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Brasil: Mais de 500 - Igreja católica no Brasil pede perdão

Além das comemorações que estão acompanhando o "Brasil 500 anos", esse momento deve ser também, uma oportunidade de reflexão histórica, principalmente por parte de setores que nesses 5 séculos se fortaleceram, em detrimento da maioria da população, ontem indígena, negra-escrava e hoje representada por uma imensa camada de miseráveis e excluídos da "democracia" e do "Estado de Direito".
Uma das principais instituições ao longo de nossa história é a Igreja Católica. Presente no Brasil desde os primórdios do período colonial, a Igreja quase sempre esteve ao lado do poder, quer na Colônia, no Império ou na República. Os primeiros representantes da Igreja Católica, os padres jesuítas, chegaram ao Brasil em 1549, com o primeiro Governador Geral, Tomé deSouza, e fundaram o primeiro bispado na cidade de Salvador, então capital da colônia. A expansão da Igreja acompanhou a própria expansão da colonização na medida em que, a cada nova Vila fundada, uma capela era erguida. No entanto, a principal ação dos jesuítas deu-se frente aos indígenas, que deveriam ser catequisados como parte do movimento de Contra Reforma, que seguindo as decisões do Concílio de Trento, procurava expandir o catolicismo para os vários povos de todos os continentes. A ação de catequese junto aos índios foi possível na medida em que a Igreja de Roma havia chegado a conclusão de que os silvícolas possuíam alma, portanto poderiam ser salvos.
A partir de então, os jesuítas preocuparam-se em levar aos povos indígenas os ensinamentos cristãos e para isso foram organizadas as missões ( ou reduções) onde os indígenas aprendiam a língua portuguesa, os costumes e a moral católica, aprendiam ainda a trabalhar com os instrumentos trazidos pela nova cultura, apresentada como superior e responsável pela desagregação de várias tribos.
A força e influência política dos jesuítas e os interesses no tráfico de escravos negros, fez com que o Estado proibisse a escravidão indígena, permanecendo porém essa possibilidade a partir da "guerra justa", responsável pela escravidão do índio, mesmo que em menor número quando comparado com a escravidão negra.
A presença do jesuíta também teve grande importância nas cidades coloniais, onde as poucas escolas que existiam eram controladas por eles. Dessa forma, os filhos dos fazendeiros eram educados pelos padres e em parte essa situação reproduzia o que ocorria na metrópole, homens que ocupariam cargos públicos, explicando a atitude do Marquês de Pombal em 1759, que expulsou os jesuítas de Portugal e de todas as suas colônias.
Durante o Primeiro Reinado (governo de D. Pedro I entre 1822 e 1831), a Constituição outorgada de 1824, determinou o catolicismo como religião oficial, ou seja, imposta e controlada pelo Estado, sendo que esta situação foi mantida até a Proclamação da República.
No dia 20 de março o jornal Folha de São Paulo conseguiu uma cópia de um documento guardado sob sigilo pela Igreja Católica no Brasil. Trata-se de uma carta de 21 páginas que circula desde o começo de março entre os bispos que formam o episcopado brasileiro. A carta contém a intenção da Igreja em se desculpar publicamente pelos "erros do passado" e pelas "faltas do presente".
Por tratar-se ainda de um anteprojeto, não existe uma divulgação oficial. O texto conduzirá as discussões da próxima assembléia geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), marcada para o final de abril em Porto Seguro. Da assembléia sairá o texto final que apresentará uma análise dos 500 anos de evangelização.
No documento, a Igreja já anunciou que pedirá perdão pelos abusos cometidos contra os índios durante o período colonial, além de reconhecer sua própria omissão no combate à escravização dos negros.
A novidade do texto, é um conjunto de 11 páginas reservadas para uma análise do Brasil no final do século XX, colocando a comunidade católica como co-responsável pela desigualdade social e violência nos dias de hoje. Sobre esse tema, o texto afirma que nos anos 80 o Brasil poderia ter superado o modelo que "favoreceu o lucro e o esbanjamento de uma minoria", tendo contudo ocorrido o contrário, com o aumento da distância entre o povo e a classe política. O Estado, divorciado dos cidadãos, não conseguiu "garantir a segurança contra a violência e agressões". A mídia, "particularmente a televisão", aproveitou-se dessa lacuna, tornando-se cada vez mais poderosa.
A carta critica também a "mentalidade individualista e hegemônica, aliada ao culto da eficiência e da produtividade". Tal visão induziu um comportamento que transformou "a preocupação de ganhar dinheiro em valor supremo", provocando "o enfraquecimento da ética no exercício das profissões e na gestão dos recursos públicos".
Em outro trecho, o documento ataca o preconceito que as mulheres ainda enfrentam na sociedade brasileira, denunciando a violência doméstica e as diferenças salariais entre os sexos, mas omite por outro lado, a postura do Vaticano em proibir a ordenação feminina.
Apesar de elaborado pela ala progressista do clero, aquela que acredita nos princípios cristãos como meios para justiça social, o documento exclui dois problemas: as perseguições aos judeus nos séculos XVI, XVII e XVIII, e a intolerância de parte do clero pelos homossexuais. O texto do documento é finalizado com um apelo à preservação do meio ambiente.

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