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Igrejas discutirão desigualdade social em Porto Alegre

Porto Alegre - Uma teologia para outro mundo possível. Esse é o tema central que será discutido de 21 a 25 de janeiro, em Porto Alegre, no primeiro Fórum Mundial de Teologia e Libertação. Cerca de 200 teólogos de todos os continentes estarão na capital gaúcha participando de reuniões e debates no Campus Central da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS). O evento, que antecede o Fórum Social Mundial 2005, reunirá nomes como o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o doutor em teologia e escritor Leonardo Boff, o teólogo Frei Betto e o vice-presidente da Associação Pró-Direitos Humanos da Espanha, Juan José Tamayo. Os debates do Fórum tentarão identificar como as igrejas cristãs estão engajadas nas causas sociais e refletir sobre o atual papel da religião em um mundo marcado por desigualdades sociais e conflitos políticos.

Nascida na América Latina, na década de 1960, a Teologia da Libertação foi uma conseqüência das transformações introduzidas na Igreja pelo Concílio Vaticano II (1962). As Conferências Episcopais realizadas em Medellín, na Colômbia (1968), e em Puebla, no México (1979), consagraram a opção preferencial pelos pobres da igreja latino-americana. A partir daí, esta teologia ficou mais ligada às comunidades eclesiais de base, comprometidas com as lutas sociais e que foram se envolvendo cada vez mais em disputas políticas e sociais.

Entre seus principais expoentes nas últimas décadas, destacam-se nomes como o colombiano Camilo Torres, os brasileiros Dom Hélder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, o teólogo Leonardo Boff, o cardeal chileno Silva Henriquez, o bispo e mártir salvadorenho Oscar Arnulfo Romero, assassinado pelos militares. Os choques entre o papa João Paulo II e os teólogos da libertação ganharam publicidade por ocasião de uma visita do papa a Manágua, nos anos 80, quando fez uma repreensão pública ao ministro da cultura sandinista, o sacerdote Ernesto Cardenal. Cardenal desafiou a proibição do Vaticano de permanecer no governo da Nicarágua. Mas foi no Brasil - considerado o país mais católico do mundo, com seus 130 milhões de fiéis - que a difusão da Teologia da Libertação causou mais problemas para o Vaticano.

Os conflitos com o teólogo Leonardo Boff, que acabou sendo condenado ao silêncio, foram a face mais evidente desta disputa, marcada também pela substituição de religiosos engajados em causas sociais por nomes mais conservadores e por um maior controle nos seminários de formação. Outra liderança deste movimento é o bispo de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldaliga, para quem a Teologia da Libertação, a partir da criação das Comunidades Eclesiais de Base (CEB) e das pastorais, é algo "irreversível e inquestionável", conforme declarou à imprensa recentemente. Essa corrente da Igreja Católica teve um papel importante também na formação do Partido dos Trabalhadores (PT). Um de seus principais ideólogos, Frei Betto, ocupou, até o final de 2004, uma assessoria direta da presidência da República, no Governo Lula.

Conferências abertas ao público
O encontro vai reunir teólogos de diferentes religiões cristãs, de diversas regiões do mundo, em sintonia com o espírito dos debates do Fórum Social Mundial. As conferências noturnas são abertas ao público e gratuitas e a programação da manhã e da tarde é voltada para teólogos convidados. Três conferências noturnas serão realizadas, sempre com tradução para o público. No dia 22, o tema será "Deus para outro mundo possível", por Marie-Claude Julsaint, da Suíça; no dia 23, o tema será "Religião para outro mundo possível", por Tissa Balasurya, do Sri Lanka. E, por fim, no dia 24, Otto Maduro, da Venezuela, abordará o tema "Teologia para outro mundo possível".

Todas as atividades serão realizadas no prédio 40 do Campus da PUC-RS. A abertura do Fórum Mundial de Teologia e Libertação ocorre na manhã desta sexta, a partir das 10h, quando será traçado um panorama mundial da teologia pelo Comitê de Honra do evento. Na manhã de sábado, a partir das 9h, o sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos, fará uma conferência sobre a situação política mundial, restrita aos participantes do encontro.

Integram este grupo a Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Manchú (que não estará presente na abertura); o cardeal Dom Aloísio Lordscheiter; o presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pastor Walter Altmann; o membro da presidência do Conselho Mundial de Igrejas, bispo metodista Fedérico José Pagura; a reitora do Seminário Teológico de Matanzas (Cuba), pastora Ofélia Ortega; a presidente da Confederação Latino-Americana de Religiosos, Irmã Esperanza Quintanilla Morán; o secretário do Conselho Latino-americano de Igrejas, pastor Israel Batista; o bispo primaz da Igreja Anglicana no Brasil, Dom Orlando dos Santos de Oliveira; o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings; e o reitor da PUC-RS, Joaquim Clotet.

Marco Aurélio Weissheimer
Agência Carta Capital

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