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O SINPRO-SP tem veiculado, por meio de seu site, as reflexões de educadores e de especialistas em Educação, com intuito de abrir mais um canal de diálogo e de debate sobre os desafios e dilemas do professor do futuro.
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O professor do futuro
"O professor precisa assumir a responsabilidade do processo de ensino e aprendizagem"

Depoimento de Mônica Kassar, professora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
Por Francisco Bicudo

"Qual é o lugar do professor na prática educativa? Bem, na verdade a pergunta poderia ser qual o papel que o professor deveria ter na prática educativa. Porque nem sempre esse profissional tem o lugar que merece, ou o lugar que deveria ocupar. Vamos lá. Em primeiro lugar, o professor do futuro precisa assumir a responsabilidade - com todos os significados e implicações dessa iniciativa - do processo de ensino e aprendizagem.
Para que isso seja mais claro, vamos separar a reflexão em dois momentos. Um, dos anos 50 e 60 até hoje e outro de hoje para frente. O que a História da Educação nos mostra é que o professor tem cada vez mais um papel minimizado e há o crescimento de uma idéia que diz que o aluno desabrocha sozinho, sem o professor. É claro que é verdade que a criança aprende e se desenvolve sozinha. Mas aprende o quê? E como, se for independente do professor? E isso precisa se entendido, analisado. Agora, se isso for tomado como verdade absoluta e, o professor, de fato, se eximir da responsabilidade e de seu papel no processo de aprendizagem, certamente essa criança não vai ter acesso a todo o conhecimento produzido pela sociedade e a que ela tem o direito de conhecer, de possuir. Não que o professor tenha que saber tudo, mas ele deve ser o mediador na aproximação com esse conhecimento. Esse papel é muito diferente do que temos hoje e é verdadeiramente importante.
Veja que o professor mediador deixa de ser apenas um transmissor do conhecimento, ele passa a caminhar junto e ao lado da criança na decodificação de cada informação do mundo e passa também a ensinar os meios para a criança se apropriar de todo aquele banquete de conteúdos. Nessa relação com o conhecimento, está provado que o acesso aos livros, ou às outras fontes de informação, não é suficiente. É preciso o professor mergulhar junto nesse caminho e, nesse mergulho, trazer as crianças com ele.

Um mundo de possibilidades
E assim se abre um mundo inteiro de possibilidades. Possibilidades que, se não existem, podem muito bem ser criadas por esse professor responsável. Repito, elas podem ser criadas. Aí já estou até falando dos limites biológicos, das deficiências todas. Essas deficiências não podem ser jamais limites para o processo de ensino/aprendizagem. Mas o professor precisa perceber e assumir seu papel para superar as dificuldades. E a melhor maneira de se perceber e, conseqüentemente, criar condições, é se formar, passar por formações. Aliás, esse tem sido o desafio: formar o professor que dá a volta no destino!
E por que representa um desafio? Primeiro porque a formação dividida em diversos cursos complica o processo como um todo e, depois, essa divisão se mostra na escola, na prática das aulas. Me parece que a Pedagogia é a área que mais tem se colocado frente a essa questão. Principalmente porque trata mais do Ensino Infantil e do Ensino Fundamental. São momentos justamente em que está o maior nó da educação, que é a alfabetização. E é por isso que a gente vê aqueles casos das crianças que chegam até a 4a ou 5a série, não-alfabetizadas.
A Pedagogia também vem se mobilizando, questionando-se sobre como trabalhar a diversidade na sala de aula. É verdade que essa postura vem sendo reforçada pela política de inclusão do governo nos últimos anos. O professor precisa estar atento, precisa se dar conta de tudo isso e a Pedagogia está aí para ajudá-lo nessas questões. E por isso uma formação sólida em pedagogia pode ajudar muito. As licenciaturas não estão muito atentas a essa questão da diversidade em sala de aula.

Mudanças na formação
Aí surge a pergunta: então como deveria ser? As disciplinas pedagógicas poderiam ter peso de fundamentais nos cursos de formação. Porque são essas disciplinas que ajudam a trazer o professor para um contato crítico e reflexivo em relação a si mesmo, a seu papel, a seu lugar e à Educação como um todo.
Também os cursos costumam deixar as atividades supervisionadas e os estágios para o fim, quando os alunos já estão correndo, já estão se formando. O ideal seria que todas essas atividades supervisionadas (com supervisões competentes, críticas, analíticas) estivessem presentes ao longo de todo o curso - ou, melhor ainda, nos primeiros anos -, de todos os cursos de formação de professores. Porque assim, o estudante, futuro professor, teria contato com um processo cheio de retornos.
Agora, para isso, o professor precisa de ajuda, de apoio. E é esse o papel da Universidade, uma apoiadora para mostrar ao professor que ele não está sozinho nesse caminho. As portas dos cursos de formação e da formação continuada devem estar abertas nas universidades, para acolher o professor e para que, juntos, possam enfrentar as diversidades. Para isso, o que defendemos primeiro é a não diminuição do tempo da graduação. É preciso garantir envolvimento do aluno com o curso. Um curso de cinco anos seria um bem tempo.

Movimentos da educação
Vamos falar agora dos movimentos da Educação. Há dois tipos de movimentos. O primeiro é o movimento organizado, encabeçado pelos sindicatos e associações de classe. Esse é fundamental para o professor se sentir e se ver como cidadão, com papel social determinado, lutando por uma sociedade melhor. O segundo tipo de movimento parte da sociedade e caminha em direção à Educação e que, na maioria das vezes, se mostra na forma de tendências da Educação e que se reflete como modismos nas escolas. Um exemplo são as escolas de Educação Infantil. É difícil encontrar escolas hoje que levem a sério uma linha de Educação mesmo. Assim a pré-escola vira um parquinho, o ensino fundamental trabalha com base em apostilas e o ensino médio ensina vinculado a uma rede ou outra de cursinhos pré-vestibulares.
E tem mais. Isso quando as escolas não saltam de uma linha educativa para outra. Um tempo seguem Piaget, depois Vigotsky, depois Frenet, mais recentemente as inteligências emocionais e assim por diante. O que acontece é que um autor, ou um grupo de autores cai nas graças da Universidade e o pensamento e a obra dele são apropriados e utilizados de uma maneira superficial nas escolas particulares, da rede municipal, ou estadual. E vai piorando. Para adotar aquela linha educativa, as escolas promovem a chamada - acho esse nome horrível e só estou usando porque é assim que as escolas se referem - reciclagem. Aí os cursos de reciclagem pegam um professor absolutamente descrente de tantas mudanças pedagógicas e entregam para ele uma formação nada aprofundada. O resultado é que nem a linha pedagógica é seguida direito, nem o professor passa por uma formação verdadeira e adequada.
Mas e como seria a vida ideal? Para mim, o esquema ideal seria muito parecido com o dos professores das universidades públicas. Ou seja, o professor prepara a aula, dá aula e, eventualmente, se afasta para passar por outras formações, ou participar de congressos, cursos, etc. O professor trabalharia, mas também se dedicaria a formar-se. Também seria bom que ele recebesse suficientemente bem para dar aula meio período e se preparar e preparar as aulas no outro meio período. Assim ele teria tempo para se dedicar e esse tempo seria remunerado. Se tudo isso fosse fato, haveria uma dispensa do livro didático. O professor assumiria seu lugar, prepararia a sua aula e dispensaria a apostila. E a aula seria muito mais do que uma atividade mecânica".

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