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A Boa Alma de Setsuan

A partir de 02 de julho, no Teatro Sérgio Cardoso, 21 atores entram
em cena sob direção de Marcelo Marcus Fonseca

Depois do sucesso de Baal: O Mito da Carne, encenado de 1996 a 1998, nasce a montagem da Cia Teatro do Incêndio para A Boa Alma de Setsuan, também de Bertolt Brecht. Há 13 anos o diretor Marcelo Marcus Fonseca desejava realizar o espetáculo que entra em cartaz no dia 2 de julho, no Teatro Sérgio Cardoso. Com direção musical de Wanderley Martins, cenário de Marcelo Jackow e produção de Neusa Andrade, a peça conta com atuação de Camila Turim, Gustavo Engracia, Claudia Mello e do próprio diretor, num total de 21 atores. A Boa Alma de Setsuan fica em cartaz até 31 de julho, no Teatro Sergio Cardoso, com patrocínio da Alcan.

Esta parábola de Brecht data de 1941 e foi escrita na época em que o dramaturgo vivia no exílio da Alemanha nazista. Brecht afirmava que a bondade era o estado natural do homem. Segundo ele, a crueldade exigia um grande esforço. Entretanto, o preço para se praticar o bem em um mundo como o nosso seria alto demais. Esse é o tema de A Boa Alma de Setsuan.

Sinopse - A história se passa na cidade chinesa de Setsuan, onde três deuses disfarçados chegam buscando abrigo de uma boa alma. Somente a prostituta Shen Te aceita hospedá-los. Em agradecimento, os deuses a presenteiam com dinheiro suficiente para que ela abra uma tabacaria e mude de vida. Imediatamente, o pequeno negócio de Shen Te é invadido por uma família inteira de pedintes e desempregados. Para contornar a situação, a prostituta inventa a figura de um primo (ela mesma), que não é bondoso.

"É uma peça impressionante. Você não passa quatro frases sem falar de dinheiro. A peça inteira fala somente de dinheiro", diz o diretor do grupo, Marcelo Marcus Fonseca. Mas nem tudo é ideologia no caso desta montagem. Fonseca exalta-se em defesa de um "teatro profissional", livre do amadorismo que diz estar contaminando o atual momento da produção brasileira. Para esta encenação, ele toma para si alguns caminhos apontados por Brecht - como pensador de toda uma dramaturgia do século 20 - para escapar aos equívocos que diz encontrar nos palcos brasileiros: da sobreposição do intérprete ao texto até o teatro visto como diversão pelo ator. Ele chama atenção também para a maneira como Brecht estrutura A Boa Alma de Setsuan: "Ele consegue propor dez cenas diferentes que se resolvem em si mesmas, que terminam como começaram. As peripécias que ele propõe são a luta do ser humano para tentar sair do lugar. Mas ele não sai nunca".
O diretor fala do misticismo presente na peça e como isso se torna um desafio para Brecht, um ateu. Os três deuses personificariam um pensamento burguês: tenta-se resolver questões cruciais com uma pequena quantidade de dinheiro. Tal tema surpreende até hoje a crítica. No Brasil, esta foi a primeira peça de Brecht montada profissionalmente, em 1958. Maria Della Costa fez o papel de Chen-Te.
Em mais de duas horas e meia, as pequenas misérias da personagem encontram algum alívio apenas na relação com um aviador (interpretado pelo próprio Fonseca), que, prestes a cometer o suicídio, foi salvo por ela. Para o diretor, nesta cena está um dos momentos mais belos criados por Brecht, a cena em que uma gota de chuva cai na testa dela: "Talvez seja a mais lírica da obra dele: limpa o passado da personagem. É permeada por uma poesia que talvez o didatismo anterior não permitisse". Fonseca identifica na peça um forte apelo sexual - "É uma possibilidade da montagem; monte Brecht e mostre que existe outro caminho também" - tanto no romance entre os dois como no convívio do travestido Chui-Ta com a proprietária do imóvel alugado ou com o guarda da rua.

Revista Bravo


A Boa Alma de Setsuan

Direção: Marcelo Marcus Fonseca, Cia Teatro do Incêndio

Elenco: Camila Turim, Airton Renô, Claudia Mello, Gustavo Engracia, Fabio Coutinho, Marcelo Marcus Fonseca, Felipe Riquelme, Paulo Barroso, Juliana Fagundes, Laura Lucci, Simone Xavier, Paula Micchi, Thiago Reis Vasconcelos, Caiti Hauck, João Urbilio, Alceste Madela, Gabriela Werneck, Mateus Manfedini, Lucas Vasconscelos e Thiago Abdala

Realização: Cia Teatro do Incêndio

Produção: Neusa Andrade, Expressão e Arte

Estréia: 02 de julho, sábado, às 21h

Temporada: de 02 a 31 de julho

Local: Teatro Sergio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - tel: 3288 0136)

Horários: sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 19h.

Estacionamento: ao lado do teatro

Acesso para portadores de deficiência: sim

Ingressos: R$ 20,00 (sexta), R$ 30,00 (sábado) e R$ 25,00 (domingo)

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