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A expulsão do jornalista do NYT

Laerte Braga

A decisão do governo de Lula sugere que o presidente e sua turma reagem de maneira belicosa quando classificam algum gesto, atitude, ou fato, como perigoso. Capaz de provocar desastre. Foi assim quando do escândalo Valdomiro. A medida provisória que proibiu os bingos. Mostra-se assim, agora, com o ato de expulsão do jornalista norte-americano.

Por detrás disso há uma leitura indispensável: o governo joga com emoções populares, o antiamericanismo, ou conta com isso, para neutralizar e atenuar as quedas de Lula nas sucessivas avaliações junto à opinião pública.

Ao mesmo tempo mostra capacidade de reação. Se vai ou não dar certo é outra história. Mas não encobre o fracasso do governo independente de bebedeiras serem ou não reais. A de Sílvio Pereira foi real e admitida como justificativa para um monte de besteiras que disse.

A decisão não transforma Lula em Lula de novo. Continua um cópia de FHC. O ex-presidente, por sinal, deitou falação sobre o ato e criticou Lula. Falou em liberdade de imprensa.

Difícil avaliar isso. Como difícil aceitar o ato de Lula. O governo supervaloriza o que há de pior na matéria publicada no New York Times, o exagero de falar em "preocupação nacional" e deixa de lado as verdadeiras razões de matérias assim.

Em primeiro lugar não existe liberdade de imprensa nos Estados Unidos a não ser formal. Os meios de comunicação naquele país sequer questionaram a insanidade da guerra de Bush. Montada numa mentira. Pelo contrário, o acendrado patriotismo libertário dos adeptos da operação "choque e pavor" foi destacado como virtude da nação que liberta as demais nações do mundo.

Jornais, rádios e tevês nos Estados Unidos são controlados por grandes grupos econômicos, servem a interesses nacionais, estaduais e regionais, sem perder de vista que são iluminados, destinados a salvar o mundo ao lado de Sharon e outros terroristas.

A matéria coincide com a prisão de paramilitares colombianos prontos para provocarem atentados terroristas na Venezuela e criar um clima de comoção nacional culpando o governo Chávez. Coincide, também, com o anúncio de políticas de arrocho máximo contra Cuba. Os Estados Unidos, através da organização terrorista Casa Branca não admite, isso mesmo, não admite que Fidel, no caso de sua morte, seja sucedido por um

integrante do partido comunista, ou por Raul Castro, irmão do líder revolucionário.

Da mesma forma, as exportações do Brasil para Cuba cresceram de forma espantosa. Bush não gosta disso. Nesse diapasão Lula é inimigo. A pressão sobre José Dirceu, o esquema montado nos gabinetes tucanos de José Serra (não importa que seja verdade, é verdade, mas foi montadinho), atendia a esse objetivo primordial: provocar a saída de Dirceu do governo. É o ponto de referência com Cuba. Roberto Rodrigues, Agricultura e Luís Fernando Furlan, extrema-direita e tucano no governo, já deixaram claro várias vezes que a política em relação a Cuba é um problema que precisa ser resolvido.

Lula foi vítima da má fé do repórter e com toda a certeza, dentro de um contexto que busca enfraquecer o brasileiro para, principalmente, deixar o terreno livre para varrer com Chávez e Castro.

São inúmeras as histórias sobre os meios de comunicação nos Estados Unidos refletindo políticas governamentais daquele país. Toda a estrutura. Quem se dispuser a dar uma olhada no canal de notícias da Fox, com certeza, vai ficar enojado. É puro patriotismo canalha. Ali não morrem americanos, as armas químicas continuam sendo procuradas, os

Estados Unidos não bombardeiam áreas civis, não matam inocentes, apenas levam liberdade e justiça a sub-gente, que é como enxergam o resto do mundo. Eles e os parceiros israelenses. Tortura não existe, mas eventuais abusos de um ou outro.O circo do terror de mercado.

O governo Lula faz um prodigioso exercício para mostrar que tem autoridade, que o presidente governa, que não aceita imposições, isso depois de ter engolido FMI, Banco Mundial, as reformas, estar naufragando em políticas sociais, manter um latifundiário de extrema direita no governo (o ministro da Agricultura), um banqueiro no Banco Central e propiciar lucros fantásticos a bancos.

Tem cheiro de populismo a expulsão do repórter. Valeram-se de um instrumento da ditadura militar. De recado para o povo do tipo Lula é fogo não admite nada que ofenda o Brasil. Exacerba o que lhe convém. Tira coelho da cartola. Só aceita imposições do FMI.

A declaração de Palocci que só concorda com mudanças nas tabelas do imposto de renda com nova alíquota, é um escárnio. Caso de expulsão do governo, do país, da vida pública, o cara não pode estar falando sério. Devia ter concorrido à vaga de diretor do FMI, a tal que um tal Rato pegou.

O governo Lula é um monte de burocratas do grupo lulista do PT. Cada qual com sua caixa de clips, grampos, carimbos e investido de autoridade para coisa nenhuma. Um deles, o secretário nacional de combate ao racismo quase matou jornalistas de rir quando comentou, sério, sobre ser prefeito de sua cidade. Não tem voto para ser vereador... Mas tem que tentar. É o clássico fala para dentro.

Eu não acho que a expulsão do jornalista norte-americano fere a liberdade de imprensa. Nem lá e nem cá isso existe a não ser nos meios alternativos. Imprensa hoje é sinônimo de poder, de grupos dominantes.

Os principais veículos da mídia estão empenhados em formar novos cozinheiros de fins de semana, artesãos, ensinar como trocar chuveiro elétrico, etc, etc, enquanto os bancos e especuladores deitam e rolam.

E Lula assiste a tudo isso impassível e ainda chamou os banqueiros de "meus amigos da FEBRABAN". Foi no início do governo.

Só acho que o governo deu tiro de canhão num passarinho. As verdadeiras razões da matéria são outras e isso é que precisa ser visto. E deu sabendo o que estava fazendo. O clássico engana trouxa. Atirou no jornalista para acertar nas pesquisas de opinião.

Como governo, num todo: um fracasso rotundo e redondo. Do ponto de vista da esquerda. Da direita não. O jogo de FHC é só para voltar a ser o dono da chave do cofre. A disputa entre tucanos e tucanos do B, a turma do Lula.

Texto do Jornalista Laerte Braga, de Juiz de Fora
Recebido por email pelo HISTORIANET em 15 de maio de 2004

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