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Vestibulares

Unicamp 2011 fase 2

UNICAMP 2011
Segunda fase do vestibular da UNICAMP, realizada em janeiro de 2011
 

1.  É interessante notar que o Brasil padece de quase todas as patologias institucionais identificadas como fatores responsáveis pela elevação do custo de governar: tem um sistema presidencialista; é uma federação; possui regras eleitorais que combinam um sistema de lista aberta com representação proporcional; tem umsistema multipartidário com partidos políticos considerados débeis na arena eleitoral; e tem sido governado poruma ampla coalizão no Congresso.
 
(Adaptado de Carlos Pereira e Bernardo Mueller, Comportamento estratégico em presidencialismo de coalizão: as relações entre o Executivo e Legislativo na elaboração do orçamento brasileiro. Dados Revista de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, 2002, v. 45, n. 2, p. 2.)
 
a) O Congresso Nacional no Brasil é formado pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, exercendo asfunções de legislar e fiscalizar. Qual a diferença básica, no sistema bicameral, entre o Senado Federal e aCâmara de Deputados?
b) Qual a diferença entre Estado e governo?
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) O Senado é um organismo legislativo que representa os Estados da Federação, por isso todos os estados têm o mesmo número de representantes – três – com um total de 81 membros com mandato de 8 anos. Já a Câmara dos Deputados representa a população dos estados e o número é definido proporcionalmente, sendo o número máximo 70 e o mínimo 8, com mandato de quatro anos.
 
b) o Estado é a instituição política que organiza uma determinada sociedade a partir de uma legislação complexa, que normalmente congrega elementos da mesma nação e é, portanto, permanente; já o governo é responsável pela administração do Estado em seu dia-a-dia, desde a elaboração das leis que regem o Estado até a sua execução, em seus mais diferentes níveis, e normalmente existe por um período definido (um mandato em democracias)
 
 
 
2.  A Ilíada, epopeia guerreira, sucede a Odisseia, pacífica coletânea de lendas e aventuras marítimas. Esse contraste corresponde a uma mudança, quando os povos da região renunciam às lutas em territórios muito estreitos e se voltam para os países longínquos. Os poemas homéricos são contemporâneos da grande expansão marítima dos fenícios e a Odisseia está cheia de violências e rapinas de todo tipo praticadas pelos fenícios, apresentados como mercadores descarados e bandidos sem escrúpulos; mas devemos levar em conta, nessas narrativas, as rivalidades comerciais.
 
(Adaptado de J. Gabriel-Leroux, As primeiras civilizações do Mediterrâneo. São Paulo: Martins
Fontes, 1989, p. 67-68.)
 
a) Segundo o texto, quais seriam as razões históricas da diferença entre a Ilíada e a Odisseia?
b) Como a organização política de fenícios e gregos os diferenciava da civilização egípcia?
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) Segundo o texto a Ilíada retrata uma grande aventura militar, durante a Guerra de Tróia, quando povos gregos desenvolveram uma política de expansão. A Odisséia retrata a relação amistosa entre os povos gregos, num contexto marcado pela expansão do comércio.
 
b) Tanto os fenícios como os gregos antigos se organizavam politicamente em cidades-estado, ou seja, as cidades eram unidades políticas soberanas e não estavam subordinadas a um governo central. Isso significa que para essas duas sociedades, o fato de pertencerem a um povo não significou a formação de uma nação. Na antiguidade fala-se em povo fenício, mas não existiu um “Estado fenício” e o mesmo ocorreu com os gregos, pois tratamos de povo grego ou da mitologia grega e não existiu a Grécia enquanto Estado.
 
 
 
3.  No início do século XIV, o inquisidor Bernardo Guy escreveu um Manual do Inquisidor, no qual descrevia como se ingressava na seita herética que ficou conhecida pelo nome de pseudoapóstolos: “Perante algum altar, na presença de membros da seita, o candidato se despe de suas roupas, como sinal de renúncia a tudo que possui, para seguir com perfeição a pobreza evangélica. Também se exige que ele prometa não obedecer a nenhum mortal, mas só a Deus, como se fosse um apóstolo sujeito apenas a Cristo e a ninguém mais.”
 
(Adaptado de Nachman Falbel, Heresias medievais. São Paulo: Perspectiva, 1977, p. 66.)
 
a) Por quais razões essa heresia era uma ameaça para a Igreja do período?
b) Caracterize a relação entre o poder religioso e o poder temporal na baixa Idade Média.
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) por que colocava o individuo em contato direto com Deus e portanto desprezava a importância da Igreja Católica. Segundo a instituição religiosa, a Igreja era a formada pelos representantes de Deus na terra e a única que poderia guiar e salvar os homens.
 
b) a baixa idade média é um período caracterizado por transformações, época das cruzadas e do renascimento comercial e urbano. Para a maioria dos autores, esse período coincide com a formação das monarquias nacionais, quando o poder real tendeu a se fortalecer, o que implicou em perda do espaço por parte da Igreja Católica. Ao mesmo tempo as relações entre reis e papas se redefiniram, pois a Igreja e a religião foram importantes instrumentos dos governantes para reforçar seu poder e isso pode ser entendido como um equilíbrio entre os poderes temporal e religioso.
 
 
 
4.  Uma análise das lutas suscitadas pela ocupação holandesa no Brasil pode ajudar a desconstruir ideias feitas. Uma tese tradicional diz respeito ao reforço da identidade brasileira durante as lutas com os holandeses: a luta pela expulsão dos holandeses seria obra muito mais dos brasileiros e negros do que dos portugueses. Já a tese que critica essa associação entre a experiência da dominação holandesa e a gênese de um sentimento nativista insiste nas divisões – no âmbito da economia açucareira – entre senhores de engenho excluídos ou favorecidos pela ocupação holandesa.
 
(Adaptado de Diogo Ramada Curto, Cultura imperial e projetos coloniais (séculos XV a XVIII). Campinas: Editora da Unicamp, 2009, p. 278.)
 
a) Identifique no texto duas interpretações divergentes a respeito da luta contra a dominação holandesa no Brasil.
b) Mencione dois fatores que levaram à invasão de Pernambuco pelos holandeses no século XVII.
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) uma interpretação considera que a luta contra os holandeses foi movida por um elemento ideológico, abstrato, o sentimento de pertencer a uma “nacionalidade” – a brasileira - e de pertencer a um país, o Brasil, ocupado por elementos estrangeiros. A segunda interpretação valoriza os interesses econômicos, considerando que a luta pela expulsão dos holandeses se deve aos processo de exploração imposto aos latifundiários ligados a produção canavieira.
 
b) o interesse dos holandeses – na verdade da WIC – no comércio do açúcar, já praticado pelos holandeses antes mesmo da União Ibérica; e a luta contra a Espanha, maior potência da época, da qual a Holanda havia se separado em 1579.
 
 
 
5.  Na Inglaterra, por volta de 1640, a monarquia dos Stuart era incapaz de continuar governando de maneira tradicional. Entre as forças sociais que não podiam mais ser contidas no velho quadro político, estavam aqueles que queriam obter dinheiro, como também aqueles que queriam adorar a Deus seguindo apenas suas próprias consciências, o que os levou a desafiar as instituições de uma sociedade hierarquicamente estratificada.
 
(Adaptado de Christopher Hill, “Uma revolução burguesa?”. Revista Brasileira de História, São Paulo, vol. 4, nº 7, 1984, p. 10.)
 
a) Conforme o texto, que valores se contrapunham à forma de governo tradicional na Inglaterra do século XVII?
b) Quais foram as consequências da Revolução Inglesa para o quadro político do país?
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) pode-se dizer que UM grande valor se contrapunha a monarquia Stuart, a Liberdade. Segundo o texto, a ascensão da burguesia no plano econômico se fazia sentir também na vida política e essa classe pretendeu ocupar lugar de comando na vida do país. Dentro do mesmo contexto se desenvolveu a oposição a religião do Estado, o anglicanismo, e esta foi dirigida principalmente pelos puritanos, grande parte deles burgueses, com o argumento de que a religião deveria se desvincular do Estado.
 
b) A Revolução Inglesa – puritana e gloriosa – foi responsável pela eliminação do absolutismo na Inglaterra e pela adoção de um modelo baseado no Parlamento. A monarquia parlamentarista inglesa foi o primeiro modelo político liberal na história moderna e esteve baseada nos princípios iniciais do iluminismo a partir das teorias de John Locke.
 
 
 
6.  Em 1869, o deputado Bento de Paula Souza discursou na Assembleia Legislativa da Província de São Paulo em defesa da imigração: “Nós queremos os americanos como paulistas novos, como paulistas adotivos, homens prestimosos, que escolham a província como sua nova pátria, e queremos os alemães como trabalhadores, como homens produtivos, que venham aqui habitar. Tanto uns como outros, os receberemos com o mesmo entusiasmo”.
 
(Adaptado de Célia Maria Marinho de Azevedo, Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites – século XIX. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 145.)
 
a) Caracterize o contexto internacional que permitia ao deputado paulista esperar uma imigração de norte-americanos.
b) Aponte duas características da imigração para o sul do Brasil que a diferenciem da imigração para a província de São Paulo.
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) Os Estados Unidos viviam os efeitos iniciais do pós Guerra de Secessão, terminada em 1865 com a derrota dos latifundiários sulistas, forçados a abolir a escravidão definitivamente. Muitos proprietários rurais faliram durante ou após a Guerra e os estados do sul sofreram intervenção do governo central.
 
b) Note que o texto não faz referência à imigração para o sul do país. No mesmo contexto, áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina foram povoadas a partir do incentivo governamental, com o propósito de consolidar a ocupação daquelas regiões – antes e depois da Guerra do Paraguai. Tal povoamento foi realizado com a concessão de terras às famílias de imigrantes, que se tornaram pequenos proprietários, num processo diferente do que ocorria no restante do país, onde o imigrante era praticamente proibido de se tornar proprietário.
 
 
 
7.  Quando Colin Powell chegar às Nações Unidas hoje para defender a guerra contra Saddam Hussein, as Nações Unidas planejam cobrir a obra-prima de Picasso, “Guernica”, com uma capa azul. Repórteres e câmeras irão cercar o secretário de Estado (cargo equivalente ao de ministro das Relações Exteriores) na entrada do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde a reprodução de “Guernica” está pendurada. De fato, Powell não pode convencer o mundo sobre a necessidade de bombardear o Iraque cercado por mulheres, homens, crianças, touros e cavalos aos gritos e mutilados.
 
(Adaptado de Maureen Dowd, “Powell without Picasso”.
http://www.nytimes.com/2003/02/05/opinion/powell-without-picasso.html. Acesso em 06/12/2010.)
 
IMAGEM AO LADO 
 
a) Quais eram as mensagens incompatíveis entre a fala de Colin Powell e a obra Guernica de Picasso?
b) Identifique os acontecimentos políticos associados à obra Guernica.
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) Colin Powell defenderá uma postura belicista dos Estados Unidos, que pretendem (2003) invadir e ocupar o Iraque, enquanto que o famoso quadro de Picasso é um libelo contra a guerra, uma obra que denuncia as atrocidades cometidas durante a Guerra Civil Espanhola quando a avião alemã bombardeou a vila de Guernica.
 
b) a Guerra Civil Espanhola está associada ao processo de modernização da Espanha, dirigido pelos republicanos, com apoio dos grupos de esquerda e rechaçado pelos grupos conservadores – latifundiários, Igreja e militares – que apoiaram a ascensão do fascismo na Espanha, em uma época em que ele também se afirmava na Alemanha, Itália e Portugal.
 
 
  
8.  Vinte anos depois da promulgação da Constituição de 1988, é difícil imaginar como um país com graves problemas econômicos e recém-saído de uma longa ditadura militar foi capaz de escrever seu futuro numa Constituição que foi chamada de “Constituição Cidadã”.
 
(Adaptado de Ricardo Amaral, “Memórias da última batalha ideológica”. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI12361-15273,00.html. Acesso em 18/11/2010.)
 
a) Por quais razões a Constituição de 1988 foi apelidada “Constituição Cidadã”?
b) Quais eram os “graves problemas econômicos” que afetavam o Brasil no contexto de transição da ditadura militar para o regime democrático?
 
  
Gabarito/Resolução:
 
a) Assim denominada pelo Deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Constituinte, valorizava o resgate das liberdades democráticas e de um conjunto de direitos que reforçavam a participação política e demais direitos políticos, após vinte e um anos de ditadura.
 
b) Os “anos 80” são normalmente entendidos como “a década perdida” devido aos problemas econômicos e a estagnação vivida pelo país. O problema mais evidente era a inflação, que durante o governo Sarney atingiu o mais alto índice de nossa história e foi responsável pela elaboração de quatro planos econômicos diferentes. A dívida externa, o desemprego e o atraso no desenvolvimento industrial são outros problemas da época.
 
 
 
9.  Existem épocas em que os acontecimentos concentrados num curto período de tempo são imediatamente vistos como históricos. A Revolução Francesa e 1917 foram ocasiões desse tipo, e também 1989. Aqueles que acreditavam que a Revolução Russa havia sido a porta para o futuro da história mundial estavam errados. E quando sua hora chegou, todos se deram conta disso. Nem mesmo os mais frios ideólogos da guerra fria esperavam a desintegração quase sem resistência verificada em 1989.
 
(Adaptado de Eric Hobsbawm, “1989 – O que sobrou para os vitoriosos”. Folha de São Paulo, 12/11/1990, p. A-2.)
 
a) No contexto entre as duas guerras mundiais, quais seriam as razões para a Revolução Russa ter simbolizado uma porta para o futuro?
b) Identifique dois fatores que levaram à derrocada dos regimes socialistas da Europa após 1989.
 
 
 
Gabarito/Resolução:
 
a) A Revolução Russa representou, no início do século, a possibilidade de construção de sociedades mais justas e igualitárias, de destruição de um modelo capitalista opressor e concentrador de riquezas e estimulou milhões de pessoas, principalmente trabalhadores e jovens, em diversos países do mundo, a uma luta política pela construção de um novo mundo.
 
b) O ano de 1989 tornou-se emblemático para a crise do socialismo, com a “queda do muro de Berlim”, símbolo da divisão do mundo em blocos antagônicos, que é a principal característica da Guerra Fria. A queda do muro apenas refletiu a crise do modelo soviético, estagnado há décadas, tanto que foi mais uma festa do que uma revolução. A crise do modelo soviético está associada a incapacidade da antiga URSS manter sua política de corrida armamentista que tentava acompanhar os Estados Unidos e pela debilidade de seu potencial industrial.
 
 
 

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