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FUVEST - um retrocesso

Um retrocesso.
A recente prova aplicada pela Fuvest, dia 22 de novembro, para a primeira fase de seu vestibular, representou um retrocesso, se comparada aos exames anteriores.
Ao eleborar uma prova, ou mesmo uma única questão, deve-se fazer uma pergunta: o que desejo com esta questão?; o que vou cobrar do estudante? Quais capacidades ou habilidades? Nos últimos anos a preocupação em promover a cidadania e combater a intolerância estava presente nos exames da Fuvest – e de outras instituições também -, além da preocupação com a capacidade de interpretação, análise, comparação e reflexão. Muitas das questões voltaram a se preocupar com a memorização do conteúdo.
O conteúdo é importante, porém saber história não significa ter capacidade de memorização. O conteúdo deve ser assimilado na medida em que ainda tem importancia para as sociedades contemporâneas. É isso que explica a importância da compreensão de certos temas, como cidadania, tolerância, trabalho, religião, e outros ao longo do tempo.
Se algumas questões dessa prova trabalharam essa preocupação, foram minoritárias.

Fuvest 2010 – 1ª. Fase

Prova aplicada em 22 de novembro de 2009
Comentários do prof. Claudio Recco
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1) Cesarismo/cesarista são termos utilizados para caracterizar governantes atuais que, à maneira de Júlio César (de onde o nome), na antiga Roma, exercem um poder
a) teocrático.
b) democrático.
c) aristocrático.
d) burocrático.
e) autocrático.
Resposta: E
Refere-se a um poder autoritário, centralizador, normalmente apoiado na estrutura militar, onde se destaca a figura do governante entendido como mandatário supremo. Dessa expressão deriva cesaropapismo ou ainda czarismo (na história russa)


2) “A instituição das corveias variava de acordo com os domínios senhoriais, e, no interior de cada um, de acordo com o estatuto jurídico dos camponeses, ou de seus
mansos [parcelas de terra].”
Marc Bloch. Os caracteres originais da França rural, 1952.
Esta frase sobre o feudalismo trata
a) da vassalagem.
b) do colonato.
c) do comitatus.
d) da servidão.
e) da guilda.
Resposta: D
A servidão foi a forma de trabalho predominate na sistema feudal. Uma obrigação dos servos era a corveia, que consistia na realização de trabalho no domínio senhorial durante certo período, normalmente três dias da semana. Normalmente o trabalho realizado estava relacionado à agricultura, mas poderia ser realizado em qualquer depêndencia do domínio, como a construção de um muro ou a reparação de uma ponte.


3) Os primeiros jesuítas chegaram à Bahia com o governador-geral Tomé de Sousa, em 1549, e em pouco tempo se espalharam por outras regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, pelo governo de Portugal, em 1759. Sobre as ações dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que
a) criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo desenvolvimento do barroco mineiro.
b) defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo reconhecimento dos direitos civis dos nativos.
c) foram responsáveis pela educação dos filhos dos colonos, por meio da criação de colégios secundários e escolas de “ler e escrever”.
d) causaram constantes atritos com os colonos por defenderem, esses religiosos, a preservação das culturas indígenas.
e) formularam acordos políticos e diplomáticos que garantiram a incorporação da região amazônica ao domínio português.
Resposta: C
A presença dos jesuítas em território brasileiro está associada as decisões do Concílio de Trento, que preocupava-se com a expansão do catolicismo fora da Europa, não apenas catequisando os nativos, mas garantindo aos colonos portugueses a educação básica, preocupada principalmente com a preservação de uma moral condinzente com a religião, além de monopolizar o ensino. Para eles, os nativos não tinham capacidade de desenvolvimento próprio e deveriam ser protegidos, assimilando a cultura cristã e a moral católica.

4) “E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moeda para os reinos estranhos e a menor quantidade é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...”
João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, 1711.
Esta frase indica que as riquezas minerais da colônia
a) produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal.
b) foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra.
c) prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercantilistas da França, da Inglaterra e da Alemanha.
d) foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por meio do contrabando na região do rio da Prata.
e) possibilitaram os acordos com a Holanda que asseguraram a importação de escravos africanos.
Resposta: B
Idéia tradicional de que grande parte do ouro retirado das Minas Gerais foi parar na Inglaterra devido às dívidas portuguesas, por conta de diversos tratados, sendo o mais famoso o Tratado de Methuen – chamado por muitos de “tratado de panos e vinhos”, que determinava uma balança comercial desfavorável para os lusitanos. Note que, nesse caso, o ouro que chegava a Inglaterra passava antes por Portugal, de forma legal, enquanto o texto dá a entender que há dois caminhos para o ouro e, um deles, não passa por Portugal.


5) Carlos III, rei da Espanha entre 1759 e 1788, implementou profundas reformas – conhecidas como bourbônicas – que tiveram grandes repercussões sobre as colônias espanholas na América. Entre elas,
a) o estabelecimento de medidas econômicas e políticas, para maior controle da Coroa sobre as colônias.
b) o redirecionamento da economia colonial, para valorizar a indústria em detrimento da agricultura de exportação.
c) a promulgação de medidas políticas, levando à separação entre a Igreja Católica e a Coroa.
d) a reestruturação das tradicionais comunidades indígenas, visando instituir a propriedade privada.
e) a decretação de medidas excepcionais, permitindo a escravização dos africanos e, também, a dos indígenas.
Resposta: A
Período de crise do colonislismo espanhol, quando a Espanha foi forçada a fazer concessões, mas ao mesmo tempo ampliou o controle sobre as áreas coloniais. Época de decadência da mineração, predomínio comercial inglês e de influências das idéias iluministas, tanto na metrópole quanto nas colônias.


6) “Eis que uma revolução, proclamando um governo absolutamente independente da sujeição à corte do Rio de Janeiro, rebentou em Pernambuco, em março de 1817. É um assunto para o nosso ânimo tão pouco simpático que, se nos fora permitido [colocar] sobre ele um véu, o deixaríamos fora do quadro que nos propusemos tratar.”        F. A. Varnhagen. História geral do Brasil, 1854.
O texto trata da Revolução pernambucana de 1817. Com relação a esse acontecimento é possível afirmar que os insurgentes
a) pretendiam a separação de Pernambuco do restante do reino, impondo a expulsão dos portugueses desse território.
b) contaram com a ativa participação de homens negros, pondo em risco a manutenção da escravidão na região.
c) dominaram Pernambuco e o norte da colônia, decretando o fim dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão.
d) propuseram a independência e a república, congregando proprietários, comerciantes e pessoas das camadas populares.
e) implantaram um governo de terror, ameaçando o direito dos pequenos proprietários à livre exploração da terra.
Resposta: D
Ùltimo grande movimento emancipacionista, a Revolução Pernanbucana ocorreu em contexto diferenciado, quando da presença da Corte Lusitana no Brasil. O movimento contou com a aprticipação de setores sociais diferenciados, incluíndo camadas populares urbanas, defendia a independência do Brasil e a formação de uma República, além de possuir forte sentimento anti-lusitano.


7) No Ocidente, o período entre 1848 e 1875 “é primariamente o do maciço avanço da economia do capitalismo industrial, em escala mundial, da ordem social que o representa, das ideias e credos que pareciam legitimá-lo e ratificá-lo”.
E. J. Hobsbawm. A era do capital 1848-1875.
A “ordem social” e as “ideias e credos” a que se refere o autor caracterizam-se, respectivamente, como
a) aristocrática e conservadoras.
b) socialista e anarquistas.
c) popular e democráticas.
d) tradicional e positivistas.
e) burguesa e liberais.
Resposta: E
O texto remonta à segunda metade do século XIX, quando ocorreu a II Revolução Industrial, refletindo a ascensão da burguesia ao poder em diversas nações, com um projeto político e econômico apoiado nas idéias liberais, de origem iluminista; portanto um liberalismo que reduzia a intervenção do Estado na economia e que se baseava no critério censitário para definição de cidadania.


8) No “Manifesto Antropófago”, lançado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Queremos a Revolução Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.”
Essas passagens expressam a
a) defesa de concepções artísticas do impressionismo.
b) crítica aos princípios da Revolução Francesa.
c) valorização da cultura nacional.
d) adesão à ideologia socialista.
e) afinidade com a cultura norte-americana.
Resposta: C
Expressão da cultura modernista que se difundia no país, em especial nos centros urbanos, o nacionalismo brasileiro se apegava aos elementos sociais típicos do país, em especial o indígena e condenava a importação da cultura européia, sendo que muitas vezes adquiria um tom xenófobo. Em 1928 levam ao extremo essas idéias com o Manifesto Antropófago, que propõe "devorar" influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura.

9) A partir da redemocratização do Brasil (1985), é possível observar mudanças econômicas significativas no país. Entre elas, a
a) exclusão de produtos agrícolas do rol das principais exportações brasileiras.
b) privatização de empresas estatais em diversos setores como os de comunicação e de mineração.
c) ampliação das tarifas alfandegárias de importação, protegendo a indústria nacional.
d) implementação da reforma agrária sem pagamento de indenização aos proprietários.
e) continuidade do comércio internacional voltado prioritariamente aos mercados africanos e asiáticos.
Resposta: B
A  partir do governo Collor, o Estado estruturou um processo de privatizações, que se desenvolveram nos anos seguintes, em especial com Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, inserindo o país na dinâmica da globalização, acompanhando a onda neoliberal ampliada com a queda do muro de Berlim e com o fim da União Soviética.

10) Cartaz de 1994 da campanha de Nelson Mandela à presidência da África do Sul.

 
Essa campanha representou a
a) luta dos sul-africanos contra o regime do apartheid então vigente.
b) conciliação entre os segregacionistas e os partidários da democracia racial.
c) proposta de ampliação da luta anti-apartheid no continente africano.
d) contemporização diante dos atos de violência contra os direitos humanos.
e) superação dos preconceitos raciais por parte dos africânderes.
Resposta: A
Apesar da libertação de Mandela e de um conjunto de leis liberalizantes adotadas pelo governo branco de Frederik De Klerk, que pretendia abolir a segregação racial, foi a vitória de Mandela e seu governo que eliminaram de fato as leis de Apartheid. Vale lembrar que esse processo envolveu intensas lutas políticas e sociais e não eliminou o preconceito racial, arraigado na cultura da elite branca.


 

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