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Coração do nacionalismo brasileiro

Coração do nacionalismo brasileiro, Amazônia atrai estreita vigilância militar
Exército tenta evitar tráfico de drogas e invasão de guerrilhas

Paulo A. Paranaguá
Correspondente do Le Monde
Fonte UOL

Num Brasil preocupado em preservar a sua soberania, a internacionalização da Amazônia, que é ao mesmo tempo o "pulmão" do planeta, uma imensa reserva de água e um paraíso da biodiversidade, constitui uma verdadeira obsessão.
Segundo afirmam alguns expoentes desse nacionalismo, a participação americana na luta contra o tráfico de drogas e contra a guerrilha (o plano Colômbia) seria apenas a primeira etapa de uma intervenção na Amazônia.
Os ecologistas são apontados como integrantes de uma "máfia verde" e a organização Greenpeace como sendo "a tropa de choque" de um "governo mundial" que estaria se preparando para tomar conta das suas riquezas.
Um manual escolar americano, que traz um mapa da Amazônia transformada numa "reserva internacional" sob a tutela dos Estados Unidos e da ONU, pareceu confirmar as denúncias mais alarmistas. O documento circulou na Internet sob o título: "A geografia segundos os Estados Unidos: será que eles estão preparando a invasão?".
Consciente da importância desta região desde o início do século 20, o exército brasileiro confiou ao futuro marechal Candido Rondon (1865-1958) a missão de implantar as linhas telegráficas e os marcos ao longo da fronteira.
Na época, a diplomacia brasileira havia solucionado todas as divergências com os seus vizinhos, mas as autoridades sabiam que as linhas de demarcação permaneceriam permeáveis caso não fossem promovidas implantações duradouras.

Manobras aéreas
Outrora, os planos do estado-maior brasileiro concentravam-se num eventual conflito com a Argentina, a outra grande nação da região. Mas, já faz várias décadas, a prioridade estratégica deslocou-se para a Amazônia e a sua fronteira múltipla com seis países --Bolívia, Colômbia, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela--, sem esquecer a Guiana Francesa.
Os recursos naturais suscitam muitas cobiças, mas a principal pressão nas fronteiras se deve aos tráficos de drogas e de armas. Enquanto um serve de moeda de troca para o outro, eles se alimentam mutuamente.
A segunda preocupação é com a infiltração de guerrilheiros, que são tentados a buscar bases de retaguarda do outro lado da fronteira.
Enquanto a Venezuela é acusada de fazer vistas grossas para as penetrações da guerrilha colombiana no seu território, este não é o caso dos militares brasileiros.
Desde domingo passado (22/05), o Brasil e a Colômbia vêm efetuando manobras aéreas conjuntas. Brasília transmite para Bogotá as informações colhidas pelos satélites do seu sistema de vigilância da Amazônia.
Em janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma retomada do "projeto Rondon", uma mobilização de estudantes que se destina a incentivar a conscientização da população em relação aos problemas da Amazônia.
Implantada durante o regime militar, a sua primeira versão havia enviado 350 mil jovens para a região. Foi a pedido da União Nacional dos Estudantes (UNE), um baluarte da esquerda, que o governo atual ressuscitou este projeto.
Mais do que nunca, a Amazônia está no coração do nacionalismo brasileiro.

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