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Brasil e Angola

O INTERCÂMBIO CULTURAL ALÉM-MAR ENTRE BRASIL E ANGOLA

A Revista de História da Biblioteca Nacional faz dossiê sobre a relação entre os dois países, provando que "o atlântico está menor do que nunca"

 





A Angola é hoje a aposta de muitos mercados econômicos, inclusive o brasileiro, e o seu Produto Interno Bruto (PIB) poderá atingir, até 2010, os 100 bilhões de dólares face ao "ritmo de crescimento" da economia angolana, segundo dados do Banco Mundial. A Petrobrás já previu investimentos no país africano de US$ 900 milhões até 2012. Outras empresas brasileiras, entre elas a Odebrecht e Correa Camargo, também enxergam no país boas oportunidade de crescimento e negócios. Uma das conseqüências é a troca de mão-de-obra entre essas duas nações. Hoje, é comum ver brasileiros apostando carreira, principalmente na área estrutural, em Angola. Porém, a relação entre esses dois países co-irmãos não é atual. A mais nova edição da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) revela que esse intercâmbio acontece desde a colonização. No dossiê Angola é Aqui, Nossa História Africana, um relato sobre a ligação histórica e atual do Brasil e da Angola.

A professora de história do Colégio Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mônica Lima e Souza, autora da tese Entre Margens: O Retorno à África e Libertos do Brasil, assina dois artigos na RHBN e mostra a influência cultural africana sob a nossa língua, religião, conhecimentos agrícolas e de mineração, afazeres cotidianos e até hábitos de alimentação. A autora dá exemplos práticos de costumes no Brasil vindos da Angola como o candomblé, o jongo, a capoeira e até o rebolado. A historiadora defende que vem dos angolanos a origem de boa parte da "ginga brasileira". Desvenda ainda como o processo de colonização influenciou nessa ligação entre dois países que, mesmo divididos pelo oceano, nunca deixaram de conviver.

O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor da tese Estamos juntos. O MPLA e a Luta Anticolonial (1961/1974), Marcelo Bittencourt, é o autor do artigo Conexão Brasil do dossiê da revista. Em setembro de 2008, o povo angolano participou de uma eleição legislativa, o que não acontecia desde 1992, com a vitória do Movimento Popular de Libertação Angolana (MPLA). É o segundo parlamento do país, que se tornou independente de Portugal em 1975. O professor Marcelo conta em seu artigo a longa luta da Angola em se tornar independente e o apoio do governo brasileiro na campanha anticolonialista, que foi mantido mesmo durante o regime militar.

A revista – Desde o seu lançamento em 2005, a Revista de História da Biblioteca Nacional oferece informação qualificada em artigos e matérias produzidos pelos mais importantes historiadores brasileiros. A publicação conta com a chancela e o rico acervo iconográfico da Biblioteca Nacional. Sua linguagem e apresentação agradável conquistaram um público abrangente independentemente de formação educacional ou área de atuação profissional. Única em seu segmento editorial especializada em História do Brasil, a RHBN é distribuída mensalmente nas bancas de todo o país. O conteúdo integral de todas as edições da revista também pode ser acessado no endereço www.revistadehistoria.com.br.

Custo Brasil

Desde as invasões holandesas estava evidente: a colônia americana só era viável com o braço escravo angolano. Crescemos à custa da miséria africana.

Luiz Felipe de Alencastro

No Atlântico português formou-se uma matriz espacial colonial específica. De um lado, no litoral da América do Sul, desenvolveram-se uma economia e uma sociedade fundadas no trabalho escravo africano. Do outro, principalmente em Angola, mas também no Golfo de Guiné, situavam-se as redes de reprodução dessa mão-de-obra escrava. As duas margens do Atlântico Sul se completavam em um só sistema de exploração colonial, cuja singularidade ainda marca profundamente o Brasil contemporâneo.

No início do século XVII, a circulação de homens e mercadorias entre Brasil e Angola já era considerável. Uma das mais claras demonstrações da ligação entre as duas colônias aparece no encadeamento das invasões holandesas. Na estratégia holandesa, os portos comerciais dos dois lados do Atlântico Sul eram alvos conjugados.

Quando tomaram a Bahia, em 1624-5, os holandeses promoveram também o bloqueio naval de Benguela e Luanda. A segunda campanha atingiu o alvo em 1630, com a captura de Olinda e Recife. Cinco anos depois, a Zona da Mata pernambucana tinha caído sob o controle de Maurício de Nassau. No primeiro relatório que envia a Amsterdã, ele enuncia as regras do jogo colonial no Atlântico Sul. Adverte que não era qualquer um que servia para ser colono na Nova Holanda: os candidatos deveriam dispor de capital “para mandar fazer a fábrica de que precisam, pois não podem ser trazidas da Holanda como são aqui necessárias, e para comprar alguns negros, sem os quais nada de proveitoso se pode fazer no Brasil”. E insiste: “Necessariamente deve haver escravos no Brasil (...) é muito preciso que todos os meios apropriados se empreguem no respectivo tráfico na Costa da África”. (...)

Leia a matéria completa na edição de Dezembro, nas bancas.

Idas e vinda

Ex-escravos queriam voltar à África para combater o tráfico. Enquanto isso, famílias de Cabinda educavam seus filhos no Rio para o comércio negreiro.

Mônica Lima e Souza

“O melhor lugar para os libertos africanos e seus descendentes livres, residentes no Império do Brasil, irem e fundarem uma cidade é o lugar chamado Cabinda, no Sudoeste da África, porque os nativos daquele lugar tiveram, ao longo dos anos, o desejo de adquirir civilização européia”.

O trecho acima não é obra de algum governante branco europeu planejando o destino dos negros alforriados. Trata-se de uma carta escrita em 1851 por um ex-escravo e endereçada às autoridades britânicas. Joaquim Nicolau de Brito pleiteava, para si e para uma centena de outros libertos, a oportunidade de viajar de volta à África e lá empreender uma nova colonização, inspirada em formas “civilizadas” de governo.

O grupo queria instalar-se em Cabinda, no litoral da atual Angola, e dedicar-se ao cultivo de produtos agrícolas para consumo e exportação. Com os lucros do trabalho, seus integrantes pagariam o investimento feito em sua viagem.

Para convencer os ingleses a patrociná-los, usaram argumentos afinados com a política antiescravista promovida pela Grã-Bretanha. Prometiam combater o tráfico negreiro na região, por meio do exemplo bem-sucedido do trabalho livre, e propunham até a libertação de escravos – que seriam comprados dos traficantes e teriam dois anos para pagar com seu trabalho o preço do resgate. O grupo liderado por Joaquim Nicolau de Brito deixava bem claro que esse pagamento de dívida não caracterizaria trabalho escravo

Leia a matéria completa na edição de Dezembro, nas bancas.


 

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