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Contemporânea

A crise de 29

OS 80 ANOS DA CRISE DE 1929




Professor Juberto Santos**

Em 2009, a Crise de 1929 completou 80 anos e realmente é outra forte e importante dica de prova para as áreas de História e Geografia nos Vestibulares e demais concursos com questões de Atualidades e Conhecimentos Gerais. Sempre é bom aproveitarmos tais dicas para direcionar nossos estudos e poupar nosso precioso tempo. 

Nesse breve artigo, relembrarei esse grande evento que voltou ao cenário atual devido à crise vivenciada pelos EUA. Crise essa que está se propagando cada vez mais rápido para várias partes do globo. Entenda a crise de superprodução ocorrida em 1929:

• PANORAMA INICIAL

Entendendo a palavra crise como algo que sempre gera uma instabilidade e apreensão, vemos o sistema Capitalista com certas dificuldades em alguns momentos na História. Não pense que a primeira ocorreu em 1929. Não poderíamos deixar de lembrar da Grande Depressão ocorrida no século XIX (1873-1896), a qual teve características semelhantes da que ocorreu no final da década de 1920 nos EUA.

Desde a segunda metade do século XIX, a indústria estadunidense foi favorecida por um grande crescimento, dentro do quadro da Segunda Revolução Industrial. Em 1912 chega ao poder o presidente W. Wilson (1912-1921), do Partido Democrata, que cria leis trabalhistas específicas a algumas categorias profissionais como os marinheiros e outras leis que pretendiam eliminar os grandes privilégios de pequenos grupos, através de mecanismos que coibiam o controle de mercado, aperfeiçoando a Lei Antitruste de 1890. Mas com o início da Grande Guerra (1914-1918) vemos a anulação dessa política e a economia passaria a ser dominada por Trustes, Holdings e Cartéis. Estas são formas de organização típicas do chamado capitalismo monopolista, ou financeiro, que são consequencias da 2ª Revolução Industrial e da fusão dos capitais industrial e bancário. Vemos que essas associações corporativas tinham em comum a eliminação da concorrência, a combinação de preços, a divisão de áreas de ação, abatendo assim seus custos e aumentando os lucros. Tal fato ia de encontro dos interesses dos consumidores, sendo os mais prejudicados.

A produção estadunidense deu um salto muito grande devido à Guerra, visto em vários setores, destacando-se a indústria de armamento (Bélica), de material de campanha, de alimentos e mesmo de setores destinados ao consumo interno, uma vez que o potencial de consumo no país aumentou com a elevação do nível de emprego; ou ainda para a exportação, principalmente para a América Latina, tomando o lugar que tradicionalmente coube à Inglaterra.

• A DÉCADA DE 1920

Após o término da Primeira Guerra Mundial vemos a retomada de crescimento econômico em alguns países e outros passando grandes dificuldades. A partir dos anos de 1920, foi visto um amplo crescimento industrial desordenado. De 1921 a 1929, a revolução tecnológica faz duplicar a produção, principalmente no setor da construção civil, setor automobilístico e no comércio. O estilo de vida norte-americano, o “American Way of Life” foi amplamente visto de 1924 a 1929, aonde reinou a prosperidade econômica. Essa “melhora” da condição de vida foi alcançada graças à espetacular evolução da técnica, aos muitos postos de trabalho, preços acessíveis, ampla produção agrícola, ao desenvolvimento das indústrias química, mecânica e elétrica, aos complexos industriais, ao consumismo acelerado e ao crescimento industrial norte-americano, estimulado pelo forte protecionismo. Assim vemos a idéia de progresso contínuo, combinando com o alto nível de consumo. Fatores que geraram a futura crise.

• A CRISE DE SUPERPRODUÇÃO

A crise ocorrida em 1929 resultou de um desequilíbrio entre o baixo poder aquisitivo dos consumidores (subconsumo) e a ampla produção descontrolada (superprodução). Mas como isso aconteceu? Devido a esse amplo estímulo de consumo dos anos de 1920, os setores econômicos dos EUA não se preocuparam com a capacidade de consumo dos norte-americanos e dos demais países em consumir tudo que era produzido na época. Assim, a capacidade de consumo começou a cair, entrando em atrito com o amplo ritmo de crescimento da produção. Gerou assim a crise econômica, pois os produtos começaram a ficar estagnados no comércio e nas indústrias, com a produção sendo abalada e diminuída. Assim algumas indústrias começam a demitir seus funcionários (algo que amplia e agrava a crise) e o poder de compra tende a ser cada vez menor devido ao desemprego em massa. Assim inicia-se a recessão econômica.

Abaixo, você tem um quadro com as quatro fases vistas em Crises do Capitalismo, com suas principais características:



• A QUEBRA DA BOLSA DE NOVA IORQUE


No dia 24 de outubro de 1929 vemos claramente o início da Grande Depressão, mas não podemos esquecer que a produção industrial americana já havia começado a cair desde julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que se estendeu até 24 de outubro, quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque caíram rapidamente, desencadeando a chamada Quinta-Feira Negra. Pessoas vendiam suas ações a preços bem baixos, contudo, não havia compradores. Inicia-se um verdadeiro redemoinho econômico-financeiro afetando tanto os EUA quantos os demais países. Eis uma frase da época que traduz bem o que ocorreu: “A abundância gerou a crise”.

Assim, milhares de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, verdadeiras fortunas. Muitos perderam tudo o que possuíam. Dessa forma, a quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente, causando grande inflação e queda nas taxas de venda de produtos, que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais, elevando assim drasticamente as taxas de desemprego. O colapso continuou na segunda-feira negra (28/10) e a terça-feira negra (29/10). A economia dos Estados Unidos da América entrou em uma fase de grande recessão econômica, os países europeus, asiáticos e da América Latina foram os mais prejudicados. O Brasil teve amplas conseqüências negativas, pois os EUA era o nosso maior comprador de Café. Com a crise, muitos cafeicultores perderam tudo ou assumiram grandes prejuízos com a não exportação nosso principal produto da pauta de exportação na época.

De 1929 a 1932 a produção industrial diminuiu em torno de 54%. O presidente Herbet Clark Hoover (1929-1933) sofreu amplas pressões, mas ele se mostra importante para resolver a Crise. Em junho de 1931, Hoover decreta a moratória, ou seja, prorroga o pagamento de dívidas de guerra que os países europeus lhes deviam. Assim, esses países poderiam se fortalece rum pouco mais perante a recessão.

• ROOSEVELT E O NEW DEAL

No final de 1932, as eleições presidenciais americanas foram realizadas. Os dois principais candidatos foram Hoover e Franklin D. Roosevelt. Devido a fortes críticas ao atual presidente, acusando-o de se ro maior causador da recessão, e/ou que pouco fizera para solucionar esta crise, Roosevelt saiu vencedor, tornando-se Presidente dos Estados Unidos em março de 1933. Assumiria 4 mandatos seguidos até 1945, ano de sua morte. Ele ajudou os americanos a recuperarem a fé, levando esperança com sua promessa de ação rápida e vigorosa, afirmando em seu discurso de posse: "A única coisa que devemos temer é o medo". Ele e o povo americano, dessa forma, conseguiriam sair daquele período de instabilidade.

Roosevelt, diferentemente do presidente anterior, acreditava que o governo americano seria a chave mestra para mover o combate aos efeitos da Grande Depressão. No início de 1933 havia 13 milhões de desempregados, e quase todos os bancos tinham fechado. Ele forma uma boa equipe de planejamento, com o governo controlando a Bolsa de Valores e os bancos. Em uma sessão legislativa especial, são criadas e aprovadas uma série de leis, sendo nomeadas de New Deal ("Novo Acordo"). Estas leis forneceriam ajuda social às famílias e pessoas que necessitassem, forneceriam empregos através de parcerias entre o governo, empresas e os consumidores, e reformou o sistema econômico e governamental americano, de modo a evitar que uma recessão deste gênero ocorresse futuramente. Esse programa visava ajudar as empresas, a agricultura, os desempregados e aqueles que corriam o risco de execução de hipotecas.

Como resultado do New Deal foram criadas nos Estados Unidos dezenas de agências federais, abrangendo vários setores da economia, alem de outras importantes medidas:
Dentre elas:

- construção de obras de infra-estrutura para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;
- criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;
- incentivo á criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.
- controle sobre bancos e instituições financeiras;
- concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;
- controle da corrupção no governo;
- leis de apoio à agricultura e à indústria;
- fecha bancos em crise e fiscaliza os demais;
- desvalorização da moeda;
- a redução da jornada do trabalho (8 horas) visando evitar nova superprodução;

A base do primeiro programa do New Deal (1933-1935) buscava basicamente a recuperação financeira e o combate ao desemprego nos Estados Unidos. Já o segundo programa (1935-1939), concentrou-se basicamente na área de seguridade social para a classe trabalhadora e proteção aos pequenos fazendeiros, com mais obras públicas, mais empregos. Embora tivesse sofrido forte oposição, o New Deal foi responsável pela criação de cerca de 10 milhões de novos empregos, contribuindo para a recuperação econômica dos Estados Unidos. Com o início da II Guerra Mundial, os EUA fortalecem ainda mais sua economia, pois é fornecedor de armas e demais materiais para os Aliados, além de participar efetivamente do conflito a partir de 1941 com o ataque à base aérea de Pearl Harbor.

Roosevelt foi reeleito por elevada margem de votos em 1936, 1940 e 1944. Foi o presidente que governou por mais tempo os EUA. Em abril de 1945, morre de hemorragia cerebral.

Vemos que essa crise vem se repetindo de certa maneira com os fatos atuais que o mundo neoliberal vem enfrentando. Você já está vendo reflexos da Recessão econômica desde 2008, caracterizados principalmente pelas demissões em massa em vários setores. Fique atento a essas medidas, pois, novamente o governo dos EUA está assumindo a responsabilidade de resolver essa instabilidade e já tem lançado vários pacotes econômicos de ajuda a empresários, trabalhadores e a bancos.

Juberto de O. Santos é historiador e professor de História, bacharel e licenciado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, lecionando atualmente em cursos pré-vestibulares, colégios e preparatórios para Concursos Públicos. Quaisquer dúvidas:
historiador_ufrj@yahoo.com.br


 

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