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O General em seu Labirinto

TÍTULO: O GENERAL EM SEU LABIRINTO
AUTOR: GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ
EDITORA: RECORD

Símon Bolívar, general e político sul-americano que libertou sete países dos domínios espanhóis, estava desiludido com a política no final de sua vida. Ele tinha "a melancólica certeza de que havia de morrer na cama, pobre e nu, e sem consolo da gratidão pública". Os últimos instantes, marcados pela tuberculose, foram recheados por leituras como Cervantes - era a certeza de que os maiores enganados do mundo tinham sido Cristo, o Quixote e ele próprio.
A ficção histórica O general em seu labirinto, de Gabriel Garcia Márquez, do prêmio Nobel em 1982, tem como personagem principal Bolívar, que esperava a morte viajando pelas cidades venezuelanas à margem do rio Magdalena. Mas, queria embarcar no porto para a Inglaterra, a caminho da qual terminaria sua história. À primeira vista, o espaço de tempo escolhido por Márquez para retratar a vida do general aparenta ser entediante. Afinal, a vida de Simón Bolívar foi repleta de batalhas e incursões pela Grã-Colômbia. Mas, após a leitura, reconhece-se que esse momento é de suma importância, quando há reflexões e monólogos do personagem. Bolívar é um corpo inválido que permanece vivo, alimentado pela memória. O general em seu labirinto
O general em seu labirinto ilustra a relação existente entre História, sociedade e literatura. Nas lições de Antônio Candido, essa relação é o "movimento dialético que engloba a literatura e a sociedade num vasto sistema solidário de influências recíprocas". Esta afirmação ratifica a idéia de que não só o autor recebe matéria-prima da sociedade e da história, como ambas também sofrem influência das obras literárias. Além do condicionamento social, cultural, econômico e político, o escritor também expressa suas concepções ideológicas e sua visão de mundo. Outros exemplos dessas relações são as obras literárias de Tolstói, que refletem traços essenciais da Revolução Russa e que ajudaram a classe operária a conhecer melhor seus adversários.
Simón Bolívar, um personagem singular e contra- ditório, ao mesmo tempo em que possuía um discurso democrático, defendia um poder vitalício, hereditário e autocrático. "El Libertador", como era conhecido, alcançou a independência utilizando escravos em seu exército. E como todo mito que se preze, não pode ser definido de uma única maneira. Entre os dois extremos desdobra-se uma gama incontável de "Bolívares", cada qual com seu emaranhado de fábulas e controvérsias. Nessa linha, surgiram diversas obras. Em 1851, Salvador de Madarioga, responsável pela primeira biografia do general, revelou uma imagem negativista, assim como ele mesmo se chamou como a feita por Diego Carbonell em Psicopatologia de Bolívar. Por outro lado, em 1942, Vicente Lecuna e Vallenilla Sauz se encarregaram de transformá-lo em um mito sacralizado sob um discurso religioso. A versão de Garcia Márquez equilibra, pois não questiona. Permite que ele se auto defina, mesmo que sem o compromisso com a realidade.
Interpretações à parte, Simón Bolívar gostava de afimar: "Yo no soy Napoleón ni quiero serlo; tampouco quiero imitar César, aún menos ltúrbide".


Por Camila Saraiva

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