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2010 - Unicamp

Prova da segunda fase do vestibular, realizada em 11 de janeiro de 2010

Resoluções dos professores Claudio Recco e Hélio Moreti

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13) Os impérios desenvolveram diferentes estratégias de inclusão. O império romano permitia a multiplicidade de crenças, desde que a lealdade política estivesse assegurada. Espanha e Portugal, entretanto, apesar de terem incorporado povos de línguas e culturas diversas sob seus governos, impuseram uma uniformidade legal e religiosa, praticando políticas de intolerância religiosa como caminho preferencial para assegurar a submissão e a lealdade de seus súditos.
(Adaptado de Stuart B. Schwartz, Impérios intolerantes: unidade religiosa e perigo da tolerância nos impérios ibéricos da época moderna, em R. Vainfas & Rodrigo B. Monteiro (orgs.), Império de várias faces. São Paulo: Alameda, 2009, p. 26.)
a) A partir do texto, diferencie o império Romano dos impérios ibéricos modernos.
b) Quais as políticas praticadas pelas monarquias ibéricas na Era Moderna que caracterizam a intolerância religiosa?

RESPOSTAS
a) O imperio romano, formado durante o período republicano, na antiguidade, promoveu um processo de expansão gradual e, desde o inicio utilizou uma política de estabelecer alianças que com outros povos ao mesmo tempo em que se utilizou da força bélica contra outros. Com uma política de tolerância religiosa e de costumes procurou enfraquecer os movimentos de resistencia que surgiram em todas as áreas onde houve dominação.

b) Espanha e Portugal adotaram uma política de intolerância religiosa, efeito da Contra Reforma, que se abateu principalmente sobre judeus e muçulmanos e ainda se preocuparam em impor sua cultura e religião aos povos americanos dominados. A prática da catequese promovida pelos jesuítas foi o melhor exemplo de intolerância religiosa, pois a catequese, apesar de não basear-se na violência física, representou uma violência cultural e contou com apoio direto das coroas.

14) Até o século XII, a mulher era desprezada por ser considerada incapaz para o manejo de armas; vivendo num ambiente guerreiro, não se lhe atribuía outra função além de procriar. A sua situação não era mais favorável do ponto de vista espiritual; a Igreja não perdoava Eva por ter levado a humanidade à perdição e continuava a ver em suas descendentes os acólitos lúbricos do demônio.
(Adaptado de Pierre Bonassie, Amor cortês, em Dicionário de História Medieval. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1985, p. 29-30.)
a) Identifique no texto as razões para a mulher ser considerada inferior na sociedade medieval.
b) Quais características da sociedade medieval configuraram um “ambiente guerreiro” até o século XII?

RESPOSTAS
a) segundo o texto a mulher era inferior por não ter condição de manejar as armas – o mundo da elite masculina era marcado pelo valor guerreiro; além disso a mulher representava a perdição segundo a visão religiosa, pois de Eva deriva a ideia do “pecado original”, que determinara a perda do Paraíso.

b) O valor guerreiro tem origem bárbara (germânica) e tornou-se uma das características mais marcantes da sociedade feudal, principalmente entre os membros da elite nobre que, desde a infância aprendiam valores de força, virilidade, guerra e passavam a treinar para tornarem-se cavaleiros. A instabilidade da Europa, com constantes invasões até o século XI favoreceu a manutenção desse valor guerreiro. A Igreja Católica não apenas tolerou mas procurou estabelecer regras para a guerra, seja com justificativas morais de defesa da obra de Deus ou de donzelas, seja de estímulo a luta contra os infieis. Toda essa formação cultural estava vinculada às possibilidades de ascensão econômica, pois a guerra era uma das poucas formas para a obtenção de terras.

15) A partir do século IX, aumentou a circulação da ciência e da filosofia vindas de Bagdá, o centro da cultura islâmica, em direção ao reino muçulmano instalado no Sul da Espanha. No século XII, apesar das divisões políticas e das guerras entre cristãos e mouros que marcavam a península ibérica, essa corrente de conhecimento virou um rio caudaloso, criando uma base que, mais tarde, constituiria as fundações do Renascimento no mundo cristão. Foi dessa maneira que o Ocidente adquiriu o conhecimento dos antigos. No quadro pintado pelo italiano Rafael, A escola de Atenas (1509), o pintor daria a Averróis, sábio muçulmano da Andaluzia, um lugar de honra, logo atrás do grego Aristóteles, cuja obra Averróis havia comentado e divulgado.
(Adaptado de David Levering Lewis, God’s Crucible: Islam and the Making of Europe, 570-1215. New York: W. W. Norton, 2008, p. 368-69, 376-77.)
a) Identifique no texto dois aspectos da relação entre cristãos e muçulmanos na Europa medieval.
b) Relacione as características do Renascimento cultural europeu à redescoberta dos valores da Antiguidade clássica.

RESPOSTAS
a) O texto destaca os conflitos políticos e militares na Península Ibérica – a Guerra de Reconquista – mas ao mesmo tempo uma relação de contato cultural, que permitiu que cristãos fossem influenciados por obras de intelectuais muçulmanos como Averróis.

b) O termo renascimento significa retomar algo que já existiu e considera-se “morto”. Os renascentistas, que desprezavam a cultura medieval, retomaram os valores da cultura clássica, greco-romana, destacando o humanismo, racionalismo, antropocentrismo e individulismo, dentre outros, que possibilitaram novas formas de percepção da realidade cotidiana.


16) Segundo o historiador indiano K. M. Panikkar, a viagem pioneira dos portugueses à Índia inaugurou aquilo que ele denominou como a época de Vasco da Gama da história asiática. Esse período pode ser definido como uma era de poder marítimo, de autoridade baseada no controle dos mares, poder detido apenas pelas nações europeias.
(Adaptado de C. R. Boxer, O Império Marítimo Português, 1415-1835. Lisboa: Edições 70, 1972, p 55.)
a) Quais fatores levaram à expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI?
b) Qual a diferença entre o domínio dos portugueses no Oriente e na América?

RESPOSTAS
a) Podemos apontar inúmeros fatores que levaram os portugueses a estabelecer uma rota alternativa para a Índia. Em primeiro lugar temos que levar em consideração a própria crise que afetava de maneira grave o nascente capitalismo; o monopólio de Genova e Veneza nas rotas mediterrânicas comprometia a saúde financeira da Europa. Em segundo lugar as reservas de ouro estavam bastante escassas e isso ameaçava paralisar as transações comerciais no comercio europeu. Não podemos deixar de mencionar o fortalecimento do trono Avis a partir da participação ativa da nobreza portuguesa, extremamente presente no contexto das tomadas militares nas Ilhas do Atlântico.

b) Foram dois modelos diferentes de ocupação. Enquanto na Índia a estratégia foi de montagem de uma estrutura de comércio com base em feitorias (algo similar ao que ocorreu na África) e imposição da presença lusa com base na força militar, na América tivemos a montagem inicial de uma espécie de continuidade da conquista contra os muçulmanos, tendo um forte apelo religioso na conversão dos nativos. Aos poucos esse modelo cederia lugar para a colonização com base na extração do pau-brasil e mais tarde na organização da grande lavoura canavieira, característica da colônia de exploração.  


17) Os ventos e as marés constituíam um entrave considerável ao tráfico de escravos índios pela costa do Atlântico Sul. Nos anos 1620, houve transporte de cativos “tapuias” do Maranhão para Pernambuco, mas parte do percurso foi feita por terra, até atingir portos mais acessíveis no litoral do Ceará. Ao contrário, nas travessias entre Brasil e Angola, zarpava-se com facilidade de Pernambuco, da Bahia e do Rio de Janeiro até Luanda ou a Costa da Mina.
(Adaptado de Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul (séculos XVI e XVII). São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 61-63.)
a) A partir do texto e de seus conhecimentos, explique de que maneiras o sistema de exploração colonial da América portuguesa foi influenciado pelas condições geográficas.
b) Relacione essas condições geográficas às atividades dos bandeirantes.

RESPOSTAS
a) A instalação da colonização portuguesa na América foi extremamente difícil. Diante de um meio hostil, de proporções imensas, o português foi obrigado a limitar sua presença às regiões litorâneas, ficando durante todo o século XVI a mercê de ataques indígenas e de intempéries. Apenas alguns pontos importantes como no Rio de Janeiro, local de disputa entre portugueses e franceses durante o século XVI, ou Pernambuco e Bahia, locais de predomínio da lavoura canavieira, tiveram papel de destaque nas relações entre os colonos e outros pontos do império. Nesse contexto algumas expedições conhecidas como entradas foram financiadas pela coroa, sem grande êxito.

b) As atividades das bandeiras, foram extremamente importante para romper esse isolamento e possibilitar a presença portuguesa para além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. Essas expedições de âmbito particular, tinham em seus quadros tanto brancos como indígenas e foram divididas em três ciclos básicos: o da caça ao índio, o de exploração de riquezas minerais e finalmente o bandeirismo de contrato, servindo aos interesses oficiais e locais. A expansão territorial e a configuração geográfica no universo colonial sofreram mudanças significativas durante a existência dessas expedições.


18) A Revolução de Saint Domingue (Haiti), entre 1791 e 1803, destruiu a economia de plantation na colônia europeia mais rica da época. Como resultado disso e da abolição do tráfico de escravos para as colônias britânicas, em 1807, a exportação de açúcar, café e outros produtos tropicais cresceu em Cuba e no Brasil, que experimentaram um enorme aumento no afluxo de escravos. Essas regiões são caracterizadas no século XIX por uma “segunda escravidão”, mais próxima de um sistema industrial na disciplina do trabalho e na inovação técnica na produção. Longe de ser uma instituição moribunda durante o século XIX, esta “segunda escravidão” demonstrou sua adaptabilidade e vitalidade.
(Adaptado de Dale W. Tomich, Through the Prism of Slavery: Labor, Capital, and World Economy. Lanham: Rowman & Littlefield Publishers, 2004, p. 69, 80.)
a) Segundo o texto, o que caracterizava a vitalidade e a adaptabilidade da “segunda escravidão”, desenvolvida no século XIX?
b) Identifique duas características da Revolução de Saint Domingue (Haiti).

RESPOSTAS
a) Segundo o texto esse novo modelo de escravidão, ao contrário do modelo tradicional, estaria muito mais próximo das relações de trabalho industriais, tanto na sua essência quanto na disciplina imposta aos trabalhadores. Essas características poderiam estar associadas à nova fase do capitalismo e mesmo às novas relações entre senhores e escravos como a permissão da venda de excedentes agrícolas ou mesmo aos escravos de ganho, tão comuns nas cenas urbanas do Brasil Império.

b) A independência do Haiti foi o único processo de independência que contou com setores baixos da população, notadamente escravos e ex-escravos. Esse processo levou ao rompimento com o governo francês, na época chefiado por Napoleão Bonaparte,  e resultou na formação de uma República de essência popular


19) No tempo da independência, não havia ideias precisas sobre o federalismo. Empregava-se “federação” como sinônimo de “república” e de “democracia”, muitas vezes com o objetivo de confundi-la com o governo popular, embora se tratasse de concepções distintas. Por outro lado, Silvestre Pinheiro Ferreira observava ser geral a aspiração das províncias à autonomia, sem que isso significasse a abolição do governo central da monarquia. Mas a historiografia da independência tendeu a escamotear a existência do projeto federalista, encarando-o apenas como produto de impulsos anárquicos e de ambições personalistas e antipatrióticas.
(Adaptado de Evaldo Cabral de Melo, A Outra Independência. O federalismo pernambucano de 1817 a 1824. São Paulo: Ed. 34, 2004, p. 12-14.)
a) Identifique no texto dois significados distintos para o federalismo.
b) Quais os interesses econômicos envolvidos no processo de independência do Brasil?

RESPOSTAS
a) No texto podemos identificar o emprego do termo federalismo, permeado por uma tendência propriamente conservadora; assim, há o emprego do termo como sinônimo de República, Anarquia ou simplesmente aumento da participação popular; nesse sentido o termo ganharia uma carga negativa, pejorativa. Por outro lado, o autor argumenta que o significado de federalismo pode ser associado à defesa dos interesses locais, sem atentar contra o poder central da Monarquia.

b) Os interesses econômicos foram bastante diversos. Dentre esses interesses podemos apontar os esforços da elite local para superação dos limites impostos pelo decadente e dependente capitalismo português, em um contexto de transição em que a influência britânica se fazia cada vez mais presente na economia luso/brasileira. Não podemos subestimar também o início da presença estadunidense na política latino-americana, quando do reconhecimento da independência do Brasil no contexto da Doutrina Monroe.

20) Muitos historiadores argumentaram que a parceria era menos eficiente que o trabalho assalariado. Por que, então, os fazendeiros de São Paulo adotaram o sistema de parceria? A parceria permitia que o proprietário se beneficiasse do trabalho da família dos parceiros. Os fazendeiros sempre se opuseram ao recrutamento de homens solteiros, argumentando que os imigrantes com família mostravam-se menos propensos a abandonar as fazendas. Isso pode ser verdade, mas certamente era de igual importância o fato de que as famílias dos imigrantes constituíam uma reserva de trabalho barato na época da colheita, que exigia mais braços.
(Adaptado de Verena Stolcke e Michael Hall, A introdução do trabalho livre nas fazendas de café de São Paulo, em Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 3, nº 6, p. 88-89, 1983.)
a) Identifique no texto dois argumentos a favor da imigração de famílias para as fazendas paulistas.
b) Que fatores levaram o governo paulista a subvencionar a imigração no final do século XIX?

RESPOSTAS
a) O texto reconhece que o trabalho das famílias é importante para a continuidade da grande lavoura cafeeira, na medida em que prende o colono à fazenda, algo extremamente importante para época, o que inclusive explica a adoção da Lei de Terras de 1850; a adoção da imigração de famílias é relevante na medida em que garante a disciplina e o controle sobre esse segmento barato de mão de obra.

b) Vale salientar que as relações entre fazendeiros e imigrantes eram pautadas em grande parte nas bases das relações escravocratas tradicionais. Essa dinâmica explica a ocorrência de uma série de revoltas nas fazendas de São Paulo, o que quase inviabilizou a continuidade da transferência desses contingentes para o Brasil. Houve inclusive determinações para que o agenciamento de trabalhadores em países como Itália e Alemanha fossem proibidos. Para superar esse impasse as autoridades imperiais passam a subvencionar a transferência desses colonos para o Brasil, aproveitando-se do panorama tumultuado da Europa durante esse período.


21) No século XIX, surgiu um novo modo de explicar as diferenças entre os povos: o racismo. No entanto, os argumentos raciais encontravam muitas dificuldades: se os arianos originaram tanto os povos da Índia quanto os da Europa, o que poderia justificar o domínio dos ingleses sobre a Índia, ou a sua superioridade em relação aos indianos? A única resposta possível parecia ser a miscigenação. Em algum momento de sua história, os arianos da Índia teriam se enfraquecido ao se misturarem às raças aborígenes consideradas inferiores. Mas ninguém podia explicar realmente por que essa ideia não foi aplicada nos dois sentidos, ou seja, por que os arianos da Índia não aperfeiçoaram aquelas raças em vez de se enfraquecerem.
(Adaptado de Anthony Pagden, Povos e Impérios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p. 188-194.)
a) Segundo o texto, quais as incoerências presentes no pensamento racista do século XIX?
b) O que foi o imperialismo?

RESPOSTA
a) O texto considera como incoerência a dominação inglesa sobre os indianos, na medida em que os dois povos tem origem ariana; e ainda procura justificar a superioridade branca europeia, aceitando que ela pode influenciar e melhorar outras culturas, mas não admite que ela possa ser influenciada e modificada.

b) O imperialismo foi a forma adotada pelo capitalismo a partir do final do século XIX, caracterizado pelo predomínio do capitalismo monopolista e do processo de dominação das potências industriais sobre áreas não integradas, que passaram a ser dominadas economicamente, militarmente e culturalmente, principalmente com a ação de potências europeias, mas também do Japão e Estados Unidos, com o objetivo de obter mercados para os excedentes de produção, capiatais e populacional, assim como para a obtenção de matérias-primas industrais.


22) No ocidente, as relações de Mao Tsé-Tung com o marxismo foram objeto de discussão. Alguns estudiosos questionaram se Mao era realmente um marxista, enquanto outros argumentaram que seu pensamento estava baseado no stalinismo e não acrescentava nada de original ao marxismo-leninismo. As idéias de Mao só foram reconhecidas internacionalmente pelo termo “maoísmo” depois da Revolução Cultural.
(Adaptado de Alan Lawrence, China under communism. Londres e Nova York: Routledge, 2000, p. 6.)
a) Identifique no texto duas visões diferentes sobre o pensamento de Mao Tsé-Tung.
b) O que foi a Revolução Cultural na China?

RESPOSTA
a) Antes da Revolução Cultural havia, segundo o texto, duas expressões de contestação as ideias de Mao, uma que não o considerava como marxista, outra que considerava-o apenas como stalinista, ou seja, um seguidor da política soviética de Stalin, sem acrescentar nada de novo ao panorama do comunismo internacional.

b) A Revolução Cultural representou uma disputa política interna ao partido, na medida em que alguns setores defendiam maior liberalização e adaptação ao ocidente, tal como a URSS desenvolvia. Ao contrário, Mao e os mais ortodoxos procuraram manter setores sociais mobilizados e ativos, principalmente estudantes e parte dos trabalhadores, num movimento que atingiu as velhas lideranças burocratizadas do partido, como Deng Xiaoping, que chegou a ser destituído. A criação de grupos armados de estudantes, a “Guarda Vermelha” que perseguiu intelectuais, professores e antigos membros do PC, acabou resultando num banho de sangue, num processo comandado por Jianq Qing, - esposa de Mao – líder do “bando dos quatro”.



23) Após o Ato Institucional nº 5, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento extremo de coerção, o último recurso de repressão política desencadeada pelo AI 5. Ela se tornou prática rotineira por conta da associação de dois conceitos. O primeiro relaciona-se com a segurança da sociedade: o país está acima de tudo, portanto vale tudo contra aqueles que o ameaçam. O segundo associa-se à funcionalidade do suplício: havendo terroristas, os militares entram em cena, o pau canta, os presos falam e o terrorismo acaba.
(Adaptado de Elio Gaspari, A ditadura escancarada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 13, 17.)
a) Segundo o texto, de que maneiras o regime ditatorial implantado no Brasil após 1964 justificava a tortura aos opositores?
b) Por que o AI 5 representou uma ruptura com a legalidade?

RESPOSTAS
a) Segundo o texto de Elio Gaspari a tortura ganharia um papel funcional na luta contra a oposição, na medida em que garantiria de maneira justificável a segurança nacional e a defesa da sociedade e por conseguinte do regime (Doutrina de Segurança Nacional), além de servir como instrumento para o aniquilamento de toda e qualquer forma de resistência contra a ditadura. Vale lembrar que essa prática constituiu a implantação mais explícita do terrorismo de Estado que, associado á censura e à destruição da democracia partidária, condenou a sociedade brasileira a décadas de obscurantismo dificilmente relativizada.

b) O AI-5 pode ser considerado uma ruptura sob o ponto de vista legal pois apesar de emendar a Constituição imposta pelo regime, abriu a possibilidade para excessos como os cometidos pelos torturadores no contexto de sua implantação. Além  desses excessos poderíamos destacar ainda a eliminação do Hábeas Corpus e a hipertrofia do poder Executivo.


24) Em 1997, manifestações dos cidadãos por seguridade social foram organizadas em todos os países membros da União Europeia. Muitos dos participantes eram contra o processo de integração. Os pobres, que eram aqueles que viviam da seguridade social, sentiam-se marginalizados pela União Europeia. Além disso, alguns partidos políticos usaram slogans nacionalistas e racistas, esperando pescar nas águas agitadas pela miséria, pelo desemprego e pela desconfiança no governo.
(Adaptado de Harry Coenen, Social Security Claimants and Europe, em Rik van Berkel, Harry Coenen e Ruud Vlek, Beyond marginality? Social movements of social security claimants in the European Union. Aldershot: Ashgate Publishing, 1998, p. 1-2.)
a) De acordo com o texto, quais os diferentes interesses que se opunham à União Europeia?
b) Quais as mudanças que a criação da União Europeia ocasionou para os países membros?

RESPOSTAS
a) Setores empobrecidos da sociedade que temiam perder direitos sociais – a política de seguridade social – por conta do avanço de uma postura neoliberal na maior parte dos governos; assim como os grupos políticos fascistas, que baseiam sua ideologia no nacionalismo, que poderia perder força na medida em que a integração de povos diferentes se concretizaria.
b) A União Européia iniciou-se como um processo de integração econômica, que determinou a utilização de uma moeda comum para os países membros, (com algumas execeções), fim das barreiras alfandegarias, polítcas comuns em sotores culturais, judiciais e policiais, além da aprovação de uma Constituição Europeia.


 

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