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Por uma África possível

Cancelamento da dívida externa, desafio à macroeconomia e política monetária internacional e reparação à população africana. Essas foram as principais mensagens do III Fórum Social Africano, realizado em dezembro em Lusaka, capital da Zâmbia, na opinião do senegalês Demba Moussa Dembele, do Jubileu Sul África.

O painel “Uma Outra África É Possível – Resistências e Alternativas, realizada no espaço F do Fórum Social Mundial, trouxe as principais reivindicações e lutas dos povos daquele continente saídas do encontro que reuniu delegados de 50 países. Para Dembele, a única soluição para a grave situação da África é a anulação total e incondicional de sua dívida externa, a qual qualificou de odiosa. “Consideramos a dívida totalmente ilegítima e imoral, além de estar sendo paga há muito tempo”, afirmou. Além disso, exigiu também uma reparação da Europa “a todo mal feito ao povo da África”. Dembele defendeu ainda uma união de todos os líderes africanos para pressionar de uma maneira mais forte o cancelamento da dívida externa. O sul-africano George Dor, diretor-geral do Jubileu Sul, concordou. Para ele, “não somos nós que devemos aos países do Norte, ao Banco Mundial e ao FMI. São eles que devem à África. E concluiu: “ainda sofremos os efeitos do colonialismo e do neo-colonialismo”.

A ativista sul-africana Virginia Setshedi seguiu na mesma linha. Segundo ela, só há um caminho para mudar a realidade do continente: cancelamento da dívida, com todo o dinheiro “excedente” sendo usado na reconstrução da África; boicote às corporações e corte de qualquer relação com as intituições financeiras internacionais. Para ela, são essas últimas as principais responsáveis pela situação da África. “Elas permitem às corporações obterem mais lucro, explorarem e extrairem mais e mais do território africano”. Além disso, elas oprimem o continente com a dívida externa, que para Virginia é um instrumento de dominação. “Enquanto no Iraque ocorre o terrorismo militar, na África enfrentamos o terrrismo econômico”.

Thomas Deve, jornalista do Zimbábue, defendeu uma forte campanha contra os APE's, acordos de parceria econômica entre Europa e os países da África, do Caribe e do Pacífico. De acordo com ele, os europeus não desejam acordos comerciais, e sim uma grande área de livre comércio. E os dirigentes africanos estão caindo nessa: “eles nos falam que o livre comércio vai nos salvar. Nós dizemos que a África não está à venda”

O último a falar foi o porta-voz da Associação das Organizações Profissionais de Camponeses Ibrahima Coulibaly, que pediu atenção total à população rural africana já que, diferentemente do que ocorre em muitos países do mundo, é grande maioria no continente. Para ele, que nasceu em Mali, o livre comércio tirará das mãos dos camponeses o único instrumento que possuem para subsistir. “A agricultura deve ser administrada por outro sistema que não o da Organização Mundial do Comércio”, conclui.

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