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Alemanha tem mais de 9000 neonazistas e 'skinheads'

INTOLERÂNCIA -- Le Monde -- 08/08/2000
Daniel Vernet, correspondente

BERLIM - Os neonazistas e os "skinheads" ("carecas") encontraram no desamparo da antiga República Democrática Alemã (RDA) um terreno ideal para arrebanhar recrutas em meio aos jovens. Segundo a Central de Proteção da Constituição (um órgão de informação interna do governo de Berlim), os cinco Estados regionais da antiga Alemanha do Leste, que correspondem a cerca de 21% da população alemã atual, abrigam mais da metade da população de "cabeças raspadas" recenseada em todo o país.

É a província da Renania, ao Norte da Vestfália, a mais povoada do país, que detém o triste recorde de atos de violência extremista. Entretanto, quando esse números são comparados com o tamanho da população, o Leste é o grande vencedor: em média, são 2,19 agressões de estrangeiros e incêndios criminosos anti-semitas para cada 100 000 pessoas na ex-RDA em 1999, com um coeficiente máximo de 3 em Saxônia-Anhalt, contra 0,68 nas províncias do Oeste.

O desemprego, que atinge em certas zonas de deserto industrial mais de 25% da população, contra menos de 10% em escala nacional, em nada colabora para melhorar a situação. Todavia, o mal-estar parece ter suas raízes num plano mais profundo. A ditadura que imperou por tantos anos na Alemanha Oriental deixou marcas nas mentalidades, algo que só o passar de novas gerações pode apagar. "A RDA era um Estado forte que impunha uma ordem absolta", explica o deputado europeu neocomunista Andre Brie, no diário "Berliner Zeitung". A obediência à autoridade, o respeito da hierarquia e a nostalgia de um mundo sem surpresa oferecem, segundo ele, um adubo ideal para o crescimento do neonazismo.


A missão do NPD

A revolta também o é, já que após dez anos de reunificação as riquezas permanecem distribuídas de forma muito desigual. Em 1999, os serviços de informações internos constataram um aumento da violência imputada à extrema direita (+ 5,4% em relação ao ano anterior), embora o número de simpatizantes e de militantes de extrema direita tivesse diminuído (52 400), seguindo uma tendência que vem crescendo desde 1996. Apesar disso, entre esses militantes, a proporção de pessoas potencialmente violentas aumentou: eram 9 000 no final de dezembro, ou seja 10% a mais que um ano antes.

Os "skinheads" formam a esmagadora maioria dessa população. Para a Central de Proteção da Constituição, eles se diferenciam dos neonazistas pelo fato de pertencerem a uma "subcultura que os coloca em margem da sociedade. Um comportamento marcial, uma música agressiva e um consumo excessivo de álcool são as manifestações mais características de seu comportamento". As músicas de uma centena de grupos, cujas letras são impregnadas de ódio, desempenham um papel ativo na difusão de suas idéias, beneficiando com freqüência cada vez maior dos recursos oferecidos pela Internet.

Já, os neonazistas não costumam apresentar sinais aparentes de sua orientação política. Eles eram 2 200 em 1999, espalhados por 49 organizações na maioria regionais, e até mesmo locais. O mais radical dos partidos de extrema direita, o NPD, que não é proibido, afirma ter por missão a "politização dos ‘skinheads’ ".

Com efeito, os serviços de informações internos notam um fluxo regular de filiações ao partido ou à sua organização voltada para a juventude, os Jovens Nacionais-democratas, por parte de chefes de bandas de "skinheads", os quais são seguidos depois pelos seus comandados.

Em muitos casos, o NPD coloca seus locais à sua disposição, convida-os para organizar seus shows ou ainda organiza os esquemas de transportes até os locais das manifestações, as quais, em troca, os "skinheads" se encarregam de divulgar.

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