HISTORIANET

Notícias

Porto Alegre 2005

19 de março: dia do protesto global contra a guerra no Iraque

Convocação é do Movimento Global Antiguerra. Na agenda da manifestações, o 1º de maio foi reservado à marcha contra o neoliberalismo e 2 a 6 de julho à luta anti-G-8.
PATRÍCIA BONILHA Agência Carta Maior

Porto Alegre – Há sempre recorrentes dúvidas sobre a efetiva capacidade de interferência do FSM no dia-a-dia das pessoas. Esses questionamentos se intensificam com o término das atividades no Fórum. Pelo menos em relação às questões referentes às guerras, organizações e movimentos sociais, em uma assembléia final realizada no último dia de seminários (30), definiram uma agenda de ação e algumas estratégias. A prioridade será o fortalecimento da luta contra a guerra em nível global, mas que tem como enfoque principal a ocupação do Iraque. Essa luta terá na mobilização popular, não só os seus soldados e o seu arsenal, mas também o seu mais forte aliado. Ou seja, as ações dependem exclusivamente da conscientização e organização da sociedade civil.
Desse modo, como primeiro passo nessa direção, o Movimento Global Antiguerra convocou um mega protesto contra a intervenção americana no Iraque, que pretende colocar milhões de pessoas nas ruas em todo o mundo no dia 19 de março – período em que a ocupação faz dois anos. “Queremos realizar um protesto massivo para lançar um novo e confiante processo de mobilização para combater essa nova fase do governo Bush”, afirma o inglês Chris Nineham, representante do Stop the War Coalition (Coalisão Pare a Guerra).
Ele acredita que este é o melhor momento político para realizar esse protesto global, e lista suas razões. “A farsa do processo eleitoral iraquiano, totalmente antidemocrático e manipulado pelos Estados Unidos; a reeleição de George Bush, que o tornou ainda mais perigoso, mais insano; os problemas militares e as crises geradas com a ocupação tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido; e o incontestável fato de que o público contra a guerra hoje é muito maior por ter descoberto que as justificativas para ocupar o Iraque nunca existiram. Tudo isso nos leva a acreditar que podemos repetir o sucesso das manifestações realizadas há dois anos, que levaram cerca de 30 milhões de pessoas às ruas em todo o mundo. Ou até mesmo superá-lo. Só que, dessa vez, teremos um peso político maior no sentido de forçar mesmo o fim dessa ocupação injusta”, afirma Nineham.

Agenda e boicotes
A luta contra a ocupação no Iraque se desdobra em muitas outras medidas paralelas ao protesto global, marcado para daqui a seis semanas. Com o objetivo de estimular a não participação na guerra, organizações americanas oferecem suporte aos soldados e a seus familiares. “Até agora, cerca de cinco mil soldados não se apresentaram para servir. Países como o Canadá os aceitam como exilados políticos. Queremos ampliar esta condição, para que outros países também ofereçam essa possibilidade para os considerados desertores”, explica Medea Benjamin, da Unit for Peace and Justice (União por Paz e Justiça).
Apesar da ocupação israelense na Palestina também ser considerada bastante grave na avaliação das organizações presentes ao debate, nenhuma medida prática foi definida na assembléia, com exceção do boicote aos produtos israelenses. A situação do Irã, sob ameaça dos Estados Unidos de uma possível intervenção, foi citada pelos participantes algumas vezes, mas também terminou sem nenhum encaminhamento mais concreto. O mesmo ocorrendo com os países da América Latina, como Venezuela, Colômbia, Haiti e Cuba. “A situação em todos esses países também exige cuidado. Mas avaliamos que o Iraque é uma questão central para o Pentágono e a Casa Branca. Então é uma questão central para nós também. Se conseguimos acabar com a ocupação no Iraque, acreditamos que os Estados Unidos terão que repensar suas estratégicas militares”, defende Nineham.
A assembléia aprovou a realização de duas campanhas em nível internacional: uma contra as bases militares de Guantânamo e outra contra o muro do apartheid na Palestina. Também foram deflagradas campanhas de boicote às corporações e instituições financeiras que ocuparam economicamente o Iraque.
Um calendário com os principais “dias de luta” foi definido pelas organizações. Primeiro de maio, que tornou-se um dia internacional de luta contra a globalização, também será dia de se manifestar contra a utilização de armas nucleares. De 2 a 6 de julho, acontece a reunião anual do G-8 (grupo dos oito países mais ricos e poderosos do mundo), em Edimburgo, na Escócia. Essa reunião também já ficou caracterizada como sendo um período anual de protesto da sociedade civil organizada contra a efetivação das políticas neoliberais. Em novembro, acontece a reunião da Aliança de Livre-Comércio das Américas (Alca), em Mar del Plata, na Argentina. Movimentos e organizações convocaram todos os participantes do FSM a promover manifestações de repúdio à implantação de acordos que, de acordo com a avaliação deles, só privilegiam os Estados Unidos, em detrimento de toda a América Latina. E, finalmente, fechando o calendário de ações para as maiores mobilizações populares do ano, em dezembro acontece a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong.

Desculpas públicas
Realizada justamente no dia da tão polêmica eleição iraquiana, a assembléia começou com um pedido de desculpas pela norte-americana Medea Benjamin. “Hoje, o dia da eleição no Iraque, é um dia de constrangimento em um tempo de constrangimento para nós, cidadãos dos Estados Unidos. Eu gostaria de pedir desculpas por tantas mortes, tanta tortura, tantos abusos. Pelo constante indevido uso da palavra democracia. Por uma eleição que teve sua ilegitimidade protegida pelos soldados americanos. Gostaria de reconhecer o constrangimento também e uma certa vergonha por não termos sido capazes de evitar essa ocupação e tanto sofrimento. Mas que toda essa infâmia possa, por outro lado, nos acenar com a proximidade do dia do fim do império americano”, declarou Medea, que foi presa recentemente nos Estados Unidos por participar dos protestos contra a política armamentista de Bush.
O iraquiano Jawad Al-Khalesi, representante do Congresso de Fundação Nacional, rede que reúne diversas organizações iraquianas contrárias à ocupação, afirmou que o processo eleitoral no Iraque foi uma farsa totalmente manipulada pelos Estados Unidos. “O boicote às eleições foi um boicote nacional legítimo. Nós recusamos essa ocupação militar, essas eleições antidemocráticas e qualquer coisa que venha dessas eleições”,declarou ele

Pesquisar em
1128 conteúdos

Notícias

MASP

Passagens por Paris - Arte moderna na capital do séc. XIX

Notícias

Universidades latinas atraem poucos estrangeiros

Instituições têm melhorado sua presença em rankings internacionais, mas continua

Roteiros de Aula

Ninguém tira Zero

Província elimina nota zero para proteger autoestima de alunos

Notícias

França e Alemanha lembram 100 anos da Primeira Guerra

Presidentes Hollande e Gauck homenageiam mortos nas batalhas e destacam importân

COPYRIGHT © HISTÓRIANET INTERNETWORKS LTDA

PRODUZIDO POR

SOBRE O HISTORIANET