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PUC-SP 2001

1) A Idade Média Ocidental:

a) conheceu, até o século X, intensa atividade comercial e urbana, que foi substituída posteriormente pelo predomínio do campo e da produção agrícola de subsistência, realizada nos arredores das cidades.
b) apresentou, nas várias regiões, forte unidade política, herdada do Império Romano, até o século VIII, ocorrendo, posteriormente, crescente fragmentação até o século XVI.
c) teve, no início, um período de pouca hierarquia social, com privilégio apenas para os setores eclesiásticos, e gradativa ampliação do poder camponês a partir do século XI.
d) foi um período de absorções, negações e adequações entre a cultura clerical e a laica, havendo claro predomínio da primeira até o século XII e gradativo crescimento da postura laico-humanista a partir de então.
e) representou, nos primeiros séculos, a persistência do politeísmo herdado da tradição greco-romana e, após o século XI, a vitória rápida do protestantismo contra o catolicismo.

alternativa D
Resolução: Durante a Idade Média predominou o modo de produção feudal, formado a partir de elementos da cultura romana e germânica, destacando-se a moral cristã. A partir do século XII, houve uma tendência de laicização, caracterizado pela adaptação da moral cristã à nova realidade, marcada pela crise feudal, e pelo desenvolvimento da escolástica de São Tomás de Aquino.



2) As Revoluções Inglesas do século XVII e a Revolução Francesa são, muitas vezes, comparadas. Sobre tal comparação, pode-se dizer que:

a) é pertinente, pois são exemplos de processos que resultaram em derrota do absolutismo monárquico; no entanto, há muitas diferenças entre elas, como a importante presença de questões religiosas no caso inglês e o expansionismo militar francês após o fim da revolução.
b) é equivocada, pois, na Inglaterra, houve vitória do projeto republicano e, na França, da proposta monárquica; no entanto foram ambas iniciadas pela ação militar das tropas napoleônicas que invadiram a Inglaterra, rompendo o tradicional domínio britânico dos mares.
c) é pertinente, pois são exemplos de revolução social proletária de inspiração marxista; no entanto os projetos populares radicais foram derrotados na Inglaterra (os "niveladores", por exemplo) e vitoriosos na França (os "sans-culottes").
d) é equivocada, pois, na Inglaterra, as revoluções tiveram caráter exclusivamente religioso, e, na França, representaram a vitória definitiva da proposta republicana anticlerical; no entanto ambas foram movimentos antiabsolutistas.
e) é pertinente, pois são exemplos de revoluções burguesas; no entanto, na Inglaterra, as lutas foram realizadas e controladas exclusivamente pela burguesia, e, na França, contaram com grande participação de camponeses e de operários.

alternativa A
Resolução: Na Inglaterra, as revoluções Puritana (1642-49) e Gloriosa (1688-89), assim como a Revolução Francesa (1789-99) marcam a ascensão da burguesia ao poder e ao mesmo tempo a crise do Antigo Regime.



3) Sobre a independência dos Estados Unidos, podemos afirmar que:

a) envolveu um conflito armado entre Inglaterra e França, a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), e chegou ao fim com a conquista do Oeste, na metade do século XIX.
b) contou com mobilizações e ações armadas contra a cobrança de taxas e impostos, como a "Festa do Chá de Boston" (1773), e completou-se com a presidência de Abraham Lincoln.
c) iniciou-se sob influência da Revolução Francesa (1789) e das independências nas Américas Portuguesa e Espanhola, lideradas, respectivamente, por D. Pedro I e Simón Bolívar.
d) resultou da união das colônias inglesas nos Congressos da Filadélfia (1774 e 1775) e da influência das idéias de Maquiavel e de Hobbes, defensores do Estado republicano forte.
e) sofreu influência do pensamento iluminista francês e a declaração de independência (1776), redigida por Thomas Jefferson, antecedeu a obtenção da autonomia, conquistada por via militar.

alternativa E
Resolução: O movimento de Independência dos EUA foi determinado pela influência do ideal iluminista de liberdade e igualdade. No Segundo Congresso Continental da Filadélfia Thomas Jefferson liderou a comissão que redigiu a Declaração de Independência (1776), porém a soberania somente foi conquistada em 1781, após derrota militar dos ingleses



4) A Guerra do Paraguai (1864-1870):

a) opôs Argentina e Uruguai ao Paraguai de Solano López; o Brasil apoiou o governo paraguaio, que conseguiu, apesar da grande perda de soldados, vencer o conflito.
b) iniciou-se após desentendimentos militares e diplomáticos na região do Prata; o Brasil, em aliança com a Argentina, lutou contra o Uruguai, que foi incorporado ao território brasileiro após o conflito.
c) foi marcada pela extrema violência e destruiu economicamente o Paraguai; o Brasil, por meio da guerra, organizou-se militarmente e ampliou sua interferência política na região do Prata.
d) terminou com a derrota do Paraguai para a Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai); o Brasil auxiliou, após o conflito, a recuperação do Paraguai por meio da realização de obras conjuntas entre os países.
e) trouxe o fim da ditadura do paraguaio Solano López e a incorporação do Paraguai à América Unida idealizada por Simón Bolívar; o Brasil, por seu papel na guerra, tornou-se aliado militar constante da Argentina.

alternativa C
Resolução: Considerada como um genocídio americano, a guerra eliminou cerca de 75% da população do Paraguai, arrasando sua economia e seu projeto de independência frente ao capitalismo internacional; Durante o conflito o exército brasileiro se profissionalizou, no entanto, a interferência na bacia do Prata tendeu a diminuir e não a aumentar.


5) A luta pela abolição da escravidão no Brasil:

a) contou exclusivamente com a participação de negros, que alcançaram seu objetivo após várias revoltas e organização de quilombos.
b) resultou do fracasso do emprego de mão-de-obra escrava na produção açucareira e cafeeira, que só obtiveram sucesso com a presença de imigrantes.
c) aconteceu simultaneamente à independência política brasileira, à semelhança do que ocorreu na América de colonização espanhola.
d) antecedeu a luta pela abolição da escravidão nos Estados Unidos, o que só ocorreu no início da Guerra de Secessão Americana.
e) ocorreu de forma gradual, dado o interesse crescente de vários setores da sociedade, inclusive alguns fazendeiros, no fim do trabalho escravo.

alternativa E
Resolução: Pode-se considerar que as origens do abolicionismo estão na Lei Euzébio de Queiroz (1850) responsável pelo fim do tráfico e pela busca de alternativas para a questão da mão-de-obra no latifúndio. Vários setores da sociedade participaram do "movimento abolicionista", incluindo oficiais do exército e alguns fazendeiros, que contribuíram para a aprovação da Lei do ventre Livre e da Lei dos Sexagenários, que não tiveram efeito prático.



6) "Esta outra independência não tem Sete de Setembro nem campo de Ipiranga; não se fará num dia, mas pausadamente, para sair mais duradoura; não será obra de uma geração nem duas; muitas trabalharão para ela até perfazê-la de todo."

(Machado de Assis, "Instinto de nacionalidade", in Obras completas. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1986, p. 801)

A independência a que Machado de Assis se refere no fragmento acima, escrito em 1873, é a busca de uma expressão própria, autonomia no plano literário e, de forma mais ampla, cultural. Para ele, tal independência significava, simultaneamente, a capacidade de assimilar traços universais e de encontrar marcas nacionais na produção cultural. Tal preocupação está também presente

a) na literatura romântica, empenhada em reconhecer o Brasil como um país de origem exclusivamente indígena e negra, tal como José de Alencar expressa em Iracema ou Castro Alves, em "Navio Negreiro".
b) no projeto político do varguismo, preocupado em controlar e reprimir, através do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), as manifestações contrárias ao Estado Novo.
c) no modernismo paulistano dos anos 20, quando Oswald de Andrade defende, no "Manifesto Antropófago", uma "poesia de exportação", capaz de definir um lugar específico para o Brasil no cenário internacional.
d) na política externa do governo Juscelino Kubitschek, voltada à ampliação da presença estrangeira no Brasil, por meio da entrada maciça de capital e de tecnologia norte americana.
e) na chamada literatura regionalista, em que Jorge Amado afirma a sensualidade brasileira ou José Lins do Rego lembra a aridez do sertão nordestino como características essenciais da brasilidade.

alternativa C
Resolução: O movimento modernista da década de 20 no Brasil é visto como uma reação a importação de modelos e, nesse sentido, procura reforçar a brasilidade na cultura nacional, defendido como uma "nova independência".



7) O período que separou a Primeira Guerra Mundial da Segunda Guerra Mundial caracteriza-se, entre outras coisas,

a) pela radicalização política entre esquerda e direita; no primeiro caso, destaca-se a vitória do projeto bolchevique na Revolução Russa, no segundo, a ascensão do nazi-fascismo em várias partes da Europa.
b) pelos contrastes econômicos no ocidente, havendo avassaladora crise econômica na Europa e tranqüilidade e progresso financeiro contínuo nos Estados Unidos e nos países latino-americanos.
c) pela presença de governos democráticos e política exterior de neutralidade e autonomia em toda a América Latina, destacando-se o peronismo na Argentina, o varguismo no Brasil e o cardenismo no México.
d) pelos constantes enfrentamentos políticos e armados entre defensores do predomínio militar norte-americano, representado pela OTAN, e os partidários da União Soviética, líder do Pacto de Varsóvia.
e) pelas ações intervencionistas desenvolvidas por algumas das potências mundiais, manifestas, por exemplo, na presença francesa e inglesa no norte da África ou na participação norte-americana na Guerra do Vietnã.

alternativa A
Resolução: O período entreguerras (1919-39) foi caracterizado pela crise do liberalismo. Esse fato é percebido pela consolidação do poder bolchevique na Rússia ao final da guerra civil (1921) e pala ascensão do fascismo ao poder em vários países europeus, destacando-se a Itália, Portugal, Alemanha e Espanha.


8) "O aspecto técnico-consumista do americanismo não era visto com bons olhos por uma significativa fração do oficialato das Forças Armadas brasileiras. Os militares identificavam a produção em massa das indústrias de bugigangas dos norte-americanos com os desvarios de uma sociedade excessivamente materializada e mercantilizada. Naquele momento, o modelo autárquico experimentado pela Alemanha nazista era um paradigma aparentemente mais adequado para muitos militares brasileiros."

(Antonio Pedro Tota, O Imperialismo Sedutor. São Paulo, Companhia das Letras, 2000, p. 23)
O fragmento acima retrata divisões nos meios militares brasileiros dentro do contexto da Segunda Guerra Mundial. Essa divisão:

a) manifesta-se na primeira metade da década de 30 e é provocada, sobretudo, pela presença, nas Forças Armadas brasileiras de grande quantidade de oficiais formados na Alemanha nazista.
b) ocorre nos últimos anos de guerra e é fruto das vitórias obtidas pela Alemanha nessa fase, associadas, principalmente, ao medo de que a vitória aliada significasse o início do expansionismo militar dos Estados Unidos sobre a América Latina.
c) inicia-se com o final da guerra e dá ao Brasil uma posição neutra no cenário da Guerra Fria que se instalou após os acordos de paz assinados pelos países participantes no conflito armado.
d) ilustra a posição ambígua que o Brasil teve nos primeiros anos da guerra, oscilando entre o apoio às forças aliadas e a simpatia, inclusive de setores governamentais, pelos países do Eixo.
e) representa a capacidade democrática do Exército brasileiro e a disposição de acomodar posturas políticas divergentes em suas fileiras, desde que todos atuem unidos na defesa da segurança nacional.

alternativa D
Resolução: A Segunda Guerra Mundial foi a grande contradição do governo Vargas e essa situação refletiu-se nas forças armadas. Politicamente o governo desenvolvia uma política semelhante a do fascismo do Eixo, porém dependia economicamente dos EUA.



9) O período militar brasileiro recente (1964-1985):

a) destacou-se pelo forte crescimento econômico nacional, associado à aplicação de vários projetos voltados à diminuição das diferenças sociais e à superação das barreiras entre as classes.
b) ocorreu simultaneamente à presença de ditaduras militares em outros países latino-americanos, como a Argentina, o Chile e o Uruguai, o que caracteriza uma fase militarista na história latino-americana.
c) caracterizou-se pela preservação da democracia, a despeito da disposição autoritária de alguns grupos militares, que desejavam suprimir direitos políticos de membros da oposição.
d) iniciou-se com o golpe militar que depôs o presidente João Goulart e encerrou-se com as eleições presidenciais diretas e a convocação da Assembléia Constituinte ao final do governo Médici.
e) contou com forte presença militar e política dos Estados Unidos, que utilizaram o território brasileiro como base para a instalação de mísseis anticubanos, dentro do cenário da Guerra Fria.

alternativa B
Resolução: A formação de governos militares na América Latina esta associada à Guerra Fria e a crise do populismo em diversos países, e interessava a política norte americana no sentido de evitar governos amparados pelos trabalhadores organizados e ao mesmo tempo ampliar sua influência econômica.

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