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Atualidades

A História se repete???

Por Claudio Recco

Coordenador do HISTORIANET


no twitter @historianetHN


 


Não, a história nunca se repete.


Não há dúvida que as histórias passadas e presentes podem apresentar diversas e importantes semelhanças, afinal a sociedade apreende tudo – de formas variadas – e guarda na memória. Os momentos passados são experiências que podem e devem ser resgatadas e utilizadas a todo e qualquer momento e, nesse sentido, encontramos diversas semelhanças em variados momentos da história das sociedades.


Além disso percebemos a história social e não individual, por isso os interesses de classe e de frações de classe podem se preservar por muito tempo, séculos; apesar de poderem se manifestar de maneiras variadas.


A idéia de que a História se repete tornou-se noção comum entre as pessoas por uma série de razões, dentre as quais o próprio ensino deficiente de História durante décadas, que valoriza o feito do “grandes homens”, os grandes governantes, “homens que mudaram a História”. Essa idéia, comum, passada de boca em boca, de pai para filho, traduz uma visão mutilada da história, marginalizando milhões de indivíduos e, indiretamente, colocando cada um de nós em uma categoria que não é a dos heróis; ou seja, nos leva a pensar, “devemos nos colocar em nosso devido lugar”.


É dessa forma que a história se torna desinteressante, pois asssim ela se desloca da realidade de cada um dos homens, quer dizer, por isso o ensino de história é normalmente desinteressante e, quando o professor faz das tripas o corção, mérito individual, o professor é muito bom, mas nem professor nem aluno são vistos como agentes históricos, pelo menos do ponto de vista social.


É uma idéia parecida com “crise cíclica do capitalismo”. Tornou-se senso comum. Uma expressão normalmente usada e, tão usada, que tornou-se verdadeira. A idéia central é a mesma, a impotência de cada um de nós para mudar tal situação. Se a crise é cíclica, assim como ela veio, ela acabará. Não se preocupe, mesmo porque não cabe a nós simples mortais, homens comuns, tentar fazer alguma coisa pois a crise é “algo natural”. Isso significa que as soluções são simples: espere porque as coisas vão melhora ou, espere que um salvador da pátria aparecerá.

 


O homem não é nada


Parece que voltamos para a Idade Média.


Com uma diferença: séculos atrás acreditava-se que o homem era insignificante perante a grandiosidade de Deus. Hoje reforça-se a insignicancia do homem, substituido por governantes mais capacitados.


Acreditava-se na Igreja Católica medieval


Acredtamos na Imprensa atual?


O Quarto Poder


As teorias liberais iluministas do século XVIII passaram a exigir a reorganização do Estado, com uma crítica aberta a concentração de poder. Montesquieu foi um dos pensadores da época que mais escreveu sobre a organização do Estado, pressupondo a tripartição do poder, Executivo, Legislativo e Judicial (ou judiciário), que deveriam ser independentes entre sí, cada um com uma função específica, teoricamente harmônica para o funcionamento do Estado


O quarto poder é uma expressão criada para qualificar, o poder da mídia ou do jornalismo em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático. Essa expressão trata do poder da mídia quanto a sua capacidade de manipular a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento e influir nas escolhas dos indivíduos e por fim da própria sociedade.




Vejam essa imagem da capa do Jornal O Globo de 1964 (ao lado)


Quem hoje entraria numa sala de aula e diria a mesma coisa?. Exaltaria o Golpe Militar de 64? Quem hoje acredita que Jango era um “agente do comunismo internacional”?


 


Vejam a manchete secundária à esquerda, que escândalo: Ressurge a Democracia. ...e todos sabemos o que veio depois.


 


É verdade que naquele momento a maior parte da imprensa apoiou o golpe militar que acabou com a democracia e mais, a Igreja Católica, a maior parte do empresariado urbano e rural e os Estados Unidos. Apoios esses retratados em qualquer livro de História normalmente hoje em dia.


 


Passada uma das fases mais tenebrosas da História, resgatada a democracia, a liberdade tornou-se valor absoluto. Mas o que é mesmo liberdade? Defina-a em poucos minutos. Qual a porcentagem dos jornalistas tem condições de definir a palavra democracia em cinco minutos? ....ah, um assunto tão complexo não se define em pouco tempo....


E Ética, é possível definir?


 


Carlos Lacerda


A História recente de Carlos Lacerda é um bom exemplo do papel que a imprensa possui. Apresentado normalmente como “jornalista”, não era simplesmente funcionário de um jornal, mas seu proprietário. Mais do que empresário, era declaradamente anti-getulista e anti-comunista. Tornou-se um dos principais porta vozes da UDN e de uma política de abertura do país aos interesses estadunidenses. É normalmente lembrado por ter sido o pivô da crise que levou Getúlio ao suicídio, mas também por ter sido um dos articuladores civis do golpe de 1964.


 


A grande diferença entre o passado e o presente é fácil de perceber, Lacerda não se escondeu; nem atrás de pseudônimos, nem atrás de factóides, quer dizer, notícias inventadas / manipuladas. É verdade, participou de conchavos e articulações, mas nunca escondeu suas opiniões sobre o governo e a condução da economia do país. Outra diferença significativa já foi citada, uma conjuntura diferenciada, na qual as críticas ao governo e o descontentamento aumentavam em diveros setores da sociedade.


 


Não é muito difícil percber porque os latifundiários se opunham cada vez mais ao populismo e, em especial a Jango, que discursava a favor da reforma agrária. Também é fácil perceber os motivos do empresariado urbano, receoso com o apoio do movimento sindical ao governo. E a classe média???


 


A classe média acreditava na imprensa.


 


Uma das grandes acusações da época, a tentativa de de implantar no país uma “República Sindicalista” já havia se dirigido a Vargas. A política trabalhista iniciada por Getúlio Vargas desde 1930 e continuada com maior ou menor intensidade pelos demais presidentes do período que se seguiu a 45, sempre foi alvo de ataques dos setores mais conservadores da sociedade. Ao lado da política trabalhista o discurso nacionalista formaram a base do populismo do PTB e PSD que desagradava Lacerda, seu jornal e seu partido


 


A grande diferença reside no fato de que, após 1945, a economia dos Estados Unidos havia se recuperado e renovava seu expansionismo, justificado pela idéia de Guerra Fria que se delineou no final dos anos 40. Estabeleceu-se uma polarização e quem se colocou contra a política estadunidense foi automaticamente visto como aliado dos soviéticos. Fim da Guerra?, Guerra Fria? Ameaça Comunista? ..a imprensa explicava o que era isso para a sociedade.


 




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