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Londres desconstrói mito da Cleópatra bela e sensual

Cleópatra 7a, a rainha do Egito que seduziu os generais romanos Júlio César e Marco Antônio, foi representada no cinema como uma mulher de extrema beleza. Mas era Cleópatra tão encantadora como Elisabeth Taylor, Sophia Loren e Vivian Leigh, suas intérpretes nas telas? Provavelmente não, indica uma exposição aberta nesta semana no Museu Britânico, em Londres.
A mostra "Cleópatra no Egito: Da História ao Mito" da indícios que a última monarca da dinastia ptolomaica tinha um longo nariz, em forma de bico de gavião, e não media mais do que 1,5 m de altura. "muito dessa imagem de mulher linda e sensual não passa de um mito", diz Susan Walker, uma das curadoras do evento.




A exposição compõe a trajetória de Cleópatra desde seu nascimento, em 69 a C., até quando o imperador romano Otaviano anexou o Egito. O destaque da mostra são 11 estátuas que, segundo os organizadores, são algumas das poucas representações de Cleópatra produzidas quando a rainha era viva que não foram destruídas.
"Quando o Egito foi conquistado por Otaviano, ele mandou acabar com todas imagens de Cleópatra, mas nós sabíamos que algumas tinham sido preservadas. Acreditamos que essas 11 estátuas, que eram consideradas retratos de outras rainhas, sejam na verdade as imagens que restaram de Cleópatra em seu reinado", afirma Peter Higgis, curador do departamento de antiguidades gregas e romanas do museu.
Até hoje só uma imagem de Cleópatra do período em que ela viveu é considerada autêntica: um busto seu encontrado no Vaticano, que também pode ser visto agora no Museu Britânico.




Uma dessas 11 estátuas, esculpida em basalto negro 20 anos antes da morte de Cleópatra, retrata a monarca com um símbolo na cabeça que mostra três cobras.
Segundo Sally-Nan Ashton, outra curadora da exibição, as três serpentes indicam que Cleópatra era a rainha do Alto e do Baixo Egito e também de territórios na Síria e em Roma. "Essa era a imagem de Cleópatra que era apresentada aos egípcios -- a de uma governante de poder incontestável", avalia Ashton.
Cleópatra governou o Egito por 21 anos, até morrer, e dividiu o trono copm dois irmãos, Ptolomeu XIII, de 51 a 47 aC., e Ptolomeu XIV, de 47 a 44 aC., e com seu próprio filho Cesarion, ou Ptolomeu XV, de 44 a 30 aC.. Foi a primeira governante de sua família a aprender egípcio, uma das nove línguas que falava, e também se apresentava aos seus súditos como filha de Rá, o deus egípcio que representava o Sol.
Outro destaque da exposição é um busto que, acredita-se, é de Cesarion, filho de Cleópatra com Júlio César, mostrado ao público pela primeira vez. Foi encontrado recentemente pelo arqueólogo francês Franck Goddio, nas ruínas da antiga cidade de Alexandria, atualmente submersa.
A mostra apresenta também outras esculturas, cerâmicas e peças de bronze do período em que os monarcas ptolomaicos controlavam o território egípcio. De origem Macedônia, governaram o Egito a partir da morte de Alexandre, o Grande, em 323 aC. Há reconstruções do mobiliário que faria parte do palácio dos Ptolomeu em Alexandria.
A exposição examina ainda a forma como Cleópatra foi representada por artistas ao longo da história. Há o retrato da rainha feito por Michelangelo, seu perfil na peça "Antonio e Clópatra", de William Sheakespeare, e sua imagem no filme "Cleópatra", de Cecil B. DeMille, em que Liz Taylor encarna a protagonista.
A exposição "Cleópatra do Egito: Da História ao Mito" fica em cartaz até o dia 26 de agosto.


O artigo acima foi escrito por Leonardo Cruz em Londres, sendo publicado juntamente com as fotos, pelo jornal Folha de São Paulo em 14 de abril de 2001

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