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IRA renuncia às armas

Histórico Exército Republicano Irlandês compromete-se a optar pela via "democrática, política e pacífica" Grupo é responsável por milhares de assassínios, desde o início dos anos 70
Emanuel Carneiro

O IRA - Exército Republicano Irlandês - anunciou formalmente, ontem, o fim da luta armada e a decisão de lutar pelos seus objetivos apenas por meios políticos e pacíficos. Em comunicado, aguardado há já algum tempo, a organização anunciou que seguirá o "caminho democrático", pondo fim a mais de 30 anos de violência. Está, portanto, relançado o processo de paz na Irlanda do Norte.
O documento afirma, inclusive, que a decisão é válida desde as 16 horas de ontem e que todas as unidades da organização foram instruídas no sentido de depor as armas.
Nesse sentido, os voluntários do IRA foram instados a ajudar no desenvolvimento do que a organização chamou programas "puramente políticos e democráticos". Entre os objectivos, contam-se a reunificação da Irlanda e o fim da autoridade britânica na Irlanda do Norte.
Por seu lado, o primeiro ministro britânico, Tony Blair, afirmou que o comunicado do IRA marca o dia em que "a paz finalmente substituiu a guerra e a política tomou o lugar do terror" na Irlanda do Norte.
Blair acrescentou que a declaração do IRA é "de uma importância inédita, diferente de tudo o que foi feito antes". Palavras subscritas por Bertie Ahern, seu homólogo irlandês.

Reticências unionistas

Porém, Ian Paisley, líder do Partido Unionista Democrático, principal força política protestante da Irlanda do Norte, declarou que vai julgar a declaração do IRA nos próximos meses e anos, acrescentando que, na década mais recente, a Irlanda do Norte já presenciou várias "declarações históricas" do grupo.
Aliás, a organização sublinha que não se dissolverá, um dos pedidos apresentados pelos unionistas para negociar com o Sinn Fein, braço político do grupo. A formação de um governo partilhado no Ulster permanece suspensa desde 2002, por um suposto caso de espionagem do IRA em departamentos governamentais.

Iniciativa de Gerry Adams

A decisão de depor as armas foi tomada depois de um debate interno no IRA promovido pelo presidente do Sinn Fein - o braço político da organização -, Gerry Adams, para que o grupo lutasse pelos seus interesses apenas através de iniciativas políticas.
O apelo não era gratuito, já que o IRA é responsabilizado por milhares de mortes, desde a década de 70. Quando fez a proposta à organização, em Abril passado, Adams salientou que se tratava de uma "tentativa genuína de levar o processo de paz por diante". Ontem, o dirigente classificava a decisão como "grande oportunidade para alcançar a justiça". Além de convidar os unionistas à convergência de esforços para a solução pacífica.
O comunicado indica ainda que a direcção do grupo ordenou também aos militantes para não se envolverem "noutro tipo de actividades", numa referência explícita a delitos como contrabando, assaltos ou castigos corporais contra elementos da comunidade nacionalista.
Esta decisão do IRA, que cumpre um cessar-fogo a vigorar desde 1997, deverá conduzir à desactivação do aparelho paramilitar da organização, iniciativa inédita desde a formação do grupo clandestino, há cerca de 35 anos.
Tanto mais que, na declaração de ontem, o IRA aborda a questão da entrega das armas, dos aspectos mais sensíveis do processo de paz. O grupo afirma que quer iniciar o desarmamento tão breve quanto possível.
Inclusivamente, está já estipulado que um representante do IRA vai trabalhar com o órgão internacional que fiscalizará a entrega das armas. Segundo o comunicado, pretende-se convidar, igualmente, observadores independentes entre católicos e protestantes para tomar parte do processo.

Dimensão do arsenal

De qualquer forma, e apesar de, durante anos, o armamento do IRA ter sido objecto de diversos cálculos, só a organização sabe exactamente qual é a verdadeira dimensão do seu arsenal.
As estimativas actuais têm como base o armamento recuperado pelas forças de segurança, bem como os dados fornecidos por informadores e pelos serviços de contra-espionagem.
O grupo teve, a certa altura, um conjunto sobremaneira relevante de armas procedentes do exterior, sobretudo dos Estados Unidos, mercê do apoio financeiro dos imigrantes irlandeses, importantíssimo para a manutenção da luta armada.
Entre os inúmeros contactos do IRA, conta-se, em meados dos anos 80, um acordo com Khadafi, o líder líbio, após o auxílio do Reino Unido aos Estados Unidos nos bombardeamentos de Tripoli.
Durante o processo de paz na Irlanda do Norte, cujo início remonta à assinatura do acordo da sexta-feira Santa de 1998, o IRA levou a cabo três acções de desarmamento, supervisionadas pela Comissão Internacional Independente de Desarmamento.

www.sapo.pt

OBS Há um texto sobre as origens do conflito na Irlanda no livro História em Manchete, editado pelo Historianet

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