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China busca desenvolver as províncias ocidentais

ECONOMIA -- The New York Times -- 08/11/2000
China busca desenvolver as províncias ocidentais

S. Smith

CHENGDU, China - Foi um momento solene. Em meio ao ruído das taças de vinho e da melodia de violinos, em um salão decorado com candelabros, aqui na região montanhosa da província de Sichuan, 300 empresários ocidentais e um número equivalente de autoridades chinesas, fizeram um brinde ao "Grande Desenvolvimento Ocidental" da China.

Mas, dessa vez não foram os estrangeiros que lideraram o brinde, como teria sido o caso naqueles dias em que as fronteiras ocidentais da China eram o objeto do Grande Jogo britânico e russo para decidir quem dominaria a Ásia Central. Agora, a iniciativa partiu de Pequim, que espera que o capital estrangeiro ajude a aquecer a economia da sua região ocidental, que apresenta diversidade étnica, antes que a disparidade entre os níveis de vida naquela área e na parte oriental do país, dominada pela etnia han, que é mais próspera, acabe estimulando movimentos de independência nas fronteiras do país.

"Vão para o Oeste, jovens han", é a mensagem de Pequim para a juventude chinesa, que possui altos níveis de educação formal nos dias de hoje, em uma demonstração de qual é o foco do próximo plano qüinqüenal do país. Um esboço desse plano, que traz as diretrizes para a política econômica chinesa até 2005, e que deve ser oficialmente divulgada no ano que vem, afirma que o desenvolvimento do Oeste da China se constitui em "uma tarefa hercúlea e histórica", que deve realizar "verdadeiras revoluções na criação de infraestrutura e na preservação do meio ambiente", no próximo período de cinco a dez anos.

O governo possui uma longa lista de projetos de desenvolvimento para cuja realização gostaria de contar com investimentos estrangeiros, incluindo um gasoduto de quatro mil quilômetros, no valor de US$ 14 bilhões (R$ 27,8 bilhões), que deve ligar a província ocidental de Xinjiang à capital comercial litorânea, Xangai. Além disso, a China está ainda solicitando a agências de desenvolvimento, como o Banco de Desenvolvimento Asiático, o Banco Mundial e o Programa de Assistência Japonês para Desenvolvimento Oficial, que concentrem os seus esforços na região ocidental do país.

No entanto, até o momento, a campanha não conta nem com verbas nem com uma estratégia coesa. O governo deve gastar quase US$ 4 bilhões (R$ 7,9 bilhões) neste ano com infraestrutura para as regiões ocidentais, embora não tenha divulgado o quanto desse valor representa um acréscimo em relação ao ano passado.

Quando foi perguntado, durante a conferência de Sichuan, sobre quanto Pequim investiria na área ocidental, Li Zibing, o vice-diretor do Departamento de Desenvolvimento Ocidental do governo, disse apenas que seria "uma grande soma". Ele preferiu enfatizar as oportunidades que estariam presentes na região para os investidores estrangeiros.

A região ocidental da China inclui 12 províncias, ou "regiões autônomas", incluindo Xinjiang e o Tibete. A área é quase do tamanho da Austrália, e com os seus vastos desertos, densas montanhas e cidades isoladas, é um local quase tão hospitaleiro para visitantes quanto o árido interior australiano. Apesar disso, a população da região é equivalente às dos Estados Unidos e do México combinadas.

A maior parte da população local leva uma vida bastante modesta, com salários que equivalem a apenas um terço daqueles da próspera zona costeira. A renda per capita da isolada província de Guizhou corresponde a apenas 8% daquela de Xangai.

"Todos aqui falam sobre o desenvolvimento do Oeste, mas o problema é que, para isso, necessita-se de dinheiro", diz um motorista de táxi de meia-idade em Urumuqi, a capital de Xinjiang, onde faixas estimulando o desenvolvimento da região estão penduradas pelas ruas e nos ônibus públicos. Hordas de trabalhadores migrantes desempregados se aglomeram diariamente na interseção da Estrada da Liberação, trazendo placas penduradas ao pescoço, onde fazem propaganda de suas habilidades profissionais. No muro branco que cerca um campo de obras, há uma inscrição em letras vermelhas garrafais: "Realize o grande desenvolvimento do Oeste, acelere o ritmo das reformas".

Mas, ao contrário da colonização do Oeste norte-americano, no qual o governo dos Estados Unidos tomou as terras dos índios e as doou aos colonos, na China, a política governamental de proibição da propriedade privada da terra significa que o governo tem muito pouco a oferecer aos cidadãos, em troca da motivação para o seu impulso de desenvolvimento do Oeste.

E, enquanto que o Oeste dos Estados Unidos contava com uma outra costa para auxiliar no desenvolvimento do comércio, a fronteira ocidental da China é uma muralha montanhosa que separa o país da Ásia Central, uma região ainda mais pobre.

Os empresários ocidentais estão, em sua maioria, observando e aguardando para ver o que as políticas da campanha governamental vão gerar. Até o momento, muito pouco de concreto foi anunciado. Pequim anunciou que vai ampliar as isenções fiscais para os investidores estrangeiros que aplicarem no Oeste, mas já há regiões muito mais desenvolvidas no país que oferecem benefícios similares. E o governo afirma que vai estabelecer quatro zonas econômicas especiais na região ocidental, que darão aos investidores o mesmo tratamento preferencial existente nas zonas similares da costa. Mas, após a China se juntar à Organização Mundial do Comércio e as barreiras comerciais caírem, tais zonas não oferecerão os mesmos atrativos, que são característicos de uma época em que a economia chinesa é mais restrita.

"As multinacionais estão observando os riscos e indagando, 'Será que eu invisto em Xangai ou em Chengdu?', e a resposta atual é provavelmente Xangai", afirma Bruce Murray, representante do Banco de Desenvolvimento Asiático, na China.

As empresas que investiram na região ocidental por solicitação do governo afirmam que as estradas precárias, a rede de telecomunicações muito lenta e a ausência de talentos locais são fatores que dificultam a realização de negócios de sucesso na área.

Por exemplo, para se chegar à Fábrica de Semicondutores On, em Sichuan, os caminhões e automóveis dos diretores da empresa têm que navegar em meio a um tumultuado mercado rural todos os dias. E, antes que fosse inaugurada uma nova auto-estrada no ano passado, os caminhões carregados de semicondutores tinham que enfrentar uma jornada de três horas, por estradas esburacadas, a fim de chegarem a Chengdu, a capital da província.

"A infraestrutura é o maior problema para aqueles que querem chegar às províncias ocidentais da China", diz o chefe da Asia Pacific, Henry Leung. Segundo ele, um outro desafio é arranjar pessoal qualificado. Poucos jovens chineses que possuem instrução desejam morar na remota província de Sichuan, onde a parceira comercial da On, uma fábrica de rádios, foi instalada na época em que Mao Tse-Tung estava promovendo a transferência das indústrias estratégicas para o montanhoso interior do país, a fim de protegê-las de uma potencial invasão militar norte-americana.

Muitos dos chineses de etnia han que vivem no Oeste, foram para lá durante a primeira onda desenvolvimentista rumo à região, no final dos anos 50 e início dos 60. A maioria deles se fixou no local, mesmo após as restrições às viagens terem sido suspensas na década de 80, já que o sistema chinês de registro domiciliar exige que as pessoas permaneçam em suas moradias originais, a fim de receberem educação e outros benefícios previdenciários. Agora, os filhos mais brilhantes daqueles pioneiros estão retornando ao Leste. Apesar dos apelos feitos pelo governo, é muito difícil que eles decidam ficar nas províncias ocidentais.

Murray, do banco de desenvolvimento, juntamente com outros especialistas em desenvolvimento, afirma que o governo central da China faria um melhor negócio se investisse o dinheiro de que dispõe em estradas e linhas telefônicas, bem como no sistema de saúde e de educação, estimulando assim a criação de infraestrutura comercial nas províncias ocidentais. Ele acha ainda que o governo chinês deveria remover as restrições sobre os acordos comerciais, de forma que o mercado pudesse se expandir. Murray diz que teme que o governo parta para uma estratégia de endividamento, fazendo com que os bancos estatais tenham que recorrer a empréstimos, em um momento em que eles lutam para enxugar os déficits acumulados devido aos financiamentos mal planejados feitos a indústrias chinesas obsoletas, nos anos 80 e 90.

De fato, o presidente do banco central da China, Dai Xianglong, já solicitou aos bancos estatais que apóiem o programa de desenvolvimento das províncias ocidentais. Um dos maiores bancos, o Banco Industrial e Comercial da China, respondeu ao apelo, afirmando que vai aumentar a proporção dos seus empréstimos às províncias ocidentais.

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