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Brasil República

Pedro e os Lobos

Golpe fatídico

Sargentos! Infelizmente, o senhor presidente da República, o comandante-chefe das Forças Armadas, transformou-se no principal agente do comunismo internacional em nosso país. Resolvi opor-me a esse ato de traição aos destinos do Brasil e ordenei que as tropas de nossa Divisão de Infantaria marchem sobre o Rio de Janeiro para depor um presidente que se esqueceu dos seus deveres para com o povo. [...]

  Olympio Mourão Filho, 31/03/64

   

Madrugada do dia 31 de março. Em Juiz de Fora, o general Olympio Mourão Filho decide pôr em marcha as tropas da 4ª Região Militar e da 4ª Divisão de Infantaria. O destino da coluna é a Guanabara — que nessa época ainda mantém parte da estrutura da administração federal — e a missão será a derrubada imediata do presidente da República.

Minas Gerais está oficialmente rebelada. E em todo seu território passa a vigorar o Código Penal Militar que prevê fuzilamento para crimes cometidos em estado de guerra. Nas páginas de seu diário, Mourão Filho descreve, de forma bastante peculiar, os detalhes da hora H desse dia D:

 

Eram cerca de seis e quarenta. Levei bem uns cinquenta ou cinquenta e cinco minutos dando ordens. Que sentia? Nada vezes nada. Não direi isto a ninguém porque ninguém vai acreditar. Nada vezes nada. Tive a sensação estranha de estar vendo outra pessoa fazendo tudo aquilo. Sensação de ácido lisérgico. Eu estava de pijama e roupão de seda vermelho. Posso dizer, com o orgulho da originalidade: Creio ter sido o único homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolução de pijamas.

 

 A atitude precipitada de um general de apenas três estrelas nos ombros do jaquetão pega de surpresa a cúpula das Forças Armadas e vários dos governadores oposicionistas. Todos esperavam o desfecho do golpe para o início de abril, desde que não fosse o primeiro dia, considerado, internacionalmente, como o da mentira.

Mesmo assim, a sublevação de Minas é absorvida pelas demais divisões militares e as adesões se sucederão rapidamente, sem que os grupos leais ao governo esbocem qualquer reação. As forças legalistas até detectam a marcha dos tanques em Minas. Entretanto, João Goulart mais uma vez diz que não quer derramamento de sangue e descarta qualquer reação. Por telefone, o presidente impede o coronel Rui Moreira Lima de decolar da Base Aérea de Santa Cruz, no Recife, com o esquadrão de caças que bombardearia a divisão insurgente. Anos depois, o general Argemiro de Assis Brasil, chefe da Casa Militar de Jango, diria:

 

É claro que havia condições para resistir. Mas o presidente terminou com o comando porque não era de seu feitio reagir. Camões disse: o fraco rei faz fraca a forte gente.

 

          Darcy Ribeiro, sociólogo e chefe da Casa Civil na época, diz em Aos trancos e barrancos — Como o Brasil deu no que deu:

 

A insurreição da tropa de Juiz de Fora era fácil de ser debelada.

Compunha-se de recrutas e era comandada por um palhaço.

 

 Assim, sem enfrentar um único combate, no dia 1º de abril os insurretos já se aproximam das encostas da Serra de Petrópolis. E, o que deveria ser uma renhida guerra civil se torna um tranquilo passeio de tanques rumo ao litoral.

Na Guanabara, João Goulart deixa o Palácio do Catete e voa a Brasília apanhar Maria Teresa, a bela primeira dama, de 23 anos. Em poucas horas, ele decolará de novo, agora rumo ao Rio Grande do Sul.

Mesmo com o presidente ainda em solo brasileiro, às onze da noite uma sessão extraordinária do Congresso é aberta para que o senador Auro de Moura Andrade declare vago o cargo de chefe da nação. No início da madrugada do dia 2, o presidente da Câmara, Pascoal Ranieri Mazzilli, está novamente empossado como presidente interino do Brasil.

Pela manhã os militares já terão montado o Comando Supremo de sua revolução. O movimento golpista estará sob a chefia de um triunvirato composto pelos chefes das três Armas, general Arthur da Costa e Silva, brigadeiro Francisco de Assis Correia de Mello e o almirante Augusto Hamann Rademaker Grunewald.

 

O texto acima é uma parte do livro PEDRO E OS LOBOS

 

OS 80 ANOS DUM HERÓI DE CARNE E OSSO

 

          Pedro Lobo de Oliveira acaba de fazer 80 anos e ainda permanece ignorado pela historiografia oficial.

Diferente de muitos dos nossos heróis de feriado ou estátuas esquecidas em praças públicas, Pedro tem um histórico de luta pela causa do povo onde não faltam coragem, abnegação e cheiro de pólvora.

Odiado pelos milicos por sua bravura e obstinação, Pedro foi um dos mais aguerridos combatentes na luta contra os militares que se aboletaram no poder no último dia de março de 1964. Entre suas ações estão expropriações de bancos, ataque a quartéis e a execução, a tiros, do capitão norte-americano Charles Rodney Chandler.       

Preso no início de 1969 quando camuflava um caminhão com as cores do Exército para um ousado plano de ataque ao 4º Regimento de Infantaria, na cidade paulista de Osasco, o companheiro de Carlos Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionária, e de Dilma Rousseff na VAR-P, será barbaramente torturado até ser banido do país na troca por um embaixador alemão.

Depois de passar pela Argélia, fazer treinamento militar em Cuba e escapar da morte no golpe que derrubou Salvador Allende do governo chileno, Pedro acabará se fixando na antiga Alemanha Oriental, atrás do que o Ocidente costumava chamar de Cortina de Ferro. Com a anistia, o ex-sargento volta ao Brasil e é reintegrado a Polícia Militar como se sua vida encerrasse um caprichoso ciclo. 

Sobrevivente duma guerra sem regras, esse herói de carne e osso acaba de ganhar uma biografia – o livro Pedro e os Lobos – Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano e começa a ter sua vida retratada em filme.

      

          Conheça um pouco mais da fascinante história dum brasileiro de vida ímpar.      

          Acesse www.pedroeoslobos.blogspot.com

 

 

 

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