenda antinacional nos anos 90. Poderia estar se criando um cenário que permitiria a eleição, em 2006, de um Fernando Henrique Cardoso ou equivalente.
Esse cenário parece agora menos provável. A crise é sistêmica. As denúncias e indícios de corrupção estão se espalhando para todos os lados. Todos os principais partidos, PT, PSDB, PFL, PMDB, vêm sendo atingidos. Algum desses partidos, pergunto, resistiria a uma investigação?
Evidentemente, nada disso desculpa falcatruas e irregularidades do PT e do atual governo. E digo mais: não é o tipo de argumentação que possa evitar o impeachment, caso o envolvimento do presidente da República venha a ser comprovado.
Mas, convenhamos, as investigações têm que ser amplas e irrestritas. Um dos pontos altos do ridículo nacional foi a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a conveniência de manter o foco das investigações no atual governo. Confrontado com evidências e indícios de que o seu partido também andou participando de esquemas de corrupção e financiamento irregular de campanhas eleitorais, FHC saiu-se com o seguinte: "A crise é hoje. O que aconteceu no passado, no meu governo, é coisa da História".
Declaração curiosa, que suscita a pergunta: o governo Fernando Henrique Cardoso resistiria a uma investigação?
A pretensão de poupar o passado é descabida. Tanto mais que estão se acumulando informações que apontam para o seguinte: os esquemas do sr. Marcos Valério, em formato muito semelhante ao que foi montado com o PT, têm antecedentes nas relações do publicitário com o PSDB e com o PFL, principalmente com os tucanos mineiros.
Estamos chegando aos poucos à conclusão de que a identidade entre PT e PSDB é bem maior do que se pensava. Não se limita à política macroeconômica, mas envolve também os métodos e modalidades de financiamento de campanha. Continuidade na economia, continuidade na corrupção.
Chega! Vamos nos apropriar do grito de guerra dos argentinos: Que se vayan todos!

Texto reproduzido de Carta Maior, conheça o site.

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