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Bush contra Sharon?


Bush contra Sharon?


Por Leila Saad.
para o Miftah*

Os apoiadores dos palestinos se rejubilaram ao ouvir Mahmoud Abbas (também conhecido como Abu Mazen) declarar francamente que condena o ataque dos helicópteros israelenses que feriu o líder do Hamas, Abdel-Aziz al-Rantissi, qualificando-o de "criminoso e terrorista". Mais surpreendente, contudo, foi a condenação de Israel por parte do presidente George W. Bush, considerando-o um "inquietante" acontecimento que não ajuda a segurança de Israel.

Este é o Bush que conhecemos?

È surpreendente porque este não é o Bush ao qual estamos acostumados. Este um comportamento distinto - um que está criticando Israel por debilitar o processo de paz, em vez de se congratular com Israel por suportar o impacto da paz, por fazer "penosas concessões" e exercitar a "continência" face aos palestinos. E Bush deve ter sido fortemente pressionado no sentido de ignorar a tentativa de assassinato do líder do Hamas, dado que Abu Mazen empenhou-se pessoalmente em colocar o Hamas de lado desta crucial conjuntura (para não mencionar o fato de que, além de Rantissi, bastante atingido, outros dois palestinos foram mortos e vários feridos).

E no entanto a administração Bush elogiou Israel com tanta frequência no passado - mesmo face às mais chocantes ações contra os palestinos. Então, o que está acontecendo? A administração Bush simplesmente não pode enfrentar um novo desastre de relações públicas no Oriente Médio. A Guerra do Iraque - especialmente a resultante da não-evidência sobre armas de destruição em massa - foi um soco na percepção sobre a política americana, não só para os árabes, mas para os europeus e os povos pelo mundo afora. A Palestina - provavelmente a mais importante causa isolada para a maioria dos árabes - é uma bomba-relógio (sem trocadilho) depositada no colo de Bush.

O que sugerem as evidências

Será esta aparente mudança política da administração Bush algo genuino, e, mais importante ainda, de longo alcance? Poderá a administração Bush, maciçamente neoconservadora, cumprir suas promessas de um fim justo para o conflito, resultando em um Estado palestino realmente viável em um futuro não muito distante?

Ainda que possamos torcer para que seja verdade, as evidências sugerem outra coisa. O registro do que Bush fez nos últimos dois anos fala por si.

Em 9 de abril de 2002, Bush elogiou Ariel Sharon por ser um "homem de paz". E fez esta declaração bem no meio das malignas incursões de Israel na Cisjordânia, que resultaram em numerosos mortos e feridos, para não falar da destruição de residências, sedes de ONGs, bens e arquivos oficiais.

Então, em 30 de abril de 2002, Israel anunciou que impediria uma equipe de inspetores da ONU de investigar os massacres no campo de refugiados de Jenin. Como reagiu a administração Bush? Silenciou. Bush não fez esforços para denunciar as ações israelenses, nem para impor-lhes sanções por meio da ONU.

Então, em junho, Bush fez-se eloquente acerca de sua nova política para o Oriente Médio, e no seu discurso mencionou por 18 vezes o terrorismo (isto é, o palestino), mas nem uma só vez referiu-se a violações dos direitos humanos (isto é, contra os palestinos). Bush tem uma política de voltar o olho cego para as ações de Israel. Ainda em fevereiro passado este fidelíssimo presidente defendeu a aprovação de um pacote de US$ 2,64 bilhões para Israel no ano fiscal de 2004 (o qual não inclui os bilhões de dólares de empréstimos para a recuperação econômica israelense).

Em outras palavras, Bush tem pouca experiência de brigar com Sharon. Continuará ele a portar-se como se puxasse briga com o primeiro ministro de Israel, enquanto os dois percorrem o "mapa do caminho para a paz"? Ainda é cedo para dizer.


* Leila Saad é estudante na Universidade de Harvard, EUA;
Miftah (Iniciativa Palestina pela Promoção do Diálogo e Democracia Globais) é uma ong palestina com base em Jerusalém, fundada em 1998: http://www.miftah.org/;

intertítulos do Vermelho
http://www.vermelho.org.br/diario/2003/0612/0612_bush_sharon.asp

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